<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686</id><updated>2012-01-30T11:13:40.538-08:00</updated><title type='text'>Walter Ogama</title><subtitle type='html'>O cotidiano em reportagens, crônicas e contos</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>301</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-4310916327680391301</id><published>2012-01-30T11:12:00.001-08:00</published><updated>2012-01-30T11:12:33.471-08:00</updated><title type='text'>Conto - O poder rouba o sorriso e cria carranca</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Beatriz mudou muito. Não houve, na verdade, uma transformação radical. Coisa assim como o corte dos cabelos do meio das costas à nuca ou a pintura do loiro para o negro brilhante que ao sol ofusca quando se observa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Beatriz também não engordou. Continua magra e interessante. Muito menos deixou de se vestir no meio termo entre o esportivo e o social. Ela continua improvisando e muito bem. O jeans cai muito bem com o casaquinho. Nos pés, a preferência são ainda as sandálias de saltos altos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O jeito de andar é o mesmo: soberbo, desafiador, provocante e enfim, charmoso. Quantos gostariam de andar ao lado dela? Muitos pretendentes, alguns manifestos e outros nem tanto. Sobram também admiradores que jamais se mostrarão a ela. Apenas sonham com remotas possibilidades.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas onde é que Beatriz mudou? Em que aspecto ocorreu a transformação? Quem conhece Beatriz além da figura esbelta que ela é sabe que a ocorrência está lá dentro onde ninguém enxerga, mas percebe. Basta a dose suficientemente necessária de sensibilidade para saber que a alma de Beatriz sofreu transgressões que a tornam diferente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Beatriz assumiu a cara de uma pessoa preocupada com o que vai acontecer no minuto seguinte. Já não sorri com a expressão de uma criança feliz. É uma adulta zelosa com o que faz. Tem medo de errar, por isso nem sempre faz. Não ousa. E nem brinca como antes. Não se expõe e demonstra medo de tudo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não ouve música, não reparte mais os fins das jornadas de trabalho com o colegas na mesa de um bar. Sai do escritório e vai para casa limpar, lavar, passar, reprogramar, agilizar, providenciar, deixar tudo no jeito. Reclama mais do que antes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Há quem aposte que tudo é por culpa do amor. A criança descompromissada agora tem um pretendente a quem retribuiu. E isso pesa, porque as intenções são sérias e a vida a dois, além do equilíbrio sentimental, exige muito mais, inclusive na parte financeira.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas os sintomas mais forte são de uma transformação profissional. Beatriz virou chefe, comando uma equipe de meia dúzia de colegas, assina, despacha, admite, demite, dá folga, nega férias, corta despesas e diz sim ao chefe dela. É estressante. Beatriz, com isso, virou uma comandante carrancuda que nem para os amigos que não são da empresa consegue mais abrir sorrisos. Beatriz é chefe.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-4310916327680391301?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/4310916327680391301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=4310916327680391301&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4310916327680391301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4310916327680391301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2012/01/conto-o-poder-rouba-o-sorriso-e-cria.html' title='Conto - O poder rouba o sorriso e cria carranca'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-6162450729298466527</id><published>2012-01-27T09:12:00.000-08:00</published><updated>2012-01-27T09:12:51.189-08:00</updated><title type='text'>Curtas - expectativas, reflexões e cigarros</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Sujeira na janela&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Li no vidro da janela que hoje ela não virá. É um escrito velho, feito com a ponta do dedo na superfície embassada. Ficou ali por falta de pano para limpar. Ou por receio de eliminar uma expectativa que deixou de vingar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Contemplação e reflexão&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Uma andorinha bateu hoje cedo na janela do sexto andar. Esclareço: mão foi um choque frontal no vidro. Foi uma visita igual a outras que ela me faz todos os dias. Retribuo com farelos de pão sem saber se é a dieta certa para um ser tão inofensivo. É a compensação pelos minutos de contemplação que o passarinho me proporciona. Da cena extraio outros minutos que uso para as reflexões sobre a minha ausência na casa das pessoas que eu bem quero. Há tempos não visito minhas irmãs.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Minha consciência&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Acendi mais um cigarro. O de antes seria o último. O imediatamente anterior era para dar um basta nesse estranho jeito de passar o tempo com um treco aceso entre os dedos fedendo para os que passam perto. Só digo que o próximo será o último para ter a impressão de estar correto comigo. O que os radicais do combate ao fumo dizem só estimula a vontade de fumar cada vez mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Para mim mesmo&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Promessa feita. Vou parar de fumar o quanto mais rápido desde que ninguém me aborreça com extremos sobre o mal de ser fumante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-6162450729298466527?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/6162450729298466527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=6162450729298466527&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6162450729298466527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6162450729298466527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2012/01/curtas-expectativas-reflexoes-e.html' title='Curtas - expectativas, reflexões e cigarros'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-243433960989408209</id><published>2012-01-26T10:01:00.000-08:00</published><updated>2012-01-26T10:01:01.721-08:00</updated><title type='text'>Conto - O amor no compasso das músicas</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;A circunstância estava para “Dia Branco”, de Geraldo Azevedo. Um compromisso descompromissado. Proposta jogada para sorteio: “...eu lhe prometo o sol... se hoje o sol sair / ou a chuva... se a chuva cair...”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Coisas de amor e desamor. Em outras épocas as promessas valiam. Certa vez ele cantou para ela um trecho de “Apenas mais uma de amor”, de Lulu Santos, para demonstrar apreço incondicional a ponto de assumir sofrimento, se preciso. Escolheu o refrão: “...se amanhã não for nada disso / caberá só a mim esquecer – eu vou sobreviver / o que eu ganho e o que eu perco / ninguém precisa saber...”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Dramático e conveniente para aquela fase. Cinema para comer pipoca e trocar beijos salgados. Caminhada em volta do lago e apalpadas proibidas no percurso. Sussurros eróticos e lances de pornografia no imaginário até o início da próxima cena de amor, nunca de sexo. Carícias, exageros e a despudorada certeza de impunidade para qualquer ato.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Durou um bom tempo. Desprezaram “Valsinha”, de Chico Buarque. Jamais pensaram em retomadas ou reformas naquele ambiente de amor. O cúmulo foi o resgate de Edith Piaf, jamais na voz dela, mas em interpretações variadas na versão nacional: “...se o destino, então nos separar, / se a distante morte, te encontrar, / não importa, querido (a) / porque eu morrerei, também...”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Juntos até na morte, algo parecido com Romeu e Julieta. Relação apegada no discurso do meu caminho é o teu. E almejaram seguir uma estrada, de mãos dadas, até chegar ao lugar dos sonhos bem no rumo do sol. Enfim, o paraíso das idéias que se completam por falta de opostos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Até que se aquietaram. E foi por um longo período. Mas só perceberam que a trilha do ideário estava desfeita quando ouviram, vindo do apartamento vizinho, aquele trecho: “...e ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou / e foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou / e foram tantos beijos loucos / tantos gritos roucos como não se ouvia mais / que o mundo compreendeu / e o dia amanheceu / em paz...”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Terminada a canção assumiram, cada um para si próprio, que já era muito tarde para cantar Valsinha.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-243433960989408209?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/243433960989408209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=243433960989408209&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/243433960989408209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/243433960989408209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2012/01/conto-o-amor-no-compasso-das-musicas.html' title='Conto - O amor no compasso das músicas'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-2204644158347762481</id><published>2012-01-25T08:30:00.001-08:00</published><updated>2012-01-25T08:30:24.561-08:00</updated><title type='text'>Crônica - O que a saudade esconde lá dentro</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Após a dobra da esquina tem um portão, mas não é uma entrada qualquer. É o acesso a um quintal tão parecido com outros. No lado, na frente, na outra rua e em outros bairros. E dali se vê o mato baixo. Ervas daninhas, capim marmelada, folhagens diversas, grama esparramada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aos fundos um pé de limão rosa, copa grudada na mangueira que dá manga coquinho, à sombra das folhas de um gigante abacateiro. Se há flores elas se destacam, como o copo de leite rente à cerca de balaústra. Quem dera encontrar a mamona carregada e fazer travessuras. Brincar de guerra, esgotar paciência de quem passa alvejando costas e se escondendo atrás da moita de cana.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tem uma construção em madeira logo adiante, é uma casa sem varanda nem pintura. Ela é de janelas toscas, de tábuas grossas e desalinhadas. Tem uma fresta na beirada da porta, falha de matajunta e ferrugem do prego. Pouco se vê do lado de dentro, o que os olhos mostram é um vazio, o que os ouvidos captam é um silêncio, o que a alma sente é uma saudade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tenta-se achar o fogão de lenha feito de tijolos e cimento, a chaleira de café em cima, sobre a brasa mantida dia e noite, no inverno ou no calor. Nenhuma mesa por perto, nem cadeiras em algum lugar. A distância da visão é mais longa do que se enxerga. Da cozinha vai à sala e de lá ruma-se aos quartos. Não existe um sofá velho de veludo manchado. Ninguém caminha pelos cômodos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Há um vácuo entre o passado e o presente. Preencho este espaço com lembranças. Procuro mamãe e não a encontro. Para onde foram minhas irmãs? Papai deve estar no trabalho. Quero abrir a porta, preciso pegar meu carrinho de rolimã. Faz tempo não solto pipa. Devo reaprender a rodar pião.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como eu queria uma casa com varanda! Sonhei um dia estar lá dentro vendo lá fora pela janela de vidro. E aquela mulher de cabelos negros presos em coque na nuca? Imagino quanto ela quis uma cadeira confortável posta à sobra ao entardecer.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sonhos que eu tenho sempre de um lar humilde. A velha casa de madeira já não existe. E nem o meu retorno até ela me devolve o que busco lá, após a dobra da esquina, num quintal que nem eu sei, talvez eu tenha medo de entrar. Onde mamãe pôs o meu par de tênis para secar? Pessoas que não encontro. Coisas que perdi. Ali no pé do fogão de lenha pensei encontrar a resposta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-2204644158347762481?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/2204644158347762481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=2204644158347762481&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2204644158347762481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2204644158347762481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2012/01/cronica-o-que-saudade-esconde-la-dentro.html' title='Crônica - O que a saudade esconde lá dentro'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-4871628357838449652</id><published>2012-01-24T09:30:00.000-08:00</published><updated>2012-01-24T09:30:28.031-08:00</updated><title type='text'>Conto - Me exclui fora dessa de guru moderno!</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;O guru, na versão moderna, é uma espécie de capacho. Orienta até certo ponto sobre determinadas coisas, mas nunca passa a linha invisível da sensibilidade de que ele aconselha, orienta ou consente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Viram o consente ai em cima? Pois é. Guru moderno está mais para consentir. É como um assessor político que cisca alternativas para o patrão mas acaba se submetendo ao que o chefe determina.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mulheres de relativos caprichos gostam de gurus. Porque gurus, na ordem do dia, são inofensivos. Nunca bronqueiam e jamais se arriscam. Gurus, normalmente, fecham a sensibilidade sexual e caminham hermafroditas. Por isso às vezes rebolam e outras falam grosso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não é preciso um curso para ser guru. O guru pode ser o cabeleireiro da mulher de relativo capricho. Algumas mulheres até se encostam em motoristas e cobradores do transporte coletivo. Muitas preferem os fardados. Há quem permita que esse capricho vire uma obsessão.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ontem atendi ligação telefônica de uma amiga. Tive que me improvisar como um conselheiro de assuntos delicados que, conforme ela me disse, só comigo poderia conversar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Já fiquei com uma impressão ruim. Do tipo: eu, guru? Mal pensei e ela telefonou de novo só para me complicar ainda mais. Eufórica, disse que seguiu minhas recomendações e acertou uma situação complicada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E na despedida foi bem assim: obrigado meu guruzinho! Eu, heim? Será que só sirvo para isso? Penso, infelizmente, que sim. Pois tenho sido excluído da parte boa, aquela que termina &lt;st1:personname productid="em gemidos. Mas" w:st="on"&gt;em gemidos. Mas&lt;/st1:personname&gt; vou avisando: guru não. Tô fora, meu...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-4871628357838449652?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/4871628357838449652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=4871628357838449652&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4871628357838449652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4871628357838449652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2012/01/conto-me-exclui-fora-dessa-de-guru.html' title='Conto - Me exclui fora dessa de guru moderno!'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-2011530437979401887</id><published>2012-01-23T11:09:00.001-08:00</published><updated>2012-01-23T11:09:41.322-08:00</updated><title type='text'>Opinião - Diferença entre o saber e a sabedoria</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Cora Coralina diz tudo de um jeito simples e eu recorro a ela: “O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida”.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ela é uma soberana. Batizada Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, esta goiana nasceu em 20 de agosto de 1889. Era uma doceira. Mas ficou gigante como poeta e contista. E mesmo grande na poesia e na escita, jamais deixou de pisar no chão. Faleceu em Goiânia em 10 de abril de 1985. Mas nunca morreu. Ficou para a eternidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Na literatura brasileira ela assinava suas obras como Cora Coralina. E eu ouso transcrever um poema, com o título “Humildade”, antes de trocar idéia sobre saber e sabedoria:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;“Senhor, fazei com que eu aceite / minha pobreza tal qual como sempre foi / que não sinta o que não tenho. / Não lamente o que podia ter / e se perdeu por caminhos errados / e nunca mais voltou. / Daí, Senhor, que minha humildade / seja como a chuva desejada / caindo mansa, / longa noite escura / numa terra sedenta / e num telhado velho. / Que eu possa agradecer a Vós, / minha cama estreita, / minhas coisinhas pobres, / minha casa de chão, / pedras e tábuas remontadas. / E ter sempre um feixe de lenha / debaixo do meu fogão de taipa, / e acender, eu mesma / o fogo alegre da minha casa / na manhã de um novo dia que começa.”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Saber e sabedoria! Quanta distância entre uma coisa e outra! Cora Coralina, pelo que presumo, teve como seu grande mestre, para o saber, a sua vida simples nas ruas de Cidade de Goiás, onde nasceu. A sabedoria ela extraiu daquele cotidiano.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu tive minha mãe como a grande mestre. Ela me ensinou decência e dignidade. Com isso me deu base para agir sempre com ética. Certeza vez, menino do antigo grupo escolar, onde se estudava o curso primário, uma colega de sala, de família rica, prometeu trazer um pacote de doce produzido na fábrica de seu pai. Não me trouxe e um dia me passou um dinheiro que eu nem imaginava quanto era para que eu comprasse a Maria mole em canudo no bar perto da escola.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Em vez de comprar o doce eu levei o dinheiro para casa e entreguei para minha mãe. Ela ficou surpresa com o valor e no dia seguinte foi à escola, comigo, para que eu devolvesse o dinheiro à colega. Fiquei muito envergonhado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Saber e sabedoria! Nessa curtíssima história eu tive as duas coisas. Como disse Cora Coralina, saber se aprende com os mestres e a sabedoria com o corriqueiro da vida. Minha mãe e aquela experiência ainda fazem parte de mim. De um jeito muito forte!&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-2011530437979401887?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/2011530437979401887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=2011530437979401887&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2011530437979401887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2011530437979401887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2012/01/opiniao-diferenca-entre-o-saber-e.html' title='Opinião - Diferença entre o saber e a sabedoria'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-2054884141092510164</id><published>2012-01-20T09:29:00.001-08:00</published><updated>2012-01-20T09:29:48.150-08:00</updated><title type='text'>Crônica - Como construir a imagem na recepção</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu sou Lima mas não sou laranja! Assim ele se anunciava aos políticos. Sujeito boa pinta! Cabelos penteados com uma mecha na parte frontal, meio à esquerda, trazida pelo pente ao outro lado. Camisa esporte fino sempre por dentro das calças, mesmo no caso do jeans. Calçados meio termo. Nunca um tênis, mas o esporte requintado, de couro de verdade. Brilhantes por força da graxa e do engraxate. Meias Lupo, as outras marcas eram desprezadas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Lima, nunca mais do que isso. Sua graça, senhor? Lima, mas não sou laranja, senhorita. Lima, mas o seu nome, por favor? Lima basta, contanto que fique claro que não sou laranja.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;As conversas eram assim, com dose de humor no tom e na medida certa. Verdade que nem sempre essa comunicação era bem vinda. Às vezes Lima era interpretado como alguém que não fala sério. Havia quem imaginasse que ele escondia o jogo. E questionavam os lá do canto que esse fulano tem a ver com os políticos, pois só anda atrás deles, e sempre chega com a conversa fiada de ser o Lima que não é laranja.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Normalmente as mocinhas da recepção faziam de conta que o sujeito agradava. A função delas é essa, fazer com que as pessoas atendidas sintam que são agradáveis. Grande mentira! Tinha uma que odiava a ponto de após recepcioná-lo correr ao banheiro para lavar o rosto por culpa do beijinho que Lima deixava estalado no rosto branquinho e perfumado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E isso Lima nunca percebeu. Na saída, após a audiência com o político, Lima se despedia com outro beijo. Houve ocasião em que a mocinha da recepção havia acabado de retocar a maquiagem e reforçar o perfume após se lavar por asco do beijo da entrada. Que coisa!