segunda-feira, 16 de novembro de 2020

ESQUINAS...


Logo adiante, o comércio oferece sorvete direto da fábrica. A que preço a senhora que mora no quintal vizinho mereceria tal vantagem? Ou, desvantagem.

Na esquina mais próxima, o muro da escola de ensino fundamental é ornamentado com desenhos de aluno. Na frente e na lateral. Ligia, Pedro Joaquim, Marcos, João, Hellyan e tantos outros assinam a obra. Que é, aliás, bastante visível, mas questiono quantos não a enxergam com a devida importância de quem a concebeu. Canta Marisa Monte, na música Gentileza: "Apagaram tudo / pintaram tudo de cinza..." Letra previsível num lugar que pinta escolas com as cores da campanha eleitoral dos políticos da vez. Hoje vermelho, amanhã azul, depois verde...

Nas minhas costas, a mureta do estacionamento me oferece um lugar para sentar. Não me expulsam de lá, por provável cortesia, ou pouco caso, quem sabe por me virem potencial cliente, isso culpa da minha idade.

As placas das ruas que se cruzam balançam ao vento, como se fossem elas as responsáveis pelo tempo das sinaleiras. Verde Vasco da Gama,vermelho São João, amarelo para ambas, ao mesmo tempo.

Vasco da Gama. Seria o próprio, aquele do caminho das Índias, emprestando seu nome à tão usada via pública? De quem foi a idéia? Infeliz, hilárica ou louvável? Quem diria...

E o outro, São João? É o mesmo do folclore, das festas juninas que perderam os fogos de artifício por causa dos cachorros? Nunca o cachorro animal têm culpa ou mérito de erros e acertos. Sempre o cachorro homem, aquele que pensa com a traseira e ladra, este sim decida equivocado por desfilar pretensões avessas.

Verde e vermelho, Vasco e João. Vermelho e verde, João e Vasco. Amarelo para ambos, ao mesmo tempo. "Escola linda de bonita", escreveu um aluno que ajudou a ornamentar o muro da escola com a sua frase.

Metros atrás, dois pontos de ônibus abrigam sob suas coberturas pretensos passageiros que esperam pela condução faz tempo. Um carro de passeio dá a seta para subir, enquanto o motorista contrário aproveita a parada para limpar o nariz. Deu tempo para tirar a sujeira e limpar a ponta do dedo na manga da camisa. Mas deu flagrante para a mulher de motocicleta, ao lado, que fez cara de nojo. Visível, apesar do capacete. Risível, segundo a expressão do motorista da Van, que assistiu aos dois atos.

Verde, vermelho ou amarelo? Trânsito calmo na Vasco que cruza João e que faz o mesmo com o primeiro. Uma é rua, outra é avenida. Mas o estatus pouco importa. Vale ênfase registrar o que acontece no lugar desta cidade onde o explorador marítimo e o santo se dão de cara. Logo aqui, tão longe dos dois.

Ossos do ofício. Há quem diga, escrever tanta bobagem... Mas vi duas borboletas de asas amarelas voando naquele cruzamento na hora da calmaria no trânsito. Culpa do Vasco e do João, explorador e santo.

E ainda enxergo bem, por isso escrevo. Ainda vejo e conto o que visualizo.





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