quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Crônica - A mosca da sopa eleitoral de Londrina

O passado está presente nas seis opções. Experimente: jogue os candidatos a prefeito de Londrina e suas coligações no cadinho. Nada a ver com aquele personagem ridículo da novela das nove. Ou oito e meia? Depende. Se tiver jogo é mais cedo. Caso contrário estica-se para tão tarde que dá sono.

Então? O cadinho onde colocamos os nossos candidatos é aquele usado para fundir o ouro e dar um formato ao metal precioso. Anéis, brincos, pingentes e antigamente coroas, pivôs e restaurações dentárias. Imagine se hoje em dia os dentistas e seus protéticos usassem ouro na boca dos pacientes? Teria gente desdentada em cada esquina após ações dos surrupiadores. Sim, certos políticos incluídos.

O cadinho é uma peça pequena, mas todos cabem nele se juntos levarem apenas as suas propostas. Mas é preciso centrifugar o conjunto: além das propostas, as feridas, as cuecas com dólares, as maldades e enfim o passado. E todos devem. Senão por eles próprios pelos seus apoiadores.

Recorremos ao processo convencional de trabalhar o ouro. Esculpe-se a peça que queremos produzir em cera. Isso é um trabalho de artista. A cera esculpida é vazada com material apropriado, uma espécie de cimento ou gesso. Após a secagem da pasta coloca-se o vazado num forno para que a cera seja derretida.
Feito isso coloca-se a massa seca com a cera derretida no centrifugador que também acolhe o cadinho. 

Neste último coloca-se o ouro, que é derretido com um maçarico. Nesse ponto dispara-se o centrifugador, que ao girar envia o ouro derretido para a massa. Este, por sua vez, tem o espaço vazio da cera derretida ocupada pelo ouro.

Pronto. Um banho de água fria desfaz a massa. E surge o metal, já no formato da peça esculpida, faltando somente desbastar, alisar e polir. Dá um brilho apaixonante.

Pedimos ao nosso escultor que moldasse em cera um coração que representasse Londrina. Ele produziu uma peça maciça, um coração com formato do verdadeiro, este que bate e nos dá a vida. Justificou que a sua arte simbolizava realmente esta cidade apaixonante. Retrucamos que vai muito ouro. Ele venceu na tréplica: a cidade merece.

E colocamos no nosso cadinho os seis candidatos a prefeito e suas coligações. Imaginamos que havia excesso, mas já que teríamos só o ouro derretido pelo menos um coração surgiria da centrífuga.

Expectativa, tensão, emoção, erros, acertos, adiamentos, cassações, segundo turno, terceiro turno e muitos programas eleitorais gratuitos depois acendemos o maçarico. Quando a centrífuga foi disparada fez um barulho assustador. Corremos com a peça até a torneira para derreter a massa e conferir o resultado.

Nada. Na pia com o ralo tapado só apareceram uns montes com formato de cocô. Na verdade, seis montes. Moles, melequentes, nojentos. Será que o nosso escultor em cera nos enganou? Ou ele foi tão fiel que a centrífuga, cuja função é de espirrar através da rotação em alta velocidade, espirocou?

O problema é que nem as alianças de alguns deles, após derretidas, deram em algo. Então concluímos que alianças maldosas somente solidificam para as maldades. E o povo não merece isso. E o que é que o cadinho e a centrífuga tem a ver com a sopa e a mosca eleitoral de Londrina? Tem cocô e um forte mal cheiro. 


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