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Lima, na verdade, tinha pretensões e o seu recado era direto: Eu me chamo Lima mas não sou laranja! Era isso. Ele na verdade anunciava que estava liberado. Como cabo eleitoral de situacionistas e opositores ao mesmo tempo, ele oferecia seus serviços. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O emprego público não interessava por causa dos salários. Mas outras incumbências seriam bem vindas. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O duro era que os políticos, acostumados com esse tipo de vocabulário, faziam de conta que não entendiam. E assim Lima passou a ser conhecido entre as recepcionistas e os serviços gerais por outro apelido. Mal ele cruzava a rua lá adiante e alguém vinha avisar a moça da recepção: se prepara que o laranja azeda está chegando! E ela emendava: credo, de novo aquele mala de cabelo chupado!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pois é senhores contatos, representantes comerciais, promotores de laboratórios médicos e demais visitantes! Cuidado com o que usam, fazem e com o que falam com as mocinhas da recepção.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-2054884141092510164?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/2054884141092510164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=2054884141092510164&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2054884141092510164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2054884141092510164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2012/01/cronica-como-construir-imagem-na.html' title='Crônica - Como construir a imagem na recepção'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-7977585164236082591</id><published>2012-01-19T09:31:00.001-08:00</published><updated>2012-01-19T09:31:34.095-08:00</updated><title type='text'>Conto - A maldade escorre pelos cantos da boca</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Era um veneno! Na jornada de trabalho de oito horas, descontado o intervalo do almoço, ainda restava uma para os afazeres profissionais. Antes que alguém se coloque a fazer contas e criticar a matemática de até agora, o aviso: a mulher era assídua e pontual. Chegava às oito e meia, saia para o almoço às onze e meia, retornava uma da tarde e deixava a repartição às cinco. De segunda a sexta, exceto nos feriados.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Assim, tirando o intervalo estabelecido por lei e o das tarefas diárias, as outras seis horas a menina gastava &lt;st1:personname productid="em conversas. Aliás" w:st="on"&gt;em conversas. Aliás&lt;/st1:personname&gt;, que conversa. E nos perdoem as mocinhas bonitas. Menina, neste caso, é um qualificativo ao contrário atribuído não à presença física da pessoa, mas ao caráter.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Então, se permitem, ela será chamada de menina até o ponto final deste texto. Menina! Oras, fazer o que? A menina falava de todo mundo. Da vizinha que tinha um caso com o patrão, da colega de trabalho que enrolava o dia todo, do chefe que fazia de conta que trabalhava, do dono da padaria que bolinava a balconista e de todos os demais que, por um motivo ou outro, ela via como inimigos. Sim para fazer parte das conversas bastava a pessoa ser vista como inimiga.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A menina, de acordo com próprio conceito, era perfeita. Em tudo! No trabalho, no lar, na pilotagem do fogão, na arrumação da geladeira, no penteado e no retoque do baton. E de tão exata nas coisas se dava ao direito de ser crítica dos outros. Inclusive no intervalo do almoço, onde comia prato feito num restaurante próximo do trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Certa vez ela foi vista dividindo a mesa com duas colegas. Enquanto comia falava dos outros. E a baba, se não se via escorrer, descia veneno. Perceberam as companheiras constrangidas, pois elas haviam recorrido ao local para se alimentar de comida, e não de maldades. Mas a menina prosseguia, com uma história atrás da outra, vertendo veneno pelos cantos da boca.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foram quase trinta minutos no local. As duas saíram antes, cabisbaixas. Ela desceu depois para o trabalho, tropeçando nos degraus e bambeando. Diagnosticaram que a tontura foi resultado de deficiências graves na visão, na sensibilidade, no caráter e na personalidade. Nenhum médico quis receitar medicamento. Disseram que a solução para o caso seria a dignidade própria. E a menina continuou cambaleando e tropeçando nos degraus.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-7977585164236082591?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/7977585164236082591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=7977585164236082591&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7977585164236082591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7977585164236082591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2012/01/conto-maldade-escorre-pelos-cantos-da.html' title='Conto - A maldade escorre pelos cantos da boca'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-8513437331815947935</id><published>2012-01-18T11:01:00.000-08:00</published><updated>2012-01-18T11:01:31.489-08:00</updated><title type='text'>Conto - A vingança de Leopoldina foi com outros</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Diríamos que Leopoldina tinha um gênio forte atrás de uma cara bonita e um corpo esplêndido apesar dos quase quarenta anos. Depois que ela pôs o casamento com Teodoro em risco ao tentar um embalo com o farmacêutico Anacleto, que por fidelidade ao amigo afastou-se dela chamando-a de velha, soube-se que Leopoldina arriscou-se outras vezes com outras pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Lembrem-se: Anacleto, não fosse por Teodoro, claro que provaria do mel mesmo sob a ameaça de engolir o fel. Há coisas que compensam se a adversidade prevista fosse apenas a mudança de sabor. Mas havia uma amizade no meio daquilo tudo. Então Anacleto foi decidido e duro. Disse a Leopoldina que não gostava de mulheres velhas. Para ela aquilo foi o mesmo que chamá-la de feia, horrorosa, gorda e desleixada, o que a ela a triplicar as idas à academia de ginástica, entrar numa dieta alimentar exageradamente sem sentido, mudar o corte de cabelo, trocar de esteticista e procurar outra pessoa para as depilações.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os resultados mal apareceram e teve-se que concluir que, além de vingativa, Leopoldina tem uma forte tendência de querer transformar o marido no último a saber das coisas. Ou, quem sabe, não saber de nada. Teodoro até manifestou alegria a alguns colegas da repartição pela mulher mudar radicalmente de visual. Ele teria dito que Leopoldina fazia aquilo por amor a ele. Alguns acreditaram. Outros apenas consentiram por respeito. Mas houve aqueles que debocharam pelas costas na primeira oportunidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Naquela altura já se propagava que o motivo da transformação era Frutuoso, um bem sucedido professor de curso preparatório para concursos públicos. E Leopoldina virou aluna assídua. Sem faltas e sem desabonos. Aplicadíssima, ela até fazia aulas extras. Primeiro na lanchonete perto do cursinho. Depois, para fugir do barulho do trânsito e dos demais freqüentadores, no apartamento de Frutuoso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Cara de pau! Ela chegava em casa tarde da noite e dia a Teodoro que havia tido uma lições extras com o professor de administração pública e o extra havia valido muito. Ele, Teodoro, ficava eufórico com o esforço da mulher. E assim prosseguiu por meses de preparativos para um concurso na qual Leopoldina nunca se inscreveu. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aulas e mais aulas, com direito a esclarecimentos individuais, um dia fizeram que o oficial virasse reserva e o suplente ficasse titular. E Leopoldina sentiu o desejo de trair os dois. Fez isso recorrendo a Miguelito, dono do estacionamento perto do cursinho, para quem trocou as roupas mais esportivas por modelos clássicos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sobre essa mudança, Teodoro não se continha de contentamento e saiu dizendo que Leopoldina era uma surpresa a cada hora para manter a paixão dele por ela. Só Anacleto, lá do fundo da farmácia com a seringa de injeção na mão, se lamentava chamando a si próprio de tonto.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-8513437331815947935?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/8513437331815947935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=8513437331815947935&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8513437331815947935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8513437331815947935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2012/01/conto-vinganca-de-leopoldina-foi-com.html' title='Conto - A vingança de Leopoldina foi com outros'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-3957605952411507253</id><published>2012-01-17T11:10:00.001-08:00</published><updated>2012-01-17T11:10:45.978-08:00</updated><title type='text'>Conto - Não fosse o equívoco daria uma paixão</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi um equívoco. Assim Leopoldina classificou o amor repentino por Anacleto. Aconteceu, num resumo improvisado, mais ou menos assim: ele era farmacêutico dos antigos, de aplicar injeção mesmo sem ser especialista. Educado, dispensava atenção a todos que compravam no estabelecimento e, se fosse preciso, ajeitava a seringa e medicava quem quer que fosse: mulher, homem, criança, adolescente, jovem, idoso, gato da madame, cachorro do comerciante, passarinho do guri e cavalo do verdureiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi que certa vez Leopoldina saiu do médico com a receita de quatro injeções seguidas num intervalo de oito horas: braço esquerdo, nádega direita, braço direito, nádega esquerda. Anacleto foi liso. Nunca derrapou a mão. Mas aquele jeito educado e solícito e a sensação de ter as nádegas observadas mexeram com a mulher.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Fosse ela solteira... Mas Leopoldina era casada com Teodoro e ambos tinham três filhos. Aquela agitação foi um problema. Houve muitas tentações. Em alguns momentos, incontroláveis. Leopoldina passou a frequentar a farmácia quase todos os dias. Para comprar uma aspirina, trocar a pilha do farolete, consultar marca de colírio, trocar idéia sobre o melhor tipo de pano para lenço e decidir sobre o melhor modelo de calcinha. Tudo virou motivo para uma ida a farmácia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Anacleto percebeu, mas se manteve liso. Imagina se o Teodoro fica ciente? E eles eram grandes amigos. Até as insinuações de Leopoldina Anacleto fazia de conta não entender. Respondia atravessado, sem coisa com coisa. Às vezes se tornava ríspido. E quanto mais cruel o Anacleto, mais Leopoldina se apaixonava. E quanto mais apaixonada, mais loucuras fazia: escrevia bilhetinhos que eram deixados descuidadamente no balcão, telefonava de hora em hora, sorria para o farmacêutico um sorriso escancaradamente denunciador na frente de todo mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Certa vez Leopoldina pediu a ajuda de uma amiga para segurar uma faixa em frente ao estabelecimento de Anacleto com a frase: Eu te amo! Muito! A amiga rasgou a faixa com uma tesoura. E foi correndo avisar o Anacleto e pedir a ele dar um basta. Do tipo, diz para ela que você odeia mulher. Claro, Anacleto discordou. O que fez foi dizer a Leopoldina que não gostava de mulheres velhas, preferia as novinhas. E Leopoldina passou a odiar o farmacêutico.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O drama é que naquele tempo não havia botox. Leopoldina nem tão velha era. E Anacleto nem tão jovem era. Ele até que se satisfaria com aquela mulher madura, mas &lt;st1:personname productid="em forma. Por" w:st="on"&gt;em  forma. Por&lt;/st1:personname&gt; lealdade a Teodoro desceu o que pode e chamou Leopoldina, que considerava uma pessoa bonita, de feia. Foi assim que ela entendeu. E a vaidade transformou a paixão em equívoco.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-3957605952411507253?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/3957605952411507253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=3957605952411507253&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3957605952411507253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3957605952411507253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2012/01/conto-nao-fosse-o-equivoco-daria-uma.html' title='Conto - Não fosse o equívoco daria uma paixão'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-3653091623705138524</id><published>2012-01-16T08:38:00.000-08:00</published><updated>2012-01-16T08:38:24.189-08:00</updated><title type='text'>Conto - É como diz a poesia: inimigo e irmão</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Leonita ainda tem dúvidas. Não sabe se faz a mensagem chegar ao destinatário. Isso depois de muito refletir. Ela gastou semanas em hipóteses e possibilidades. O objetivo é encerrar uma situação constrangedora que está instalada mas não se faz flagrante. É camuflada e por ser assim seus efeitos são mais nocivos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;“Melhor se fossemos inimigas declaradas”, imagina Leonita. Porém, se fosse dada a análise para pessoas de fora, diriam, provavelmente, que aquelas duas são mais do que amigas. “Parecem irmãs”, arriscariam alguns.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A face oculta da maldade percebida por Leonita é Alzira, colega de longos anos no trabalho e, por certo, em determinado período do convívio profissional amiga, e muito. Da mesma forma que é percebida, essa maldade também é assumida. As hostilidades quando estão só são recíprocas. Não há uma tentativa de acerto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Alfinetadas! Provocações inteligentes e certeiras fazem parte das conversas, qualquer que seja o assunto. Ambas trabalham na mesma sala. Uma fica de frente a outra. O poder foi alternado por várias vezes entre ambas: Leonita já foi chefe de Alzira que também já comandou Leonita. Esta, porém, não parece ser a causa da intriga. Alzira está noiva do ex-namorado de Leonita. Será?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Motivo que seria convincente caso o amor de Leonita pelo ex fosse substancioso. Ao que se sabe, nada de estimulante aconteceu naquela relação. Era um vai e volta sem tempero, do tipo que se leva para evitar um rompimento que deixe mágoas. Talvez seja isso, o arrastamento sem nexo, que tenha criado traumas e conseqüências. O que diria o ex a Alzira sobre a ex? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Provavelmente o conflito venha em decorrência de uma culpa sem culpa. Leonita até apostaria, se dotada de fundamento, que o causador é o ex. Seria uma forma de se vingar, criando um clima de desacerto entre a ex e a atual. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Um poema de Hans Magnus Enzensberger, poeta alemão, pegou recentemente as duas juntas durante a execução de um CD de música em volume de som ambiente. Uma lixava as unhas e outra retocava as sobrancelhas quando a versão de Arnaldo Antunes e Aldo Fortes entrou no refrão: “Meu inimigo / debruçado sobre o balcão/ na cama em cima do armário / no chão por toda parte / agachado / olhos fixos em mim / meu irmão”.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pelas expressões ambas escutaram e até acharam interessante. Mas se entenderam fizeram de contra que não era com elas. E a mensagem foi enviada para a lixeira.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-3653091623705138524?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/3653091623705138524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=3653091623705138524&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3653091623705138524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3653091623705138524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2012/01/conto-e-como-diz-poesia-inimigo-e-irmao.html' title='Conto - É como diz a poesia: inimigo e irmão'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-5691029593113556028</id><published>2012-01-12T10:04:00.000-08:00</published><updated>2012-01-12T10:04:38.117-08:00</updated><title type='text'>Conto - Um amor assim, quase que platônico</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;"Tenho uma panela lá no último dente de cima do lado esquerdo. Mas estou providenciando uma tampa. O dentista agendou para abril e tentei antecipar para fevereiro, logo depois do carnaval. Ele disse que está com a agenda cheia. É uma clínica particular onde, a princípio, recomendaram tirar todos os dentes e fazer uma prótese. Fui pedir informação no atendimento público e disseram que não. Nada disso. Tem como consertar.&amp;nbsp;Basta uma massa de durepóxi e, se preciso, um super bonder por cima. Cola e ninguém mais arranca. Sabe, incomoda muito, viu? Não é só a dor de vez &lt;st1:personname productid="em quando. E" w:st="on"&gt;em quando. E&lt;/st1:personname&gt; isso se rebate com dorflex. É colocar na boca e passa. Incrível! Como alivia! O que machuca mesmo é o constrangimento. Quantas vezes ensaia as frases para dizer que te amo? Com elas decoradas, cheguei bem perto de você. No ponto de ônibus, na fila do caixa do mercado, na quitanda da esquina, na saída da missa e nos encontros casuais de calçada, entre um ir e vir. Nunca tive coragem de abrir a boca. Imagina, a panela está lá no fundo, no molar. E se você enxerga? Nem uma poesia copiada ia adiantar. A bochecha inchada já forma uma deformidade na cara. Pensei certa vez em encarar de frente, mas com a mão tapando a minha boca. O que você iria pensar de um cara que conversa com a boca escondida? Com certeza iria imaginar que eu tenho mau hálito. Não, esse problema eu não tenho. Eu me cuido pelo menos nisso. Cheiro nenhum sai da minha boca. Ou, no mínimo, você pensaria que eu sou tímido e nem para conversar tenho postura. Por isso decidi abrir o jogo. Primeiro confesso que você rodeia os meus pensamentos a cada instante. Acordo com você na cabeça. Almoço imaginando você ao meu lado. Janto triste por não ter a sua companhia. E me deito fracassado, com a sensação de ter perdido mais um dia. Pois é. Tudo por causa da panela no dente de cima. E seu eu rir para você é capaz de você enxergar ela sem tampa. E quando te vejo por ai? É um destempero. Eu me perco, entro em desespero porque quero conversar e não posso. Por último porque tenho certeza que serei um bom par para você. Só não sou agora por causa da panela do molar. Cabe a ponta do mindinho dentro dela. Agora que sou confesso? Tenho alguma chance? Ou devo rasgar esta carta? Nossa, demorei tanto para escrever. Sabe? Estou desistindo. Por enquanto estes rabiscos ficam na gaveta. Quem sabe eu me livro deste incomodo o quanto antes?"&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E assim praticamente terminou a história de um amor platônico. Ele colocou a carta bem no fundo da gaveta, embaixo de um monte de faturas vencidas. A três quadras ela acabara de entrar numa farmácia para comprar corega. Aliás, uma precaução para evitar que a dentadura caísse no momento adiante, quando teria encontro com um rapaz de dentição perfeita. Assim é a vida, oras!&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-5691029593113556028?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/5691029593113556028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=5691029593113556028&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5691029593113556028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5691029593113556028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2012/01/conto-um-amor-assim-quase-que-platonico.html' title='Conto - Um amor assim, quase que platônico'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-9025306162311053762</id><published>2012-01-11T11:02:00.000-08:00</published><updated>2012-01-11T11:02:05.378-08:00</updated><title type='text'>Conto - Nomes e comportamentos, tudo a não ver</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Alicanor! Onde é que inventaram este nome? Aos 69 anos de idade ele descartava a possibilidade do Alicanor ter sido inspirado numa pesquisa da internet. Quando nasceu, imagina o homem, nem banda fina existia. E telefone era na base da manivela.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não foi de propósito que quando estava com 25 anos de idade Alicanor casou com Rubertina. Foi coisa do amor! E desse amor nasceram Lindalva, Nativida e Antonácio, o caçula.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Lindalva casou com Oliveira e Silva. Tiveram duas filhas: Kauany e depois Priscila. Nativida ajuntou com Belomonte e ambos geraram um único filho, Maicon. Antonácio, por ser mais jovem, ficou com Regiane e ainda não tem herdeiros.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas planejam. E já relacionam nomes. Aproveitam a tendência e pensam em resgatar algo forte do passado: Rodrigo, João e até José, desde que combinado com outro que também lembre o tempo que já passou. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ninguém pensou em religião, mas Mateus é muito bem cotado. Da mesma forma João Pedro, que combinado dá um bom som. Se for mulher, Antonácio já criou caso quando Regiane ventilou Daiane. Para ele, parece nome de guerra de algum lugar mal recomendado. Por isso na lista nem Diana tem lugar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tia Fiorentina meteu bedelho e sugeriu uma adaptação, em homenagem: Florentina. A turma, claro, caiu de pau. Tio Ambrósio pensou &lt;st1:personname productid="em valorizar Maria. Mas" w:st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="em valorizar Maria." w:st="on"&gt;em valorizar Maria.&lt;/st1:personname&gt;  Mas&lt;/st1:personname&gt; com o que? Socorro, das Dores, da Compaixão? Nada disso: Maria Mariá, pois tem rico que usa o acento agudo muito bem definido e fica bom e charmoso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Esse casamento sem filhos estica quatro anos sem filhos. A lista de nomes está na quarta folha do caderno grande. Antonácio já perdeu estribeira e arranjou caso com Vanda, uma colega da faculdade. Regiane não sai das redes sociais e levanta suspeita de uma infidelidade virtual.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ontem anunciaram aos familiares a possibilidade de separação. Os parentes já estão comentando que a falta de definição de um nome para os filhos é a causa do desacerto. Vanda, novinha e de corpo escultural, que o diga. Regiane, pronta para um encontro com alguém que conheceu na internet, faz de conta que não é com ela. O nome do cara é Richardison. Grande troca!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E lá atrás, perdidos no tempo, Alicanor e Rubertina nem mais compreendem o que as pessoas falam durante o almoço de domingo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-9025306162311053762?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/9025306162311053762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=9025306162311053762&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/9025306162311053762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/9025306162311053762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2012/01/conto-nomes-e-comportamentos-tudo-nao.html' title='Conto - Nomes e comportamentos, tudo a não ver'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-7194812679146086187</id><published>2012-01-10T10:50:00.000-08:00</published><updated>2012-01-10T10:50:24.661-08:00</updated><title type='text'>Ela contenta ele e o resto da platéia se assanha</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aquele cidadão é sortudo no amor! Ou não? Corpo arquejado por causa da idade avançada, ele passeia ao lado de uma mulher que se já não é nova, veste-se pelo menos como uma mocinha: saias ou vestidos curtos com decotes generosos. O perfil da menina é acrescentado com os cabelos curtos e lisos sempre bem pretinhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ela chama a atenção. Por onde passa ou se instala os olhares masculinos conferem, às vezes com certa curiosidade, outras por algo mais. Sentada na mesa de um café na frente do companheiro, ela pouco se importa se a saia ou o vestido sobe. E há quando a subida é mais do que o necessário.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E daí? O rosto é de uma mulher madura. Mas ela sabe trabalhar os olhos para que o conjunto expresse sensualidade. Os lábios assanham. Até a franja, quando jogada intempestivamente para os lados, provocam. Mulher fatal e perigosa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ele, na frente dela, parece ignorar os movimentos da companheira e das pessoas que estão ao redor. Quem sabe? Talvez ele goste de aparecer em público acompanhada de uma mulher que o estimule tanto quanto mexe com os outros. E se isso acontece é bom para muitos: o casal e os demais apreciadores.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas há sempre alguém que sonde com maldade. Deviam desfrutar do ambiente, porém ultrapassam limites. Houve quem fizesse julgamento unilateral, sem conhecimento de causa, na maldade e com ironia. Do tipo, a mulher dá a maior bandeira e o tiozinho nem ai. E o complemento, mais venenoso logo em seguida, muito mortal. Bem assim: parece que ele gosta de ser corno...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Para que isso? Havia outras versões, algumas bem brandas e complacentes. Entre elas a que dizia que o tiozinho era provavelmente viúvo e se cansou da solidão. Então resolveu procurar uma parceira que lhe devolvesse uma mulher experiente mas em forma física e comportamental de adolescente no fogo da paixão. Ou, das paixões, pois o fogo é maior. E nesse caso valia a quentura do que ela proporcionava a ele, mesmo que para isso tivesse que recorrer a uma mostração pública que nela causasse incentivo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Isso é pecado? Dizem que sim e rebatem que não. Argumentam que a intenção é apenas o começo de um pecadinho. E se não passar desse começo não se consolida como um ato. Sem ato não há pecado. Mentira? Pode ser e pode não ser.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Coerente é saber se ela se completa e ele também. Se assim for que ambos sejam felizes e que ela traga, por muito tempo a frente, colírio aos olhos de outros e estimule desejos que só ela, em seu exclusivo arbítrio, poderá, se for o caso, dizer a alguém da platéia que deseja levar aos fatos. Enquanto no atual estágio, temos que o cidadão se satisfaz no amor e nas coisas físicas que a paixão provoca. E isso nos contenta. Cara de sorte!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-7194812679146086187?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/7194812679146086187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=7194812679146086187&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7194812679146086187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7194812679146086187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2012/01/ela-contenta-ele-e-o-resto-da-plateia.html' title='Ela contenta ele e o resto da platéia se assanha'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-4755735875059108235</id><published>2012-01-09T10:29:00.001-08:00</published><updated>2012-01-09T10:29:57.426-08:00</updated><title type='text'>Conto - A lua cheia sabe dos meus temores</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Veja que é lua cheia e eu não tenho medo de lobisomens. Ela ocupa um pedacinho do céu, bem na parte ao lado da quina do prédio em frente, quase nos últimos minutos da primeira madrugada em que se pôs. Eu a vi! Gigante e soberana! E percebi que lá de longe ela me observa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não me senti invadido logo ao despertar, com os cabelos desarrumados, olheiras denunciadoras de um sono abalado, boca seca e cheiro de edredon pedindo lavagem. Juro! Encarei-a como um amigo íntimo. Afinal de contas, quantas vezes ela me flagrou em delito? O cigarro escondido, os passos trôpegos da bebedeira, os beijos roubados, o sexo descuidado e outros exageros. Inclusive os cachorros quentes devorados em tantas madrugadas em carrinhos de duvidável higiene após noites de embalos e folias.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É isso. Não tenho medo de lobisomens. Mas tenho receio dos meus fantasmas. Porque não os vejo, mas sei que me perseguem. São fantasmas de uma dimensão que é só minha. Estão na minha alma. São coisas que eu fiz pela metade e fechei o balanço sem um desfecho. Ou que eu não fiz. E sei fiz, desfechei errado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mulheres que fiz chorar, oportunidades que deixei passar, intolerâncias, incompreensões, azedumes desnecessários, são estes os meus fantasmas. Talvez mais do que isso, a memória age, às vezes, de acordo com a conveniência.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Haveria por parte da lua cheia uma cobrança dessas coisas pendentes? Confesso que já tentei me aliar a ela. Em cada ato desses que eu pus estragos por fazer sofrer a mim mesmo ou a outros sempre estive consciência que de algum lugar ela era testemunha de um erro. Mesmo na lua nova. Que fosse minguante ou crescente. Mas era ela, a lua cheia, indo ou vindo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ela não me impõe castigos e nem me diz que devo refazer algo que fiz errado. Não me pede para completar o que ficou pela metade. Não exige que eu faça aquilo que eu devia ter feito. E é justamente pelo silêncio que a presença dela me tortura. Eu tenho medo dos meus fantasmas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-4755735875059108235?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/4755735875059108235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=4755735875059108235&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4755735875059108235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4755735875059108235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2012/01/conto-lua-cheia-sabe-dos-meus-temores.html' title='Conto - A lua cheia sabe dos meus temores'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-3035468175026209672</id><published>2012-01-06T10:58:00.000-08:00</published><updated>2012-01-06T10:58:16.162-08:00</updated><title type='text'>Resgate - Um capítulo de Maracujá doce</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;(resgato texto já publicado de livro que nunca foi editado)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A semana iniciada com uma chuva fina, quase garoa, aumenta a sensação de aperto no coração. Os pingos miúdos descem ininterruptos e enganam. O olhar diz que eles são insuficientes para molhar a roupa e encharcar os cabelos. Mas a alma pede uma lavagem que o banho quente ao acordar não supre. Muito além da vontade de refrescar o corpo na manhã de verão, vale a necessidade de expurgar o que causa uma dor difícil de suportar. É de um conteúdo estranho, como se dois extremos escolhessem o mesmo momento para se manifestarem. Um deles, engrossado por contradições, quer explodir. O outro, vazio, pede o silêncio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Riuzim encosta a testa no vidro da janela da casa e observa, distante, a cena de um dia sem sol. A pressão dos pneus dos carros sobre o asfalto molhado produz um barulho melancólico. Uma mulher atravessa a rua, protegida com uma sombrinha de cores vivas, e avança com passos ligeiros para um destino que Riuzim se pergunta qual seria. Indagação vã e sem pretensão, pois surge num vácuo do sentimento que naquele momento atordoa e abobalha a figura que, na contraluz, permanece imóvel diante da claridade permitida pelo vidro transparente. O que pensaria a mulher sobre a vida? Estaria ela a procura de alguma resposta para questões em aberto acumuladas durante os trajetos que percorreu, passo a passo, sob a garoa de uma manhã de janeiro? Assim ela se vai e vence o espaço entre um ponto a outro. Não olha para trás e não deixa rastros, distanciando-se cada vez mais como se o seu ímpeto fosse o de sumir, sair da vista de quem fica e a observa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No vão do pensamento, Riuzim apenas torce para que ela chegue aonde quer que seja. Ele usa estes estilhaços de cena para compor uma espécie de canal, longo mas percorrível desde que transposto por passadas da imaginação, por onde possa escapar do instante que o imobiliza na frente da janela. Logo será a vez dele ir, sem caminho traçado e nem rumo definido. Ainda escorado no vidro, Riuzim percebe o reflexo da estante, onde um porta-retrato velho escora-se na cerâmica de um vaso com flores de plástico. Na foto, quatro crianças tímidas encaram a parede da frente da sala com olhares de espanto. Ele e seus irmãos, anos atrás, quando ainda tinham o quintal com o pé de limão rosa, a manga coquinho, os varais sobre o gramado e o maracujá doce, posam justo para um momento de angústia que é aquele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No passado, as fugas tinham os extremos do quintal como aliados. Ia-se da cozinha para o tronco do abacateiro sem o receio de não ter para onde voltar. À noite, as estrelas pareciam próximas e a lua, quando surgia, iluminava mais que a lâmpada incandescente da cor do tomate sobre a mesa usada para o jantar. Nem que o medo das janelas abertas ao vento com a pressão contínua das taramelas ainda alimentassem os pesadelos. Nem que as frestas do assoalho de tábuas e das paredes de mata-juntas quebradas preocupassem por causa das invasões das baratas e das aranhas. Ainda assim a velha casa de paredes sem pintura oferecia mais segurança que o edifício de concreto onde a janela que dava para a rua mostrava a chuva numa manhã de tristeza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Por isso Riuzim teria que ir o quanto mais rápido. Somente fugir do espaço onde se encontrava e de si mesmo, sem pensar se retornaria. Depois mediria a temperatura do coração para decidir se valeria a pena buscar um ponto de partida. Então se entregaria ao exercício de localizar onde tudo começou. Caso contrário iria adiante, sempre, para onde a alma não gemesse tanto e os extremos desistissem do conflito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-3035468175026209672?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/3035468175026209672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=3035468175026209672&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3035468175026209672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3035468175026209672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2012/01/resgate-um-capitulo-de-maracuja-doce.html' title='Resgate - Um capítulo de Maracujá doce'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-4584717079958687144</id><published>2012-01-05T09:45:00.000-08:00</published><updated>2012-01-05T09:45:11.756-08:00</updated><title type='text'>Conto - Espumante, panetones e reflexões</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Panetones! Claudete presenteou alguns parentes e amigos com nove deles. Recebeu de volta oito. Não fosse por este um que faltou, poderia se dizer que a troca de presentes de Natal foi, para ela, uma permuta de panetones.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nem as marcas variaram muito. As de sache fabricadas por supermercados vieram em maior quantidade. Depois as de caixinhas, umas de fabricantes tradicionais, outras com logomarcas ainda desconhecidas. De latinha Claudete recebeu um.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ainda estouravam fogos de artifícios quando as reflexões começaram: “Eu comprei três de latinhas, cinco de caixas e um de sache. Perdi um que não me devolveram. E vamos supor que das latinhas um me devolveu com a mesma moeda. Quem seriam os dois que substimaram a minha lembrança?”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Abraços, beijinhos nas bochechas e votos de um Feliz Natal entre croquetes, fatias de assados, uvas de diferentes qualidades e espumante conseguiam acalmar Claudete. Mas a curiosidade apertava nos momentos de solidão: “Quem não devolveu o meu panetone? Será que alguém me devolveu a mais? Comprei de caixinha e me devolveu de latinha?”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aqui se abrem dois parênteses. O primeiro é sobre a solidão. Claudete estava numa festa de família. Embora rodeada de pessoas – e diga-se que nestas festas todas acabam virando entes queridos – Claudete mergulhava com facilidade num vazio. Sozinha e desamparada, punha-se frágil aos pensamentos nada positivos. Coisas tristes e interrogativas borbulhavam na cabeça e afetavam a alma.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O segundo misturava duas sensações que são a mesma, mas antagônicas nos sentidos: o medo dela ter sido injusta com alguém e a impressão de uma pessoa do grupo presenteado ter sido injusta com ela. “Será que deixei de comprar panetone para alguém? E esta pessoa que não me retribuiu? Será que fiz algum mal a ela?” &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mais uma fatia de assados. Um dedinho de espumante não faz mal. Uvas liberadas. E panetones na mesa. Entre uma mordida e outra mais pensamentos. E antes do líquido passar pela garganta, suave, o vazio silencioso. Nem as vozes dos embriagados se ouviam embora nesses o tom e o volume fossem enfatizados. “Bêbado não fala! Bêbado grita!”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Claudete imaginou ter pensado sobre isso. Mas havia dito. E alto e com voz firme. Foi um dito desaforado, raivoso, de reprovação aos parentes e amigos embriagados que compensavam o excesso de álcool com palavras e danças ridículas. E falou em frente de um tio, bêbado, que vestiu a carapuça. Imediatamente ele largou o copo de cerveja em cima de uma cadeira, catou o panetone de lata que havia trazido para retribuir o panetone de sache que havia recebido e se foi, sem se despedir de ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E a vizinha, uma das poucas que percebeu a cena no meio daquela agitação, chegou de mansinho, com um pacote de presente na mão: “Querida, muito obrigada pelo panetone. Eu trouxe para você uma lembrancinha, mas é de coração. Acho que você vai gostar”.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Claudete abriu o pacote e se surpreendeu com a blusinha lilás que ela havia dias antes cobiçado e comentado com a vizinha. E então se pôs a pensar: “Caramba! Como fui injusta com a minha vizinha! Dei um panetone de cinco reais e ela me devolve com uma blusa de trinta!”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-4584717079958687144?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/4584717079958687144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=4584717079958687144&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4584717079958687144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4584717079958687144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2012/01/conto-espumante-panetones-e-reflexoes.html' title='Conto - Espumante, panetones e reflexões'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-2939265705277816341</id><published>2012-01-03T09:44:00.000-08:00</published><updated>2012-01-03T09:44:23.806-08:00</updated><title type='text'>Crônica - O meu porteiro soltou três bombinhas</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Digamos que eles tenham razão: quanto mais fogos de artifício forem queimados na virada do ano mais coisas boas acontecerão nos 12 meses pela frente. Eu, particularmente, nem em estalo de salão coloquei dinheiro. Primeiro porque o barulho é pouco. E, depois, pelo fato dessa bombinha nem medo causar na hora de colocá-la em funcionamento.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sei disso e muito bem. Na última festa junina acendi um traque lá de cima do sexta andar e mandei no meio da rua. Na hora passou um cara com um Fiat Uno. Com aquele ronco esganiçado, parecido com o motor de uma lambreta. Só vi a faísca do meu traque. Nem sinal do barulho.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não fosse as testemunhas eu fecharia a janela e colocaria um ponto final. Mas aquele chato do vizinho foi sarcástico: “Jogou um palito de fósforo aceso lá embaixo?” E a mulher dele, gorda das bochechas brilhando, completou: “O vizinho devia ter comprado umas bombinhas...”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pois é. Quando Londrina inteira resolveu queimar fogos aos primeiros minutos do 1º de janeiro, quanto barulho e que brilho! Voltei à janela do sexto andar e vi o porteiro do meu condomínio correndo para a rua. Será o que aconteceu com o sujeito? É daqueles que tem medo de bombinhas?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Que nada. O porteiro saiu para participar da festa. Acendeu uma bombinha e o estouro foi até interessante. Deu um tempo e acendeu outra: fenomenal. E depois de alguns segundos o danado acendeu e atirou para longe a terceira bomba: legal. Foram três bombinhas apenas, mas tenho certeza que ele as estourou satisfeito. Fez a parte dele, deixou de ser um personagem passivo feito eu, só olhando lá de cima. Aliás, o porteiro foi a única pessoa do condomínio de 28 famílias a saudar a passagem de ano com bombas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os estouros e a barulheira duraram quase meia hora. Foi quando o pessoal do condomínio luxuoso de duas ruas abaixo cumpriu a sua tradição: detonou uma bateria completa de fogos com luzes coloridas, estrondos, fumaça e muito tempo de duração. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Isso aconteceu do lado oposto da minha janela onde não vejo nada. Só escutei e percebi os reflexos dos fogos explodindo. Por isso as três bombinhas do meu porteiro foram muito mais interessantes.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-2939265705277816341?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/2939265705277816341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=2939265705277816341&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2939265705277816341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2939265705277816341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2012/01/cronica-o-meu-porteiro-soltou-tres.html' title='Crônica - O meu porteiro soltou três bombinhas'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-5300789254213655256</id><published>2011-12-29T09:43:00.001-08:00</published><updated>2011-12-29T09:43:35.138-08:00</updated><title type='text'>Crônica - Conversa franca na frente do espelho</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;A pergunta veio na lata, sem dó e nem piedade:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Então, o que você fez de bom em 2011? Faz um balanço mas sem muito critério.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Hummmm... tantas coisas. Bom em que sentido?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Sei lá. São tantas e não consegue dizer? O que há? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Não é isso. Bom para mim ou para outras pessoas?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Ah, não enrola. Começa com o que fez de bom para si próprio.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Troquei de carro e aceitei a pendência com o financiamento habitacional. Deixei tudo redondo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- E fora o material? Aquelas outras pendências complicadas, como é que ficaram?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Vixe! Nem me fale. Ficaram mais complicadas ainda. Ali deixo tudo &lt;st1:personname productid="em aberto. Nem" w:st="on"&gt;em aberto. Nem&lt;/st1:personname&gt; aceno de solução aprontei.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- É! Então de alma está devendo e muito. Nenhuma chance de acerto nestas horas finais de 2011?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Que nada. Evito até pensar. No começo de 2012 dou um jeito.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- E vejo que não cumpriu a promessa de parar de fumar este ano...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Mas tentei. Na imagina quanto. Até troquei a marca do cigarro para ajudar. Passei a comprar um mais barato e forte. Assim vou diminuindo aos poucos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Igualzinho o que eu fiz. Mas não resolve. Acostuma com o mais forte e ruim e fica nisso. Não adianta. Nisso estamos empatados.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Verdade. Se tivéssemos feito aquela aposta ninguém devia para ninguém. Ou ambos estaríamos devendo um para o outro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- É! Uma dívida pesada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- No começo do ano a gente tenta juntos. Um incentivando o outro é mais fácil. Mas é sério mesmo. Controlar cigarro quando juntos e fumar escondido é sacanagem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Mais que isso. É traição, né? Igual infidelidade conjugal. E sabe que é fácil viciar na mentira, né? Mole, mole. Mente um pouco hoje, mais um tanto amanhã e vai de acostumando...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Então definimos agora: dia 2 de janeiro. Que tal?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Mais para frente. Na segunda semana de janeiro é melhor porque a ressaca da virada do ano já foi embora.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Mas logo chega o carnaval. E daí? Como é que fica? Carnaval é período brabo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Eu não ligo muito. É a mesma coisa. Para mim ta valendo janeiro e pronto. Se tem que parar de fumar, que seja depois das festas da virada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- A gente conversa na época e define.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Ah, também voltei à igreja em 2011. Mas consciente, sem carolice. Maduro. Vou porque quero, sem pressão de mulher, vizinho ou o que valha. Vou e não entro nas conversas do padre e dos carolas. Vou por mim e tenho o meu diálogo silencioso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Isso é bom. Grande feito. Principalmente se não é por obrigação. Eu ainda estou refletindo. Mas estou pendendo de voltar. Também por conta e sem aparas. Quero ir comigo mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Claro, vale a pena. Eu, por exemplo, me concentro nas minhas reflexões quando começam a falar bobagens. E me esforço tanto que consigo definir muito bem em que eu tenho fé. E confesso: a igreja ainda me traz muitas dúvidas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Que coisa, não? Parece uma amarração. Os caras impõem até o modelo de fé que você tem que ter.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Nem falo. Tenho sentido isso, mesmo com vontade de ser neutro. Mas agora continuo e vou crescendo comigo mesmo. Decidi assim.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- E mais, o que você fez? No estudo, no trabalho, na comunidade?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- No trabalho tentei grandes projetos. No fim acabei concluindo que o melhor é fazer o que deve ser feito. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Igual. Engavetei um monte de coisas para evitar problemas. Toquei em frente naquilo que é obrigação.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- E nisso não tenho do que me envergonhar, cara. Trabalhei muito. Mas no trivial. Agora, nos estudo, estanquei. Pretendia, mas analisei que já estou velho para teorias. Nem especialização e nem mestrado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- E aquele sonho de aulas? Detonou?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Deixei passar. E na comunidade tentei. Mas me intimidei quando vi que em certos lugares, se não tiver interesse político, o sistema te engole. Então me limitei ao condomínio. Lá fiz algumas coisinhas. Sabe que pela primeira vez desde que o prédio foi entregue, há quase 20 anos, conseguimos fazer uma confraternização de fim de ano?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Isso é grande, cara! Grande mesmo! Eu nunca conversei com o meu vizinho da frente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Então. Enfim, não fiz quase nada. Tentei muito mas fui serviçal. As coisas mais de idéias não aconteceram.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- É! Então somos a mesma pessoa. Percebo ai certa frustração. Então saia da frente do espelho. Não foi tão ruim assim. Mas sendo o seu reflexo nada posso fazer para melhorar. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Certo. Nos veremos. Tenho ainda muitos dentes para escovar, barbas para aparar, cabelos para pentear até a virada do ano. E, na verdade, só tenho você ai do outro lado do espelho para conversar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-5300789254213655256?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/5300789254213655256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=5300789254213655256&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5300789254213655256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5300789254213655256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/12/cronica-conversa-franca-na-frente-do.html' title='Crônica - Conversa franca na frente do espelho'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-4873016624246074277</id><published>2011-12-27T10:52:00.001-08:00</published><updated>2011-12-27T10:52:15.552-08:00</updated><title type='text'>Conto - Por trás das dores que só ela sente</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Corações apertados arrancam lágrimas, disso ela sabia. Ela, que muitos diziam ser uma pessoa durona: “Fulana não tem um pingo de sentimento. Nunca se emociona”.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Equívoco. Ninguém, diante de uma pessoa que se mantinha impassiva quando cercada por outras, imaginaria que ali se postava alguém muito frágil. Por culpa de acontecimentos, tantos, que deixaram feridas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Houve um tempo em que ela tentou suavizar as dores recorrendo a familiares, parentes e amigos. As lágrimas eram muitas e ela própria percebeu que incomodava os outros. Tinha a impressão de ser ouvida com desdém: “Lá vem ela de novo com a choradeira...”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi então se fechar. Criou em torno de si um muro transparente. Evitou aproximações dos mais chegados. Assumiu sozinha as torturas da dor. Trancou-se com uma corrente grossa e pesada fechada com um cadeado que nem ela sabia onde havia jogado a chave.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ela também emudeceu. Suas conversas ficaram restritas aos assuntos profissionais. Fora do ambiente de trabalho nenhuma conversa. O rosto se punha sempre com uma expressão de quem vê apenas a si própria. Nunca um sorriso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mal sabiam os que a haviam praticamente todos os dias que nas madrugadas, sob a luz fraca de um abajur, aquela mulher estava viva. E como qualquer ser que tem o sangue pulsando nas veias, também sentia. E ela chorava por feridas que não conseguia cicatrizar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi uns dias antes do Natal que ela encontrou ele. Justo ele, que havia sido a causa. Ele veio de longe. Viajou quilômetros e chegou humilde, nunca como antes. Não disse nada. Apenas apertou-a num abraço forte e demorado. E ela chorou diante de pessoas que nunca haviam percebido algum sentimento nela.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E então ousaram dizer: “Viram? Por homem ela chora! Só assim ela fica fraquinha...”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-4873016624246074277?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/4873016624246074277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=4873016624246074277&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4873016624246074277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4873016624246074277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/12/conto-por-tras-das-dores-que-so-ela.html' title='Conto - Por trás das dores que só ela sente'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-2443397456056616881</id><published>2011-12-26T16:31:00.000-08:00</published><updated>2011-12-26T16:32:28.025-08:00</updated><title type='text'>Crônica - Sem peru o porco é desprezado</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Anita dispensou o peru e o procedimento natalino nada teve a ver com economia doméstica. Foi uma decisão familiar após alguns debates por dias seguidos às vésperas do grande dia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Euzébio, o marido, até que dispensava objeção. Conformista, durante a quentura das discussões saia-se sempre com a resposta mais conveniente do momento, de forma a evitar constrangimento com qualquer das partes envolvidas: “Ah, faz qualquer coisa. Tudo é bom, desde que tenha também um assado de porco”.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Caio, o filho mais velho, radicalizou: “Aquela coisona depenada, com um apito não sei onde, tem gosto de isopor. Não acho graça nem trocando o recheio gosmento por bacon e azeitona. Pode descartar. Se é pra ter carne branca prefiro frango”.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Então Kauany, a do meio, emendava: “Frango só se for um assado de coxa e sobrecoxa. Porque frango assado inteiro é um peruzinho com o mesmo recheio gosmento e também tem gosto de plástico. Nem frango e nem peru. Se for isso eu frito ovo para mim”.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E o mais novo, Júnior, ainda na adolescência titubeava. Na verdade usava de cautela e analisava a posição de cada um: a mãe, por tradição, preferia peru; o pai não estava nem ai; o irmão mais velho não queria isopor na mesa; a irmã recusava plástico e preferia ovo. E ele? Grande dilema.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É sabido que Júnior, se pudesse escolher, faria uma lista com três preferências em ordem de prioridade: cheese baicon e egg em primeiro, cheese baicon &amp;nbsp;em segundo e cheese egg em terceiro. Para acompanhar, muita coca cola. Ciente de que seria não somente derrotado, mas principalmente condenado diante daquele público enfurecido durante o debate do almoço de Natal, Júnior tentava ganhar tempo: “E se a mãe retemperar o peru?”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Claro, tiros de canhão. A sugestão era rechaçada e nem merecia defesa. “E se fizer frango a passarinho?” Que nada, todos achavam que este tipo de prato era muito vulgar para um almoço de Natal. De repente, num vacilo, Júnior disse por dizer: “E se assar um porcão inteiro com uma maça na boca?”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pronto! A sugestão estava dada. E o suíno ocupou a parte central da mesa forrada com uma toalha cor de laranja. Numa das pontas o rabinho enrolado lembrava alguma coisa que não era comida. Na outra, a cabeça do coitado, estorricada, afastava a fome. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Comeram arroz, maionese, salada de pepino e tomate, jiló com massa de tomate, panetone, pão com manteiga, biscoito água e sal. Sobrou um porco quase inteiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E Anita se lamentava: “Se fosse peru todo mundo tinha ao menos dado uma mordidinha...”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-2443397456056616881?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/2443397456056616881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=2443397456056616881&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2443397456056616881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2443397456056616881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/12/cronica-sem-peru-na-mesa-o-porco-e.html' title='Crônica - Sem peru o porco é desprezado'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-6463168974912854570</id><published>2011-12-21T09:39:00.000-08:00</published><updated>2011-12-21T09:40:04.025-08:00</updated><title type='text'>Conto - O assado esfria e o vinho esquenta</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Uma taça de vinho sem marca de baton sustenta-se no parapeito da janela de um apartamento do penúltimo andar. O prédio é alto e lá de baixo confunde quem tenta contar quantos pavimentos sobem até onde a mulher espia o que acontece lá fora entre um gole e outro da bebida.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Há pessoas na rua. De cima elas são pequenas. E o trânsito nem em dia de festa é menor. Carros, motocicletas, roncos e buzinas atrapalham a audição. Difícil saber que música o cantor contratado pelo restaurante interpreta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quem dançaria no meio da multidão altas horas da noite, entre estouros de rojões e sirenes das viaturas dos bombeiros abrindo a rua para mais um socorro? É uma adolescente, aparenta menos de dezoito. Selena não seria capaz, a não ser que estivesse embriagada e muito.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E foi tão pouco vinho naquele copo. Selena está sóbria. Aliás, muito mais do que isso. Selena está viúva há três anos e prefere ficar sozinha no apartamento. Ela preparou uma ceia. Esperava receber a visita do filho e da nora para compartilhar com eles um assado acompanhado de boa salada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Coisa simples. A sobremesa com um preparado de sorvete se encarregaria de manter o clima enquanto lembranças boas seriam enumeradas. Só lembranças boas, nada de assuntos pendentes. A intenção era de levantar ânimos. O de Selena carecia muito de uma alavanca para subir. O filho e a nora, apesar de uma relação fria com a viúva, eram os parentes mais próximos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Para ambos Selena gastou horas escolhendo presentes. Há tempos ela não fazia isso. Ia às lojas para as compras necessárias e se incomodava nos provadores. Tratava de se medir com os olhos e comprar roupas que supunha caber. Por isso Selena usava blusas e calças acima do seu manequim.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não fosse isso, Selena seria quase uma moça. Rosto delicada e sem maquiagem, magra, estatura média e cabelos, estes sim, sempre alinhados, davam a ela uma beleza natural invejável. Na repartição, Selena destacava-se entre colegas mais jovens e produzidas. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O que faltava nela era brilho. Quarenta e oito anos de idade vividos como alguém que está beirando os noventa. A causa foi a viuvez precoce num casamento de um único filho. E o filho escolheu o seu destino.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas era Natal, quem sabe ele viria. A ceia está pronta, as pessoas festejam lá fora, o vinho desce muito devagar. E nada que faça Selena se embriagar de alegria.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-6463168974912854570?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/6463168974912854570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=6463168974912854570&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6463168974912854570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6463168974912854570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/12/conto-o-assado-da-ceia-esfria-e-o-vinho.html' title='Conto - O assado esfria e o vinho esquenta'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-7858805869726839829</id><published>2011-12-20T09:42:00.001-08:00</published><updated>2011-12-20T09:42:41.481-08:00</updated><title type='text'>Crônica - Se beijo fosse presente eu estava feito</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Se eu te der apenas um beijo você vai entender que foi uma manifestação de amor. Não há presente num ato que reflete um sentimento. Há a contrapartida para a necessidade de demonstrar o amor. E o beijo cumpre o papel de consolidar o que não se apalpa e nem se vê. O beijo é um toque especial demais e se bem dado é muito melhor recebido. Faz o calor aumentar, provoca arrepios e estimula outras coisas que pedem mais beijos, mais toques, mais tempo para beijar e querer devorar pela boca.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Então por que o beijo não é um presente de Natal? Os sábios responderão da maneira mais simples que é por não ter um valor material. Beijo não se compra com um cartão de crédito em 12 parcelas sem juros. Com certeza, pois estamos falando do beijo, e não da beijoqueira retribuída com má vontade em troca de alguma importância. O presente é mais físico do que a cadeira de metal ou madeira. Presente tem que ser pego, pisado, vestido, calçado, montado, colocado no pulso ou pendurado no pescoço.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quanto melhor a renda, mais caro é o presente. Quem não gostaria de ganhar um carro? E vem o pai com o contrato de um curso assinado e diz à filha: este é o seu presente de Natal, um ano de faculdade pago. Apostem, não vai agradar quem esperava um notebook de última geração. E se fosse esse o presente, com certeza a presenteada devolveria com um abraço e um beijo. Mas a faculdade quitada por 12 meses vai, no máximo, desencadear um muito obrigado sem graça.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Então? O beijo eu tenho para você. Ainda não comprei o presente. Fiz e refiz as contas, estou rigoroso na administração da sobra do décimo terceiro. Tire o olho daquele tablet. Nem pensar. Mais um anel? Vai usar em que dedo? Brinco só se for da promoção. Quer um par de meias? Tem um pacote de meia dúzia de calcinha por nove e noventa. Cores variadas. Modelo discreto. Ou pode ser uma blusinha de verão?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pela sua reação eu vejo que nem físico e nem sentimental. Guardo o dinheiro e recolho a vontade de beijar. Nesta boquinha ai eu não tenho retorno. Vou indo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-7858805869726839829?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/7858805869726839829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=7858805869726839829&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7858805869726839829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7858805869726839829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/12/cronica-se-beijo-fosse-presente-eu.html' title='Crônica - Se beijo fosse presente eu estava feito'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-7410192804340530232</id><published>2011-12-19T10:30:00.000-08:00</published><updated>2011-12-19T10:30:19.865-08:00</updated><title type='text'>Opinião - Um lance de otimismo pouco exagerado</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;A luz do fim do túnel é opaca. Clareia, mas não o suficiente. Por outro lado mantém-se acesa, qualquer que seja o vento que bata na chama. É provável que se fosse flamejante sofreria o impacto e mais que perder a força, sucumbiria.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É permanente por ser sóbria, assim diríamos. É sóbria porque desvia da euforia e segue o percurso do palpável, no chão firme e seguro, e leva até onde se é possível chegar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Conversei recentemente com o economista sênior do Banco Mundial, Álvaro Manoel. Há 11 anos ele está em Washington, onde por nove integrou equipe do Fundo Monetário Internacional (FMI) e há dois faz parte do Departamento de Política Econômica e Dívida Pública do Banco Mundial. Álvaro é de Cambé e foi professor de Economia da Universidade Estadual de Londrina.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Entre conversa de bastidor e o estúdio de gravação de uma emissora, para entrevistá-lo, trocamos idéias sobre a crise mundial que é por enquanto mais sentida lá fora, mas cujos efeitos enfrentamos no dia-a-dia, mesmo achando que estamos fora da linha de risco.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nesse contato aproveitei a característica do entrevistado: Álvaro Manoel, que a serviço do FMI no passado e agora do Banco Mundial viaja por todo planeta, é um especialista, mas fala a língua de um cidadão que não precisa ser economista para compreender questões relacionadas à economia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Por isso a conversa flui e aperfeiçoa-se espontaneamente, sem haver necessidade de forçar a barra. Claro, Álvaro Manoel é otimista, mas mantém a preocupação preventiva em relação aos tormentos que as dificuldades econômicas podem provocar num país.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas sem exageros. A preocupação preventiva é, em primeira escala, uma necessidade. Desse etapa parte-se para um plano de enfrentamento que é papel do governo. Da mesma forma, no nível das pessoas comuns, deve haver uma recomendação de cuidados, pois não temos como prever se os efeitos da crise mundial virão como um vento mais forte ou como um tufão.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No momento sentimos: a alta quase diária nos produtos básicos de supermercado, por exemplo, não são explicados nem pelos economistas brasileiros e muito menos pelas autoridades. O que temos são números oficiais que apresentam pequenas alterações. Os índices, aliás, parecem ser de outra realidade que não é a nossa. E não percebemos no governo qualquer plano de enfrentamento de situações adversas. O barco vai e a sensação que temos é de irmos à deriva.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vi semana passada a posição da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo sobre a crise mundial. A entidade fala em risco de demissão. Isso é preocupante. Infelizmente estamos nas vésperas do Natal. E o consolo que nos resta é de afirmar, com convicção, que a luz se mantém acesa e teremos que ter força para, em primeiro momento, mantê-la no iluminando, e depois para tornar a sua claridade suficiente aos nossos projetos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-7410192804340530232?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/7410192804340530232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=7410192804340530232&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7410192804340530232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7410192804340530232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/12/opiniao-um-lance-de-otimismo-pouco.html' title='Opinião - Um lance de otimismo pouco exagerado'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-9129213184571685486</id><published>2011-12-16T09:47:00.000-08:00</published><updated>2011-12-16T09:47:17.190-08:00</updated><title type='text'>Crônica - A janela cai e eu ainda sonho com ela</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Retorno mais uma vez à Vila Nova, o bairro onde cresci &lt;st1:personname productid="em Londrina. Cheguei" w:st="on"&gt;em Londrina. Cheguei&lt;/st1:personname&gt; agora à Rua Juruá. Minha casa é de madeira e nunca recebeu uma pintura. Manchadas pelas chuvas as tábuas são escuras, com tonalidades diferentes entre uma e outra mata junta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Minha casa não tem varanda e eu tenho inveja dos vizinhos que têm varandas na frente e atrás. As janelas da minha casa são de tábuas e eu fico imaginando como seria bom olhar de dentro para fora pelas vidraças das casas que cercam àquela onde eu moro. São janelas sem trincos. As de casa são mantidas fechadas com taramelas de madeira.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Minha casa não tem forro e eu enxergo os telhados quando deito, à noite. Em madrugadas claras, quando as luzes são apagadas, eu conto os pontos onde a luminosidade invade minha casa através de furos e quebrados das telhas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Chega-se à porta da sala da minha casa subindo uma escada de cinco degraus. Antes era de madeira, mas o tempo fez os pregos enferrujarem e um dia, por insistência de mamãe, o dono do imóvel mandou construir uma de cimento.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O piso da minha casa não é encerado. Tábuas iguais as das paredes forram o chão. Há frestas em vários pontos e eu me preocupo: e se um ladrão entra embaixo da minha casa e me espia pelas frestas?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A porta da cozinha dá para um quintal enorme. Ela só é fechada por dentro por uma taramela no meio e um trinco comum &lt;st1:personname productid="em cima. Uma" w:st="on"&gt;em cima. Uma&lt;/st1:personname&gt; tábua foi corroída pelo tempo e eu tenho muito medo: um rato pode entrar à noite.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Minha casa está levantada do chão por tocos de árvores. São toras antigas que apodrecem em contato com a terra. Uma delas, de tão velha, precisou de um reforço: meu pai encheu um latão com cimento e colocou ao lado para evitar que a casa cedesse. Foi nesse latão que um dia, na correria, escorei a coxa e me feri. Mamãe me levou nos braços até o Sandu, abaixo da linha férrea, onde deram oito pontos no machucado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A janela da cozinha da minha casa estava com pregos soltos porque a madeira já não suportava qualquer remendo. Ela despencava e um empurrão por fora poderia derrubá-la. Eu ficava com medo de alguém invadir a minha casa à noite para roubar o que? Nada havia de valor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Esta é a parte que mais me afeta. Quarenta anos depois, morando hoje em um apartamento de uma região nobre de Londrina, ainda sonho com a janela caindo. E nem a casa velha da Rua Juruá não encontro agora. Ela foi demolida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-9129213184571685486?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/9129213184571685486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=9129213184571685486&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/9129213184571685486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/9129213184571685486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/12/cronica-janela-cai-e-eu-ainda-sonho-com.html' title='Crônica - A janela cai e eu ainda sonho com ela'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-2248677538105516447</id><published>2011-12-14T16:35:00.000-08:00</published><updated>2011-12-14T16:35:29.804-08:00</updated><title type='text'>Crônica - Papai Noel, por que o senhor chora?</title><content type='html'>Papai Noel arranjou um emprego temporário de 20 dias até às vésperas do Natal. Trabalha de segunda à sexta das 14 às 22 horas. Aos sábados pega no batente às 9 da manhã e segue até às 17 horas. Acertaram quatrocentos e cinquenta reais com ele, sem registro em carteira e sem direito a passe de ônibus. Mas Papai Noel tem uma refeição e um lanche assegurados por dia trabalhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito pouco. Mas o serviço não é difícil. A atividade nem treinamento exigiu. Apenas orientaram: fale o menos possível, sorria sempre, faça cara de bonzinho e repita sempre o ho, ho, ho. Pediram para ele repetir até acertar a altura e o tom: ho, ho, ho. Um pouquinho mais alto, mas nem tanto. Descontraído, sem forçar: ho, ho, ho. Repita olhando no espelho: ho, ho, ho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papai Noel tem uma carinha triste. É magro e baixo. Tem a pele escura e a cara pelada. Nenhum fio de barba. A loja que o contratou deu um jeito. Encheram a roupa de Papai Noel com espuma e ele ficou gordo. Para esconder a cor escura da pele colocaram nele uma barba postiça que começa nas pálpebras e cobre mais da metade do rosto. Um óculos de aro de metal esconde o resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também perguntaram ao Papai Noel se ele tinha um botinão preto. Papai Noel, quando foi acertar o emprego temnporário, foi com o único calçado em boas condições que restava: um tênis cinza. Não servia. Tinha que ser preto e com salto. A loja resolveu o problema com uma botina de borracha, daquelas usadas por pessoas que trabalham em local úmido. Na borda do cano colaram chumaços branco de algodão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cinturão preto foi feito de tecido e fica retorcido. Papai Noel tem que ajeitá-lo sempre. Na cabeça, o gorro vermelho com borda branca e bola de lã também branca na ponta fica apertado. Mas se fosse um pouco mais largo cairia e mostraria os cabelos pretos e encaracolados de Papai Noel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para tirar fotos com as crianças a loja providenciou um trenó de madeira puxado por seis renas de massa plástica. Montaram um cenário para ele ficar. Além da tradicional árvore de folhas verdinhas e bolas vermelhas, com algodão imitando neve na copa, existem velas gigantes feitas com material reciclável e três bonecos de neve que simulam um sorriso apagado, distante, inexpressivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ficam todos, esperando os visitantes, sob um calor que o sistema de ar condicionado não consegue amenizar. Os bonecos de neve não degelam. As velas nunca se apagam. A árvore se mantém verde, com bolas vermelhas e algodão sob a copa. Só o Papai Noel transpira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O serviço temporário veio em boa hora. Ele estava desempregado e quebrava o galho vendendo CDs e DVDs piratas. Papai Noel ainda é novo, tem lá os seus cinquenta anos, mas já tem um neto e duas netas. Ontem uma menina de uns cinco anos, a mesma idade de uma das netas de Papai Noel, recebeu um abraço do bom velhinho, ganhou balas, tirou fotos no trenó e depois perguntou: "Papai Noel, por que o senhor está chorando? E ele respondeu com um ho, ho, ho que saiu tremido por causa do nó na garganta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-2248677538105516447?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/2248677538105516447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=2248677538105516447&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2248677538105516447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2248677538105516447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/12/cronica-papai-noel-por-que-o-senhor.html' title='Crônica - Papai Noel, por que o senhor chora?'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-2081986980000946234</id><published>2011-12-13T11:18:00.001-08:00</published><updated>2011-12-13T11:18:51.691-08:00</updated><title type='text'>Crônica - Sobre panetones e suas embalagens</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Dezembro tem dessas coisas. E vai o sujeito denunciando na cara o tédio de ter que seguir a mulher com um carrinho de roda engripada. Na virada de cada corredor ele tromba com&amp;nbsp; panetores. Com caixa de papelão, de latinha ou embrulhado em embalagens transparentes. As opções de sabor são variadas: de chocolate ou passas; chocolate branco ou preto; mais queimado ou no ponto. E assim vai.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Na semana passada um supermercado oferecia um produto muito em conta: pagava-se no caixa do estabelecimento R$ 3,58 e o consumidor levava para casa panetone para o café da tarde de sábado. Para o empurrador de carrinho, para a mulher que vai na frente selecionando os produtos, para o enjoado do filho que só gosta de marca boa, para a filha e o namorado dela que apenas beliscam, para a vovó que começa a comparar a qualidade das coisas de agora com as do passado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Enfim, quando se trata de consumo caseiro, existe quase uma unanimidade entre o empurrador de carrinho e a mulher que seleciona. O argumento, sempre convincente, é o mesmo de todas as compras: “Oh bem, vamos levar dessa mais barato pra gente experimentar”. E o cara boceja, ajeita os pés nos chinelos, coça a cara e dá um grunhido: “Vamos...”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E chega a hora de escolher os panetones para presente: “O da Dagmar tem que ser de latinha, daquela marca”. Com aquele ânimo, o empurrador de carrinho pergunta, menos por curiosidade, mais pela obrigação de manter um diálogo: “Por que?” E ele fica sem resposta, pois a mulher já está lá na frente virando o corredor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;“Para o tio Leornardo pode ser um desses de caixa. Ele não faz muita questão. Gosta de tudo. Ou faz de conta que gosta...” E o cara coça a batata da perna direita com a sola do pé esquerdo, arrota disfarçadamente, e solta outro grunhido: “Por que?”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;“Olha, pra tia Vita e pra sua irma Anselma vamos levar estes mesmo, de R$ 3,99. Poderia até ser o de R$ 3,58 que estamos levando pra casa, mas vai que elas descobrem que compramos na promoção”. E o cara, abordado justo quando olhava a moça de jeans apertando tudo, disfarça e pergunta: “Quem é mesmo que está com emoção?” &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Acabou a compra. Ela reclama que ele não ajuda &lt;st1:personname productid="em nada. Ele" w:st="on"&gt;em nada. Ele&lt;/st1:personname&gt; diz que está com o saco cheio. Ela pede para ele esperar na fila de um caixa enquanto troca o saco de farinha que veio furado. Ele, distraído, vai para o caixa reservado às pessoas idosos, com deficiência ou bebê no colo e espera. Quando ela chega ele está na boca do caixa. E a moça informa: “O senhor não pode passar neste caixa”. O jogo é muito duro, crianças!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-2081986980000946234?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/2081986980000946234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=2081986980000946234&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2081986980000946234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2081986980000946234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/12/cronica-sobre-panetones-e-suas.html' title='Crônica - Sobre panetones e suas embalagens'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-7449668599836426101</id><published>2011-12-12T10:39:00.001-08:00</published><updated>2011-12-12T10:41:39.357-08:00</updated><title type='text'>Conto - Mentiras, omissões e outras mentiras</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pequenos motivos dispensam telefonemas para esclarecer, tirar dúvidas, trocar idéias, discordar, elogiar, condenar ou acatar. Médios e grandes também.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Houve um tempo em que tudo era permitido. Uma vírgula no lugar errado e o celular estava pronto para que as perguntas fossem feitas. O que houve? O que causou isso? Algum descontentamento? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Por melhores que fossem as respostas, a provocação não era poupada: anda meio distraído ultimamente...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E mais perguntas, seguidas de outras. Fiz algo errado? Quer conversar sobre isso? Não está feliz comigo? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E outra provocação: está muito esquisito nos últimos dias...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Anita tinha esse jeito. Queria tudo no controle. Às vezes chegava à inconveniência de tanto telefonar para tirar satisfação. Do tipo: ontem, no jantar, reparei que você deixou a sobremesa de lado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Justificativas feitas, ela simulava aceitar, mas emendava, logo &lt;st1:personname productid="em seguida. Estava" w:st="on"&gt;em seguida. Estava&lt;/st1:personname&gt; com tanta pressa, ontem?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Irritante. Haroldo nem sempre respondia. Em certas ocasiões se omitia, sabendo que ela sofreria dias, semanas e até meses por não tem recebido atenção.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E jamais subestime Anita. Podia passar um bom tempo, mas ela encontrava uma maneira de retomar o assunto. Lembra que no mês passado, quando fomos naquele restaurante, você atendeu uma ligação no celular? Pois é. Fez uma cara de sonso. Quem é que estava do outro lado da linha? Alguma mulher? Sabe que dá para perceber, né? Você muda a voz e o jeito de falar...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Essas insinuações nem vinham ao caso no começo da relação. Era o tempo bom, das paixões, quando tudo se supera por causa do ardor. E durou mais ou menos um ano e meio. Haroldo concordava com si próprio que havia sido um período longo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Passada esta fase ainda restava o amor. Foi quando Haroldo decidiu responder às provocações de Anita com mentiras. Era, sim, uma mulher. Aliás, uma mulher muito respeitável: a minha tia lá de São Paulo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E foram muitas mentiras. Ora a supervisora da loja, em seguida a caixa que não conseguiu bater o movimento do dia. A zeladora ligava todas as noite, avisando que havia terminado a limpeza e perguntando se precisava de mais alguma coisa. E Haroldo até aumentava o tamanho da mentira. Combinei com a zeladora para telefonar todos os dias antes de ir embora. Senão, você já viu. Relaxa e deixa metade sujo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como também foram tantas as invenções que não havia mais em que se inspirar para justificar ligações telefônicas, saídas mais rápidas dos encontros diários, ausências e serviços extraordinários. Cursos, então, foram constantes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E Haroldo optou pelas omissões. Deixar Anita perguntar e nada responder. Fazer ela sofrer de curiosidade. Calar como se estivesse consentindo com as provocações. Foi então que ele percebeu que nem um restinho de amor sobrava naquela relação que foi mantida por conveniência e quase piedade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ou seja, mais uma mentira. E Anita já não faz perguntas nem dos grandes atrasos e ausências. Não é que ela tenha entregado os pontos. Ela decidiu também mentir. As provocações, agora, são para Diogo, colega de trabalho de Haroldo, e ainda estão na fase da paixão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-7449668599836426101?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/7449668599836426101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=7449668599836426101&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7449668599836426101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7449668599836426101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/12/conto-mentiras-omissoes-e-outras.html' title='Conto - Mentiras, omissões e outras mentiras'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-6116007075821672543</id><published>2011-12-09T09:35:00.001-08:00</published><updated>2011-12-09T09:35:25.604-08:00</updated><title type='text'>Crônica - Esta grande cidade é muito minha</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;A Quintino Bocaiúva era calçada com paralelepípedos e abaixo dela meu avô paterno mantinha uma quitanda, na Belo Horizonte, logo após a esquina com a Fernando de Noronha. O telefone da quitanda do vovô era preto. Menino de calção de elástico descendo pelas nádegas, eu não podia mexer no aparelho. Mas assistia com curiosidade minha tia tirar o fone do gancho, acionar a manivela para chamar a telefonista e quando atendida pedir uma ligação.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nasci naquele trecho do centro de Londrina e o parto foi em uma casa pouco mais adianta da quitanda, quase na esquina com a Mossoró. Nunca tive curiosidade de perguntar a minha mãe o nome da parteira que me ajudou a vir para este lado do mundo. Hoje que não a tenho mais sinto muita falta dessa informação. E não há parentes que possam me dar um sinal sobre a mulher que acompanhou minha mãe no parto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Provavelmente ela morava naquela região do centro da cidade. O comércio já se estabelecia na Rua Belo Horizonte e vias próximas, mas ainda havia muitas residências. E elas deviam abrigar parteiras em quantidade suficiente para trazer londrinenses ao mundo. Poucas pessoas recorriam aos médicos e aos hospitais naquele tempo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nasci num dia 6 de maio do ano de 1956, mas só fui registrado no dia 26. Os 20 dias de atraso geravam multa, por isso as famílias diziam no cartório que a criança havia nascido na data em que estavam providenciando o registro. Com menos de um ano de idade meus pais mudaram-se para a Rua Juruá, na Vila Nova, um bairro abaixo da linha férrea que separava Londrina em dois.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A casa onde vivi até a adolescência era a de número 181. Na verdade, uma casinha velha, de tábuas escurecidas pelo tempo, sem forro e com porão de altura que cabia a gente, quando criança, de pé. O Assoalho era também de tábuas. As falhas na madeira mostravam frestas enormes em alguns pontos. A única rua calçada com paralelepípedo era a Araguaia. O resto era poeira na estiagem e barro na chuva.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os nossos passeios eram no centro de Londrina. E, na volta, passávamos pela quitanda do vovô. Verduras e frutas dividiam o estabelecimento de uma porta com balas, doces, flores e refrigerantes. Às vezes vovô nos presenteava com um cacho de uva. Era uma fruta muita rara na nossa modesta casinha da Rua Juruá, onde tínhamos, em compensação, três pés de manga rosa, uma moita de cana-de-açúcar, um pé de limão rosa, um abacateiro e, na cerca, maracujá doce.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O Bosque Central de Londrina tinha uma área cercada. Era passagem obrigatória da família. Macacos, aves e pássaros podiam ser visto. São marcantes as idas ao centro para assistir o desfile de 7 de setembro. Na volta, pelo menos um pacote de pipoca salgada representava o prêmio pelo bom comportamento. Íamos ao Cemitério São Pedro a pé, da Vila Nova até depois do centro. E no caminho de volta, um contorno pela Belo Horizonte, na quitanda do vovô.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É aquela Londrina dos anos 60 e 70 que mantenho no meu coração. A cidade completa 77 anos de idade. Estou com 55. Ela permanece jovem e obteve muitas conquistas. Eu, se ainda não me sinto velho, sei que a idade vai apertando, diminuindo a velocidade dos passos, tornando as subidas mais acentuadas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas continuo aquele londrinense que gosta de andar a pé pela cidade que o trouxe ao mundo e o acolhe. Sem egoísmo, eu digo: esta cidade é minha. Muito minha. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-6116007075821672543?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/6116007075821672543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=6116007075821672543&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6116007075821672543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6116007075821672543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/12/cronica-esta-grande-cidade-e-muito.html' title='Crônica - Esta grande cidade é muito minha'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-9221156670226459180</id><published>2011-12-08T17:18:00.000-08:00</published><updated>2011-12-08T17:18:32.872-08:00</updated><title type='text'>Conto - Uma boneca de presente para si mesma</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;A boneca que pronuncia vinte palavras é tão interessante quanto a que fala dez frases. E veja que o preço é o mesmo. Mas bem que Liliane gostaria de levar a que mexe os olhos. Esta é uma mocinha de cabelos alisados metida num vestido curto. E pisca com charme. Aquelas são bebês dizendo as primeiras conjunções de vogais e consoantes. Coisas simples e mais ditas, como vovó, vovô, chocolate e mama. Usam vestidos simples de desenhos infantis: bolinhas, xadrez, bichinhos e outras decorações comuns. Trazem chupetas e carregam mamadeiras. Tem mais recursos e custam mais. Falam quando obrigadas: a dona do brinquedo tem que apertar a barriga.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E se Liliane preferisse também aquela que conduz um carro cor de rosa, então as opções formariam um leque e a escolha, provavelmente, ficaria para depois. Sorte que ela ainda não chegou à boneca que dança. Melhor ainda por ter passado com desprezo pelo corredor onde estão expostas as que representam as estrangeiras.&amp;nbsp;Algumas trazem em suas caixas toda a maquiagem necessária, além de vestidos, sapatos, correntes e pulseiras. São luxuosas e caladas. Não se encontra uma Barbie que diga papai ou mamãe. Quando o fazem, as pronúncias são em inglês.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Olha só a outra pedindo ajuda para colocar a pulseira. Muito moderninha, imagina Liliane. A moça que mexe os olhos é mais simples. Até por isso parece mais bela. Liliane não quer uma peruazinha moderna e jovem. Uma boneca tem, enfim, que representar o mais fielmente a infância. Por isso as que falam quando têm suas barrigas apertadas são interessantes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E aquelas, maiores, pena que não fazem nada. Chamam a atenção por causa das expressões dos rostos. Algumas reproduzem asiáticas. Outras são mulatas. Isso é diferente. Fogem dos perfis das loiras, as que mais aparecem nos mostruários. Liliane está pensativa. Provavelmente imagina que algum estudo norteia os fabricantes. Do tipo, bonecas louras vendem mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E nenhuma decisão. Liliane está comprando uma boneca para presentear uma criança. Mas é como se estivesse fazendo a aquisição para si mesma. Na infância dela as bonecas eram de plástico com as pernas e os braços encaixados. Os meninos criavam casos com as meninas arrancando os membros dos brinquedos. Um leve amasso deformava a boneca. Os cabelos eram moldados com a própria massa. Os olhos e a boca eram desenhados. Por isso Liliane preferia as bonecas de pano que sua mãe fazia. E aquele brinquedo com cabelos feitos de fios de lã trocava de roupas que Liliane confeccionava na costura a mão.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quase adolescente Liliane quis uma boneca que chorava quando era balançada. Nunca ganhou uma. Por isso ela imagina que a menina a ser presenteada gostará muita dos modelos que dizem vovó, vovô, papa, mama, chupeta, chocolate e outras palavras que as bonecas de pano nunca pronunciaram.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-9221156670226459180?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/9221156670226459180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=9221156670226459180&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/9221156670226459180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/9221156670226459180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/12/conto-uma-boneca-de-presente-para-si.html' title='Conto - Uma boneca de presente para si mesma'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-6623564235625829350</id><published>2011-12-07T11:27:00.001-08:00</published><updated>2011-12-07T11:27:29.486-08:00</updated><title type='text'>Crônica - Variedade, fartura e conversas em dia</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;O lagarto recheado era uma das especialidades de dona Luiza. Ao molho, a carne ficava macia e saborosa. Cortada em fatias, pedia repetição. Mas havia opções. O frango temperado e assado em casa, no forno do velho fogão de quatro bocas, fazia a turma esquecer do peru. Crocante por fora, a carne derretia na boca. E não há exagero nessa avaliação. Um peixe assado também era tradicional. Dona Luiza se preocupava com os diferentes gostos do filho único e das três irmãs, do marido, dos genros, da nora e dos netos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Onze netos, a maioria na fase da correria, do copo de refrigerante virado, do arroz derramado no sofá. Sim, arroz. Dona Luiza não dispensava no Natal e no Ano Novo o sushi que ela mesma temperava e enrolava. Mas fazia questão de reservar uma panelada de arroz branco com alho, óleo e sal para os parentes que não tinham os olhos puxados. Ninguém tinha do que reclamar. A salada habitual era a adaptação da maionese: batata em pedaços grandes, ovos cortados ao meio e tempero com vinagre, pimenta do reino e sal. Nada de maionese, dona Luiza dispensava o uso daquilo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Para beber, refrigerantes e vinho de garrafão. A marca não era nobre, mas o sabor ganhava simpatizantes a cada refeição. Dona Luiza acordava mais cedo no Natal e no Ano Novo. Ela sentia-se na obrigação de preparar sozinha toda a comida. Era uma forma de reunir a família. A turma começava a chegar lá pelas dez da manhã, quando os preparativos por conta daquela mulher já estavam bem encaminhados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No almoço a comida era devorada sob conversas, gritarias das crianças, aparelho de tevê ligado e um ambiente interessante de soltura, desinteresse e fraternidade. Aquela era a família da dona Luiza: filho, filhas, nora, genros, netos, netas e marido. Ela comia pouco. Na verdade dona Luiza alimentava-se de felicidade por estar com a família.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Havia variedade e fartura na mesa de dona Luiza. Mas o luxo era desconsiderado. Costureira, aquela mulher trabalhou pelos filhos a vida toda. Com a renda do seu trabalho ajudava nas despesas de casa e economizava para as reuniões familiares que começavam pouco antes do almoço e só terminavam à noite, quando a mesa ficava praticamente vazia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E ela sorria um sorriso de contentamento. Eu enxergo aquela expressão de felicidade todos os dias. O meu Natal é de poucos preparativos. Na verdade, eu passo pela data como se ela fosse mais um dia de nossas vidas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-6623564235625829350?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/6623564235625829350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=6623564235625829350&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6623564235625829350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6623564235625829350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/12/cronica-variedade-fartura-e-conversas.html' title='Crônica - Variedade, fartura e conversas em dia'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-3738338951996507231</id><published>2011-12-06T11:10:00.001-08:00</published><updated>2011-12-06T11:11:28.069-08:00</updated><title type='text'>Crônica - Preparativos de certos tempos em certos locais</title><content type='html'>Ai Dagmar! Ganhei um frango lá do Zecão. É caipira, de carne durinha. Ele diz que caiu de uma carrocinha uns quatro, com os pezinhos amarrados, e o carroceiro entretido com a música do celular nem se tocou do prejuízo. Foi embora e os coitadinhos se debatendo no asfalto quente. O Zecão não teve outro jeito. O carroceiro se foi e os frangos ganharam um cercado de tela de arame lá no fundo do quintal dele. Ontem eu fui fazer um acerto daquele negócio e peguei um frango. Ta quitado e bem pago. Nem vai incomodar a cárie e dá pra palitar os dentes com os ossinhos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Só vê se não precisa pegar um gás fiado lá na vendinha. Negocia com o cara. Diz que em janeiro a gente acerta. Se sair aquele servicinho que estou vendo na semana que vem é receber e pagar o gás. Já especulou se a sua patroa vai dar cesta de Natal? É em boa hora, viu? Vai fazer diferença. E nem precisa vir com aquelas coisas caras. Castanha, passas e latinha de patê é pra quem tem luxo. Cá pra nós, uma cesta básica completa é mais vantagem. Vê se negocia isso, mulher. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;O vinho eu dou um jeito. Até passei no supermercado para espiar preço e está tudo lá &lt;st1:personname productid="em cima. Cinco" w:st="on"&gt;em  cima. Cinco&lt;/st1:personname&gt; e noventa, seis e setenta, oito e cinqüenta e sete. Tudo quebrado no preço, não sei pra que isso. Tem uns de dezoito contos. Cerveja eu prometi que não bebo mais. Se eu disse que não gosto é mentira. O bolso é que não permite. Mas se você autorizar eu compro uma garrafa de pinga para fazer umas batidinhas. Prometo que não vai ter exagero. Uma garrafa eu economizo pra ter batidinha no Natal e no Ano Novo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E não se preocupe com o limão. Ali no caminho do canteiro de obras tem um quintal com um pé carregado. É limão rosa, mas serve. Dá até pra fazer suco com o que sobrar. E pra ninguém dizer que apanhei limão de quintal alheio sem consentimento eu faço um servicinho pra dona da casa. Tem lá um rachadão na calçada e ninguém da construção vai se importar se eu jogar um bocado de cimento pra consertar aquilo e deixar lisinho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Eu não sei não se ganho alguma coisa. Sou terceirizado e temporário, estão dizendo que só ganha cesta quem tem carteira assinada. Mas bem que podia. Se der jeito ainda converso com o mestre de obra e vejo se não dá uma exceção. Quem sabe? É merecido, viu nega! Olha que a gente dá o sangue.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Só acho que não vai dar pra receber visita, viu? Fica de alerta e se a sua cunhada insistir abre o jogo. Avisa que aqui está escasseado, não é mole não. E que a gente não vai fazer nada, só a comida normal de um dia qualquer. Mas juro que um panetone eu vou comprar, isso tem que ter. Vejo um daqueles de três e noventa e nove. Não precisa ser encapado com caixa. O gosto é o mesmo, só a embalagem é mais cara.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;É, nega, tem que apostar. No ano que vem melhora. Este ano eu me danei por conta da falta de serviço e nem seguro desemprego tive. Trabalhar terceirizado é assim. Mas acho que dou um jeito. Vou botar a vergonha de lado e viro cabo eleitoral. Mas em troca eu quero um emprego se o cara for eleito. Uai, tem um monte de gente que faz isso. E a gente, na modéstia, fica chupando o dedo... &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-3738338951996507231?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/3738338951996507231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=3738338951996507231&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3738338951996507231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3738338951996507231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/12/cronica-preparativos-de-certos-tempos.html' title='Crônica - Preparativos de certos tempos em certos locais'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-8775664069687178716</id><published>2011-12-05T09:33:00.000-08:00</published><updated>2011-12-05T12:02:34.765-08:00</updated><title type='text'>Crônica - Os preparativos dos tempos de agora</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não quero bagunça em casa nem no Natal e nem no Ano Novo. Se algum parente convidar para almoçar fora a gente vai. Mas esqueçam aquelas insinuações do tipo, o seu apartamento é maior do que o nosso. Nada disso. Tudo bem, nesse caso a gente encomenda uma carne assada e leva.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Que reuniãozinha de colegas você está falando? Aqui em casa? Está lesa, menina? Onde? Não inventa moda. Veja com o seu pai se ele empresta de graça uma salinha lá da associação de funcionários. E não me diga que estou de má vontade. O regimento interno e o estatuto do condomínio está muito claro: nada de bagunça depois das dez da noite. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Depois imagina eu aqui tocando pra fora os seus coleguinhas às onze da noite com o síndico de plantão lá embaixo pronto para dar uma bronca. Nem pensar. Tudo bem, se o seu pai conseguir o local eu compro uns refrigerantes e encomendo um bolo. O que? Cerveja? E quem autorizou você a tomar cerveja fora de casa?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Seu pai disse que pode? Se disse, não teve o meu consentimento e aqui se ele autorizou e eu não sei fica tudo na estaca zero. No máximo um espumantezinho bem fraco, mas isso a gente ainda vai conversar em família.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E quem foi que agendou esta novena de Natal aqui em casa? Não estou sabendo de nada. Agora vocês mandam e desmandam na casa? Eu falei que participava, mas não aqui &lt;st1:personname productid="em casa. Sei" w:st="on"&gt;em  casa. Sei&lt;/st1:personname&gt; como é. Chega um e quer água. Outro pede pra ir ao banheiro e não dá descarga. E o piso fica todo riscado e sujo. Vocês vão limpar pra mim depois? Então dispensa. Digam que vamos viajar bem no dia da novena.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Escuta aqui, ô querido. Ligou o cara do sacolão dizendo que entrega na quinta a carne que você encomendou para o Natal. E eu fiz questão de perguntar: já vem assadinha, né? O cara riu na minha cara e disse que tem todos os ingredientes lá. Você está pensando, por acaso, que eu vou temperar carne e assar? Está doido, é? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quem colocou isso na sua cabeça? O papa? Está pensando que eu vou passar a manhã do Natal temperando e assando carne? Ah, você faz isso. E quem é que vai fazer a limpeza do forno e da louça depois? O fantasminha camarada? Pode cancelar. Se não puder doa a carne crua que comprou pra entidade lá da rua de baixo. Eu não quero e está decidido. Assunto encerrado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Está bem. Precisamos seguir a tradição. Você sugere uma árvore de Natal onde? Em cima da televisão? Ao lado do vaso sanitário? Na tampa da máquina de lavar roupa? Ah, estou entendendo. Quer que eu faça como sua mãe fazia: corre atrás de um galho de árvore, pinta o tronco de alumínio, bota uns chumaços de algodão sobre as folhas para imitar neve e pendura um monte de bolas coloridas. Ai pirou de vez. Se quer enfeite de Natal passa lá no bazar e compra uma guirlanda pequena pra pendurar na porta e pronto. Aqui dentro de casa não quero luzinha acendendo e apagando. Pode jogar a sua idéia fora.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O que mais precisamos decidir para o Natal e o Ano Novo? Lembrei. Então liga para a sua irmã e veja se a gente pode almoçar lá no Natal e telefona ainda está semana para o seu irmão para ver se ele não vai viajar no Ano Novo. Nos dois casos eu levo a carne assada, a maionese e o pudim, pois isso eu compro pronto no supermercado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-8775664069687178716?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/8775664069687178716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=8775664069687178716&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8775664069687178716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8775664069687178716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/12/cronica-os-preparativos-dos-tempos-de.html' title='Crônica - Os preparativos dos tempos de agora'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-4948016445364710959</id><published>2011-12-02T16:09:00.000-08:00</published><updated>2011-12-02T16:09:23.430-08:00</updated><title type='text'>Conto - Outros tempos de preparativos</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Laurita, desamarra a galinha e solta no cercado. Deixa ela correr naquele trecho pra dar músculo e não ficar mambembe na assadura. Manda Efigênia reservar uns cinco quilos de carne de porco. Mas pede a parte limpa, tem que ter um pouco de gordura na capa. Senão ela fica seca. Tem que pedir no armazém a reserva de uns dois garrafões de vinho. Cerveja não vai ter não. É cara. Se alguém quiser traga por conta. E a geladeira não agüenta gelar nem água.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os meninos tem que aproveitar o percurso e ajuntar lenha. Tem gravetos no caminho e até aquelas estacas jogadas no canto do galpão dão fogo. Tem que por assado no fogo uma seis horas e se não pegar brasa ainda não fica no ponto. Macarrão tem que fazer sim. A Mirtes se encarrega, ela tem mão boa. Alguém dá jeito de limpar o cilindro para passar massa. E nem precisa capricho no corte, é só passar faca afiada de cima abaixo e a tira sai perfeita. O molho é melhor deixar pra Nena do tio Ambrósio. E nem põe carne moída naquilo. Carece não. É uns tomatões bem fervido com cebola e muita pimenta até chegar na calda grossa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Fruta não preocupa. Sobra laranja rosa até para o suco. Dá quantidade bastante para as crianças. Pros moços libera o vinho. Pras moças faz uma espécie de mistura: dois dedos de vinho para um dedo de água. E adoça e põe gelo. Fica igual refrigerante. Manda liberar uns dias antes a parte de cima da geladeira e usa copinhos de plástico pra gelar água. Vai precisar muito. É capaz de fazer calor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O bolo é missão da Toninha do primo Antão. Aquilo conhece. Não fica nem duro e nem fofo. Dá um ponto bem firme. É bom reservar carvão da sobra da lenha para usar no forno do quintal. Aquela meia saca de batata agüenta até lá. Cozinha com ovo e faz uma espécie de salada. Maionese a Rita prepara. Fica melhor que o comprado pronto. É gosto de verdade, a gente sente na boca.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aquelas duas cadeiras deixa na varanda que depois eu arrumo. É só tornear uma perna e o resto conserto nos pregos. Se der tempo tem a sobra de tinta azul escura. Pinta tudo que esse branco encardiu. A mesa deixa na madeira pura, ninguém vai por reparo com a toalha presenteada pela vó Maria. Coitada. Ela faz falta hoje em dia. Mas não convinha ficar daquele jeito, cada dia mais esquecida. Era uma judiação. Tem dia que nem eu ela soube quem era.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Será que o Alfredo e a Saura passam o Natal aqui? Sei não, viraram gente da cidade. Fazer o que, é a vida. Mas é capaz deles passarem depois, lá no meio da tarde, só para dar um oi. Devem ter trocado de carro outra vez e nesta entrada a partir do asfalto que termina na mercearia é um solavanco. Não fosse o luxo eu ia buscar de Kombi. Vê se consegue propor a eles. Busco e levo a hora que for.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É bom chamar a Mariana. Viúva ainda de luto precisa de companhia. Os filhos ela não vai ter. Eles não ligam. A mulher vive sozinha. Pede a ela pra ajudar nos preparativos. Assim distrai, deixa de pensar na perda. Quem sabe ela não enxergue o mano Tadeu com bons olhos? Ta na hora de ele tomar juízo e arranjar companheira. Ou você não sabe que na solteirice dela o Tadeu tentou namoro? Todo mundo sabe. Só não deu certo porque ela era soberba. E deu nisso, a viuvez.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Depois pede a Acácio pra vir me ajudar. Vai dar umas vinte pessoas. Com ele eu monto uma mesa lá na coberta. Dá de ponta a outra e nem chuva atrapalha. Semana que vem a gente faz compras e eu me cuido pra não esquecer os pregos. O que tinha enferrujou de tanta falta de uso. Lembra que na terça ou na quarta a gente vai. Aproveita e passa na loja pra comprar calçados. O meu vai dando, lá pro meio do ano eu compro um par. Mas vê uma camisa, à noite tem missa lá no bairro e quero ir novo. Pelo menos no Natal...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-4948016445364710959?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/4948016445364710959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=4948016445364710959&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4948016445364710959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4948016445364710959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/12/conto-outros-tempos-de-preparativos.html' title='Conto - Outros tempos de preparativos'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-8278676735688106154</id><published>2011-12-01T16:46:00.000-08:00</published><updated>2011-12-01T16:46:31.042-08:00</updated><title type='text'>Crônica - Bom Dia Homem de Neve!</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sim, Bom Dia! É a forma a que recorro para manifestar a minha solidariedade ao senhor. Vejo que não sorri e se mantém em silêncio desde que decidiram que o seu lugar é este: o gramado de um jardim, sob este sol dos trópicos. E nem mãos te fizeram para se abanar do calor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Entendo. A missão que te deram é nobre e o sacrifício vale. Será? Leio a sua quietude e interpreto que deve trazer alegrias. Crianças posam ao seu lado para fotografias tiradas pelos pais. Os curiosos tem encaram e o seu papel é ficar impassível. Há quem ironize: o que este boneco de neve faz sob os céus dos trópicos?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eles sabem que o senhor é um dos símbolos do Natal. Mas desconfiam: nos trópicos os bonecos de neve são injustificáveis, mesmo que para lembrar a chegada do Natal. Gente intolerante, concorda comigo?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Se fosse ao pé da letra então o Papai Noel não usaria um trenó puxado por renas por aqui. E nem as árvores natalinas teriam algodões imitando neve em suas copas. E este chapéu preto de material quente? Incomoda? E este cachecol vermelho no pescoço? Em mim causaria alergia devido à transpiração abundante.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas o senhor, homem de neve, está ciente da sua missão: fazer de conta que o Natal daqui é semelhante ao de lá, onde a neve cobre as ruas, as calçadas, os telhados e as árvores. E se te reservaram este papel aqui nos trópicos, o senhor deve, sim, cumpri-lo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Faz muito calor neste seu lugar. Bate sol de manhã e à tarde. Não sou tão forte quanto o senhor. Devo me recolher à sombra e sei que farei isso com certo peso na consciência. Porque o senhor não sorri e se aquieta.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Percebo que gostaria, se fosse seu arbítrio, alegrar as pessoas e anunciar o Natal de outro jeito. Mas nem a fala te deram para expor seus motivos. E eu, tão passivo quanto o senhor, me permito gozar de um pouco de frescor logo ali, sob aquela árvore que por ser natural e de uma espécie deste clima quente, resiste aos enfeites e não ganha neve de algodão.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Bom Dia Homem de Neve!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-8278676735688106154?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/8278676735688106154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=8278676735688106154&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8278676735688106154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8278676735688106154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/12/cronica-bom-dia-homem-de-neve.html' title='Crônica - Bom Dia Homem de Neve!'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-3632314062986556578</id><published>2011-11-30T11:48:00.000-08:00</published><updated>2011-11-30T11:48:42.372-08:00</updated><title type='text'>Crônica - E as músicas natalinas são de chorar...</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Lamentosas, melentas, arrastadas e deprimentes, elas são cantadas por intérpretes variados. Choraminguentas, empurram a euforia lá na parede dos descartes. E olha lá na fila dos caixas da loja de departamentos o montão de gente ouvindo e chorando, chorando e ouvindo, pagando e chorando, parcelando e ouvindo simone chorando. E os cabelos dos xororós lambidos emocionam tanto quanto a juba dos chitões, sejam eles zinhos ou não.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aquele cidadão gordo de camiseta regata levanta os braços em cima dos balaios de pães frescos e sugere, meio que mandando:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Não tem algo do Roberto Carlos pra rodar? Manda aquela música que ele gravou pra Globo... Aquela com um monte de artistas de novela chorando...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nisso a menininha de seis anos cutuca as nádegas da mãe, que pensa ser vítima de uma bolinação:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- O senhor cutucou a minha bunda?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O idoso faz com a cabeça que não e com o queixo aponta para a garotinha. Ela não entende o sinal e insiste:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- O senhor apertou a minha bunda com este dedão sujo...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Só então a mulher percebe que a pessoa é maneta. Foi preciso a intervenção da filhinha:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Fui eu, mãe. É que aquele homem gordo que pediu música do Roberto Carlos abriu os braços em cima do pão francês. Tem um monte de pelo no sovaco...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Constrangimento instalado. Enquanto xororó arrastava um lamento natalino e uma balconista do setor de eletrodoméstico, logo adiante, se derramava em lágrimas, a mulher da bunda cutucada percebeu que o gordo do Roberto Carlos tinha um matagal exposto em cima dos produtos e um bigode daqueles que quando o prato é sopa fica duro de tanto molho.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E o gordo bigodudo e peludo quase abre a boca para se defender. Por sorte, o funcionário responsável pelo som anunciou a promoção de CDs natalinos que incluía uma novidade com Roberto Carlos, a Globo, os artistas das novelas, o Didi, o Faustão parecendo uma pirâmide invertida, o Caco Barcelos querendo ensinar jornalismo e o Pedro Bial só ali, de tocaia, selecionando entre os músicos do rei um bom participante da próxima edição da Baita Besteira Brasileira.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Então tudo entrou nos conformes. O gordo dos pelos se aquietou e ouviu o rei cantar lançamentos dele e da globo de anos atrás. No que um careca de bermuda, meia e sapato social comentou:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Mas no Natal é tudo novidade. A gente gosta, fazer o que?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A mulher da bunda cutucada, coitada! Ainda não se sabe se ela se aliviou quando soube que a filha é que havia feito aquilo ou sofreu decepção por não ser bolinada nem por um idoso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Xororó e chitão foram para a banca de promoção. Estava por nove e noventa e caiu para um e noventa. Simone, na versão do “então é natal”, estava praticamente de graça. O cartaz da banca dizia: “Compre uma dúzia de banana caturra e ganhe cinco CDs”.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O pessoal da fila do caixa chorou mais ainda ao ouvir, pagar, digitar senha do cartão, escutar, somar e empacotar panetones. Aquilo sim era uma confraternização natalina. E o rei é especialista em armar comoção. Ouviu-se, no rabicho de uma música, ele dizendo:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- São muitas emoções...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas tinha que aparecer um estraga prazeres. Veio de chinelos de dedo, unhão encardido, e entrou no departamento de crediário cantando:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Eu pensei que todo mundo fosse filho de papai noel...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E foi aquela revolta da galera. Também pudera! Assis Valente, o autor desta música contestadora, que nos perdoe. Natal, afinal, é para ouvir lamúrias e chorar. O gerente da loja até tentou acalmar os ânimos:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Gente, não é hora de manifestação. Deixa os protestos lá para os estudantes da USP. Aqui é pra gastar bastante e escutar estas músicas emocionantes. E quem quiser chorar que chore, caramba...&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O gerente, aliás, estava de saco cheio de tanto ter que ouvir música natalina e ver consumidores chorando de emoção. Mais certo foi o menino que olhava os notebooks na seção de informática e perguntou ao pai:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Natal não é para todo mundo ficar feliz?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-3632314062986556578?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/3632314062986556578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=3632314062986556578&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3632314062986556578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3632314062986556578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/11/cronica-e-as-musicas-natalinas-sao-de.html' title='Crônica - E as músicas natalinas são de chorar...'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-2705805288306564298</id><published>2011-11-29T10:58:00.000-08:00</published><updated>2011-11-29T10:58:06.502-08:00</updated><title type='text'>Conto - Além da imagem refletida no espelho</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Lisandra é uma imagem na parede decorada com vidro de uma loja do fim do corredor de uma galeria comercial no centro de Londrina. Cabelos aos ombros, estatura média e magra, o reflexo é tão imóvel quanto a própria mulher espelhada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O vestido solto preso aos ombros com tiras largas cai bem. Desce até uns dedos acima dos joelhos em uma meia roda armada suavemente. A cor do tecido é clara, puxando para um azul que imita o jeans desbotado. É um modelo esportivo, com botões destacados na frente, de cima abaixo, e bolsos enormes na altura das coxas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Uma menina, diria em outros tempos, ao se refletir, a mulher do fundo do espelho. Sandálias de poucas tiras, apenas suficientes para mantê-las nos pés, dão uma sensação de conforto. Rasteirinhas, também transmitem leveza em todos os sentidos. Inclusive da pessoa que as usa, cujas unhas pintadas de vermelho atraem os olhos de quem a vê caminhar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os cabelos, castanhos escuros e lisos, dariam a idéia de soltura e descompromisso com as formas sofisticadamente trabalhadas em salões cercados de espelhos. A maquiagem é leve. Nenhum tom forte causa impacto. Os lábios apenas brilham com o gloss teimosamente retocado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nem jóias e bijuterias aumentam o peso da mulher. No pescoço, pouco se percebe a corrente fina com a minúscula imagem de uma santa na ponta. Nas costas, a discreta tatuagem, em preto, com o nome de um homem. No pulso esquerdo, uma peça artesanal apenas quebra, feito uma tira fina com algumas pedras de enfeite, a brancura da pele.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sempre foi assim. Lisandra é avessa aos excessos. Ou, como diriam os bons críticos, uma mocinha excessivamente simples que sabe usar o desapego aos acessórios como um charme. Tudo nela é básico. Houve quem comentasse que a beleza de Lisandra não impacta. É algo que entra sorrateira na imagem formada nos olhos de quem vê e se instala. Não é, enfim, beleza de arrancar suspiros. É um calejamento que inspira.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Falta-lhe, porém, o sorriso. E quando ele vem é naquele conjunto o único componente que levanta a suspeita de ser falso, fabricado sem critério, arranjado. Lisandra sorria antes, até quando parava na frente do espelho daquela loja para se orgulhar de sua simples beleza enquanto esperava por ele para o lanche do meio da tarde.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Se fosse uma lenda, haveria uma versão: ele, por uma maldade que não se tem explicação, roubou o autêntico sorriso da mulher do fundo do espelho e só deixou sua marca tatuada nas costas dela, que agora improvisa a falsa expressão de alegria com esforço tamanho. E ali se percebe que incomoda muito em Lisandra ter que fazer de conta que está feliz. A imagem no vidro põe o real sentimento muito além do reflexo. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-2705805288306564298?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/2705805288306564298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=2705805288306564298&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2705805288306564298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2705805288306564298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/11/conto-alem-da-imagem-refletida-no.html' title='Conto - Além da imagem refletida no espelho'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-1398941588454068065</id><published>2011-11-28T11:59:00.000-08:00</published><updated>2011-11-28T11:59:42.762-08:00</updated><title type='text'>Conto - Cadeiras sem parafusos é o caos da vida</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;A grama está alta e foge de Marilda a disposição de usar os finais destas tardes de sol para colocar o quintal &lt;st1:personname productid="em dia. As" w:st="on"&gt;em dia. As&lt;/st1:personname&gt; podas foram abandonadas faz semanas e no jardim as plantas reclamam atenção. A roseira curva seus galhos. Enfileiradas sobre um suporte de madeira, lá no canto onde a sombra da tarde alivia o calor, os vasos de orquídeas negam beleza. Além do verde manchada de marrom pela poeira, nenhuma cor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Cuidar do jardim e ajeitar o quintal tem sido tarefas esquecidas. Marilda nem consegue acertar o lado de dentro da casa. A área de serviços virou um depósito. Tudo o que é descartado da sala e dos quartos ganha um espaço ali. Cadeiras que dependem de um aperto do parafuso ficam encostadas. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Até o velho computador sente os efeitos do sol ou da chuva preso a uma estante perto da janela. E ele já deu tanto para Marilda! Aliado na produção de textos poéticos, coragem para terminar as monografias, solidariedade nos momentos de solidão com os acessos às redes sociais e músicas, muitas! Foi por anos um abrir e fechar constante do drive para tocar músicas até o ponto do aparelho se esgotar, desgastado, e se dar ao direito de falhar em algumas ocasiões.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Jardim, quintal e casa, enfim, esperam providências. Nem a lâmpada queimada do abajur foi trocada. A cortida está suja e manchada. Em outros tempos Marilda providenciaria lavagem imediata. E se o resultado da faxina deixasse a desejar, ela acharia tempo para consertar o que estava errado, refazer o que poderia ser melhorado, limpar, cozinhar, passar, almoçar, jantar, tirar um tempo para se esticar no sofá e viver do jeito que ela vivia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Era uma mistura de coisas feitas em atividades diversas. Tudo ao mesmo tempo. Marilda rascunhava a conclusão de um trabalho importante da pós-graduação no mesmo momento em que esquentava o leite do café da tarde. E aproveitava a caminhada da sala até a cozinha para aguar uma planta, catar um cisco, ajeitar a capa da poltrona, descascar uma fruta e pensar no tema de uma poesia para ser escrita à noite.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A mudança foi radical e nem foi por vontade própria. Na correria de antes Marilda até reservava tempo para os sentimentos mais íntimos. Ela tinha uma paixão, Alfredo, que no auge da relação até inspirou poemas. Depois, quando Marilda ainda jurava amor, ela própria percebeu que as rimas escapavam e a métrica desengonçava, em versos frios e sem nexo, com rupturas e palavras sem força. E os poemas viraram prosas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ali começaram os desacertos que, a princípio, nem ela imaginava enfrentar. A presença de Alfredo na casa passou a ser indesejada. Mas por falta de uma conversa franca ele passou a ser mais assíduo. E de tão solícito na vida dela Alfredo passou a ser um inconveniente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Marilda, desnorteada, reagiu ao contrário. Para camuflar a ojeriza pelo rapaz ela fugiu para as atividades científicas. Produz atualmente uma elogiada monografia sobre biologia, área que ela sempre amou e dela jura nunca abrir mão. E esqueça a casa, o quintal, o jardim, as cadeiras para parafusar, o almoço, a janta e o leite esquentando numa caneca sem brilho.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E Alfredo vai ficando, mais por vingança do que por não ter para onde ir. Parece que ele sabe que Marilda está matando a vida que era dela e do seu jeito, com a sua presença cada vez mais constante naquele ambiente desacertado. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-1398941588454068065?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/1398941588454068065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=1398941588454068065&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/1398941588454068065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/1398941588454068065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/11/conto-cadeiras-sem-parafusos-e-o-caos.html' title='Conto - Cadeiras sem parafusos é o caos da vida'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-962784500206815671</id><published>2011-11-24T12:53:00.001-08:00</published><updated>2011-11-24T12:54:15.697-08:00</updated><title type='text'>Crônica - Mamãe lavava as roupas no batedor</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Um tronco de madeira serrado ao meio descia em diagonal até a terra a partir de duas estacas fincadas no chão. Media dois metros de comprimento ou pouco menos. Ao lado, sobre pilhas de tijolos, o tambor servia de reservatório de água. Pedras e cacos de telhas calçavam o pedaço do terreno onde dona Luiza batia as roupas todos os dias.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A água era puxada de balde do poço perfurado lá atrás, quase na beira da cerca de madeira que separava o quintal. No andar normal fazia-se o trecho entre o batedor e o poço com uns vinte passos. Balde vazio na ida e balde transbordando água na volta. Pesado e desajeitado, curvava as costas da mulher magra e de baixa estatura. E não bastava uma viagem: a roupa era muita e o tambor grande.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Molhar, ensaboar, bater, esfregar com escova, enxaguar e pendurar. Os varais ficavam ao lado, em área livre dos galhos da mangueira e do abacateiro. Os arames atravessam o quintal de um lado a outro. Quando lotados de roupas pareciam mosaicos montados ao acaso, embora as calças ficassem juntas e as camisas, presas pelas barras, ganhassem o arame mais à sombra.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Toalhas de banho, lençóis, guardanapos e cobertores eram estrategicamente pendurados onde não cobrissem o sol de outros varais. Tapetes encardidos ficavam de molho por mais tempo. Ás vezes, de tão sujos, exigiam uma boa fervura no fogão à lenha da cozinha.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Dona Luiza nunca havia visto de perto uma máquina de lavar. Naquele bairro simples ninguém ainda havia comprado uma. Parentes de localidades mais nobres, quando em visita, contavam vantagens. Diziam que era só ligar e esperar. Parecia até um milagre. Roupas limpinhas e quase secas dependiam apenas de um sopro de vento para ficar no ponto de passar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas na simplicidade daquela mulher, que nem fogão a gás ainda tinha em casa, o sonho estava muito tempo antes das tomadas de energia elétrica e dos botões de ligar e desligar. Dona Luiza queria ganhar um tanque de cimento para lavar suas roupas. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E eu tento contar agora, anos depois de perdê-la fisicamente: quantas calças, quantas camisas e quantos pares de meias que eu usei na minha infância mamãe suou para lavar? Quantos baldes de água foram necessários carregar?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-962784500206815671?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/962784500206815671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=962784500206815671&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/962784500206815671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/962784500206815671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/11/cronica-mamae-lavava-minhas-roupas-no.html' title='Crônica - Mamãe lavava as roupas no batedor'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-234725444174026915</id><published>2011-11-23T12:50:00.001-08:00</published><updated>2011-11-23T12:50:55.603-08:00</updated><title type='text'>Conto - Correrias, histórias de medo e banho frio</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;As noites de inverno ainda eram de desafios para as crianças da Rua Juruá. As mães ameaçavam: “Se voltar sujo pra casa vai tomar outro banho com água fria da torneira lá no quintal”.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Intimidava. Mas nem sempre causava efeito. E lá ia a turma na correria caçar qualquer tipo de brincadeira. Se não bastasse a poeira das vias e vielas sem asfalto, a grama molhada do campinho de futebol encardia os chinelos e manchava as roupas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No pega-pega os botões das camisas pulavam para longe. E depois se veria o que dizer em casa para justificar o descuido, ainda que a chance de sair impune fosse pequena. Puxão de orelha, no mínimo. É assim que os pais consertavam os erros dos filhos naqueles tempos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Jogava-se conversa fora depois da canseira. Alguns galhos catados ao acaso serviam para uma fogueira, acendida com a caixa de fósforos pega discretamente de alguma cozinha. E a turma se acocorava ao redor para contar casos que os pais ouviram dos avós e que teriam acontecido com parentes de distante passado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Histórias de dar medo. Da bola de fogo no pasto vindo em direção das pessoas que passavam; do enorme animal que pulava do rio e sentava na garupa das bicicletas quando o trabalhador cruzava a ponte no caminho de volta para casa; da mulher que cantava sem parar todas as noites numa mata ao lado do povoado, e do choro estridente de uma criança lá nas bandas de uma mina d’água que ninguém ousava visitar à noite.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E outras mais, todas com algum tipo de explicação. A corrente no sótão puxada de um lado a outro parece que fora usada contra alguém que perdeu a vida. As versões variavam: o patrão a usou contra um empregado que havia se engraçado com sua filha; ou o empregado teria feito justiça com as próprias mãos após ser maltratado por anos pelo patrão.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Olhos esbugalhados, meninos e meninas cruzavam os braços e se apertavam um no outro. E não era pelo frio. O medo mexia até com os mais corajosos. Subia um frio pela espinha que fazia tremer. Junto com as assombrações se misturavam cobras gigantes que o avô do pai de alguém abateu com um único tiro certeiro. E no descuido e falta de informação, houve quem inventasse ursos enormes quebrando janelas das casas das fazendas &lt;st1:personname productid="em pleno Norte" w:st="on"&gt;em pleno Norte&lt;/st1:personname&gt; do Paraná.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nada, porém, mais assustador do que aquilo que todos esperavam acontecer lá pelas nove, nove e meia e até dez da noite, em ocasiões de mais tolerância: o grito dos pais chamando a meninada para se recolher. “Antes trate de pelo menos lavar os pés e as mãos lá no tanque de roupa...”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-234725444174026915?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/234725444174026915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=234725444174026915&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/234725444174026915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/234725444174026915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/11/conto-correrias-historias-de-medo-e.html' title='Conto - Correrias, histórias de medo e banho frio'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-4421573609336815330</id><published>2011-11-22T13:22:00.000-08:00</published><updated>2011-11-22T13:22:15.260-08:00</updated><title type='text'>Conto - Ladrão de poesias e de pretensões</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tantas canções e nada. Ele as roubava dos autores e delas extraia as letras para presentear pretendidas namoradas com mensagens que só os poetas sabem desenhar no papel.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Algumas acreditavam ser ele o dono da inspiração. Outras sabiam que as rimas e a métrica eram frutos de uma apropriação indevida. Havia as que evitavam conspirar e aceitavam o recado, retribuindo com um aceno: às vezes um encontro na saída da escola ou um passeio na praça do bairro na tarde de domingo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Possibilidades! No amor adolescente isso tinha peso. E não se esperava muito daqueles primeiros contatos. Quando muito, um leve toque de mão e de sobra a agenda definida para o próximo final de semana. Na despedida, apenas um tchau.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Romântico e cavalheiro, o poeta dos versos emprestados condenava as paixões súbitas. No segundo encontro talvez um beijo e um caminhar mais demorado com as mãos dadas. No terceiro, outros beijos, mais profundos. E assim se mantinha, medido e calculado para o sentimento crescer com o tempo e ganhar consistência.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Algumas possibilidades chegaram ao quarto ou quinto poema, nunca mais do que isso. Houve quem merecesse, entre as pretendidas, autores mais refinados. Assim como algumas não passaram das músicas populares reproduzidas dia e noite nas emissoras de rádio.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nem todas, porém, queriam uma relação feita de palavras rimadas. Preferiam o fogo do amor queimando nos abraços e nos beijos. Esperavam pela ousadia dele nos afagos, as mãos tocando pontos proibidos num descuido dos olhares alheios. E por falta disso logo se foram, deixando ele livre para ouvir novas canções, extrair as letras e encantar outras pretendidas com versos roubados.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foram muitas músicas. Vãs tentativas de uma relação romântica num tempo de quentura que exige cada vez mais do físico e muito menos do sentimento. Para umas ele se tornou o grande amigo de confidências e desabafos. Pelo menos isso restou.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E lá vai ele, já com o peso da idade arcando o corpo. Sozinho, ainda ouve canções de outros tempos. E há músicas que trazem junto com as recordações a sensação nele de ter fracassado por não avançar, quando pode, os sinais do coração.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-4421573609336815330?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/4421573609336815330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=4421573609336815330&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4421573609336815330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4421573609336815330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/11/conto-ladrao-de-poesias-e-de-pretensoes.html' title='Conto - Ladrão de poesias e de pretensões'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-7980154705442324974</id><published>2011-11-21T08:10:00.000-08:00</published><updated>2011-11-21T08:10:09.953-08:00</updated><title type='text'>Conto - Palavras cuspidas são armadilhas</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Senta e toma fôlego, menina! Bebe uma água. Tem café na garrafa térmica. É de hoje cedo mas ainda está quente. Quer bolacha? Não faça cerimônia. O pão é novo e com uma manteiga vai bem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E agora me conta, o que anda fazendo da vida? Sumiu, nunca mais apareceu por estes lados. Ficou rica, é? Amigas pobres são esquecidas?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ah, antes que eu me esqueça: fulano casou com sicrana. Beltrana se separou e está sozinha. Quer dizer, aquilo não é gente de viver sozinha. Ela diz que o marido oficializou com uma amante, com quem teve uma filha. Mas também falam o contrário. O amigo dele, aquele que trabalha na oficina, saiu com a história de que o marido é que decidiu aparar os chifres e se mandou. Que maldade, veja...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E você? Me diz alguma coisa. Pega mais um café. Esqueci de oferecer leite. Tem leite na geladeira, quer que eu esquente? Nossa, nem me dei conta que você sempre gostou de café com leite. Ou melhor, café no leite, verdade? Um pinguinho de café no leite, é assim que você gosta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não quer? Mudou de gosto? Ah, entrou numa de dieta. Mas o pãozinho com manteiga desse tamanho que você cortou nem vai pesar na balança. Dá para fechar um buraco no dente se tiver algum. Você está com uns dentes bonitos. Sem querer ser indiscreta: são naturais?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É, a arcada está bem alinhada, branquinhos os dentes. Juro que eu imaginei ser dentadura. Credo, estou brincando. Você sabe que eu gosto de brincar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas fala de você agora. Prometo que não vou cortar. Eu deixo você falar o tanto que quiser. Aliás, a minha irmã fica irritada quando conversa comigo. Ela diz que de cada dez palavras minhas ela consegue apenas responder sim ou não. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Então me diz. Gostando do apartamento novo? Eu fico imaginando: minha amiga sempre gostou de quintal grande e agora tem que viver naquele aperto. Abriu a porta dá de cara com a vizinha da frente. Pisou forte e lá vem reclamação do vizinho de baixo. Aumentou o volume da música e o morador de cima interfona pedindo pra desligar. Mas acostuma, né?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E o bairro? O bairro é bom. Eu acho bonito aquele lugar onde você mora. É limpo, tem muitas árvores. Tem mercado por perto? Onde é que você está fazendo compras? Passei por lá estes dias e vi que tem um açougue na quadra seguinte. E faz assados no domingo. Você já comprou por lá? Ah, que pena. Se você tivesse provado e gostado eu juro que no próximo fim de semana daria uma chegadinha lá.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Então me diga. Fiquei sabendo que está de namorado novo. Olha, cuidado. Morando sozinha num apartamento daquele bairro nobre e de namorado entrando e saindo... se fosse aqui, você sabe. Todo mundo estaria comentando.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como eu fiquei sabendo? Nem te digo. Outro dia passei por lá na volta da consulta médica. Você não me viu, eu estava do outro lado da rua. Mas eu vi. Você chegou com o rapaz num carro novinho. Muito lindo o carro do seu namorado. Eu sempre disse para o meu marido: tem que saber escolher a cor do carro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não, mas, foi só isso. Eu vi você e ele descendo do carro e entrando pelo portão do prédio. Lá só tem uma vaga de garagem? E quando ele decidir dormir no seu apartamento tem que deixar o carro lá fora? Sabe que é um perigo, né, amiga. É nos bairros nobres que os malandros agem. Aqui, coitados, o que eles iam achar?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas você ainda não me disse nada de novo. Continua estudando? Trabalha no mesmo lugar? E a sua mãe, como é que está encarando esta história de você morar sozinha? Coitada, sempre preocupada com os filhos. Eu digo sempre pra ela: agora é a sua vez. Passeia, nada de ficar cuidando dos netos. Está na hora de se divertir um pouco.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não quer mais café? Foi tão rápido. Nem deu tempo para você me contar alguma coisa. Parece que só eu falei. Nossa, será que eu exagerei na conversa. Sabe aquela viúva da terceira casa depois da esquina? Pois é.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A desaforada me chamou de faladeira. Fiquei sabendo. Faladeira, eu? Está certo que eu falo bastante. Mas faladeira não, concorda? Como? Você fez com a cabeça que não concorda. Até você deu para me censurar.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tudo bem, você se enganou, é isso? Não, fica mais um pouco. Está cedo. Fala mais um pouco de você porque senão eu fico com a impressão que só eu falei... &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-7980154705442324974?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/7980154705442324974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=7980154705442324974&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7980154705442324974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7980154705442324974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/11/conto-palavras-cuspidas-sao-armadilhas.html' title='Conto - Palavras cuspidas são armadilhas'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-530344447808320540</id><published>2011-11-18T08:15:00.001-08:00</published><updated>2011-11-18T08:16:02.640-08:00</updated><title type='text'>Andar por ai ou ser politicamente correto</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;No dia 18 de novembro de 1928 nasceu o Mickey. O nome de batista dele é Mortimer. O carinha bebia que nem um poço seco e fumava igual chaminé de fogão de lenha durante o preparo do feijão. Um terror para os padrões da sociedade, mas na época entendia-se que ele havia surgido para dar um contraponto ao ser humano seguro e consciente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Talvez uma mexida. Ou, quem sabe, um tapa na cara. Mas foram os próprios criadores de Mortimer que trabalharam a sua redenção. Ou, diríamos, conciliação com o útil e agradável. Então, por sugestão de Lílian, mulher de Walt Disney, Mortimer ganhou um apelido simpático: Mickey.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Deixou de beber e de fumar. Tornou-se um modelo exemplar de espécime. Mickey é um ratinho, mas no imaginário de quem o lê é um ser protótipo, ideal para nele ser inspirado, sabedor, ciente e consciente, comportado e eterno namorado da Minie. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Poderíamos ousar e dizer que o Mickey, depois de largar a bebida e o cigarro e abandonar o seu nome de batismo, virou uma chatice. Reúna o maior número de gibis dele e confira: raramente o Mickey sorri. E se não sorri, pior ainda quando se exige uma gargalhada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mickey, se transposto para a realidade brasileira, seria aquele cara que ainda criança demonstra precocidade em assuntos complicados. Sim, aquele tipo de criança que a gente enxerga como um velho sábio, quando não cria ojeriza devido ao desnível entre a aparência infantil e a cabeça de doutor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Por isso Mickey namora eternamente Minnie e deixa a impressão de uma relação vencida: é o velhinho namorando a jovem ratinha. Depois, aquela criança precoce será na escola sempre o melhor. Quando começa a trabalhar se destaca e agrada os chefes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Um dia decide-se pelo namoro comportado. Chega o noivado, que só deve ocorrer quando a casa do futuro casal já estiver comprada, mesmo com financiamento da Caixa. E isso dói...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Depois do noivado o Mickey brasileiro planeja o casamento, que de acordo com a sua previsão deverá ocorrer só depois da esperada promoção no serviço. Já casado, o Mickey brasileiro esconde embaixo da cama toda a sua precoce inteligência e faz filhos: um, dois, três e quatro, se o quinto não escapar para o óvulo da mulher. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nessa fase o Mickey brasileiro já está pensando na aposentadoria. O carro ele só compra à vista, nada de financiamento. Aliás, a casa da Caixa já está quitada. E ele pensa numa chácara ou num casa de praia. E corre atrás do imóvel muito antes de saber se a Minnie brasileira e os filhinhos tupiniquins querem mesmo a Casa de praia ou a chácara. É ele quem decide.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E chega a aposentadoria. E a vida acaba. Aliás, chata, demorada e sem acontecimentos que mexem, o Mickey brasileiro é igual ao Mickey do Walt Disney: um conformado com a vida como ela é. É muita ousadia dizer que o Mickey é um carinha politicamente correto? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Há quem prefira subverter e mencione o poeta Francisco Otaviano de Almeida Rosa (1825-1889), num trecho muito conhecido: “&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;Quem passou a vida em brancas nuvens&lt;/span&gt; / &lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&lt;span style="float: none;"&gt;E em plácido repouso adormeceu,&lt;/span&gt; / Quem não sentiu o frio da desgraça,&lt;/span&gt; / Quem passou pela vida e não sofreu&lt;/span&gt; / Foi espectro de homem, não foi homem, / Só passou pela vida, não viveu.”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-530344447808320540?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/530344447808320540/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=530344447808320540&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/530344447808320540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/530344447808320540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/11/opiniao-andar-por-ai-ou-ser.html' title='Andar por ai ou ser politicamente correto'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-5839008674986578076</id><published>2011-11-17T09:29:00.000-08:00</published><updated>2011-11-17T09:30:16.278-08:00</updated><title type='text'>Crônica - Em papo de futebol tem que ser doutor</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Arroz, feijão, batatinha, bife e futebol. A bola das vez é o Corinthians. E eu, falso torcedor de um time decadente, nem sei mais qual é a cor da sua camisa. Era verde, agora sei lá qual tonalidade colocaram no caldeirão da tinturaria.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O almoço é na base do prato feito. Comida para ser engolida, no máximo, em 15 minutos. Nada a ver com economia. É que o restaurante é pequeno e se o trabalhador demora na mesa chegam outros e ficam rodeando. Às vezes lançam um olhar intimador do tipo: “Tu não se toca não?”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Por isso mesmo é que nesta quinta-feira, dia 17 de novembro de 2011, como apressado e obrigado. Obrigado sem relação com agradecimento. Obrigado a saber que o Corinthians agora é líder do Campeonato Brasileiro com 64 pontos e para conquistar o penta pode até empatar uma das três últimas partidas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E tenho detalhes: só pode empatar se o Vasco tropeçar lá na frente. Em outro ambiente eu participaria da conversa usando ironia: “E se tropeçar lá na frente perde a chuteira na grande área adversária? Não dá para marcar descalço?”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Fico quieto. Silêncio, porque este assunto o senhor não domina. Conformo-me, porém, pois posso não ter conhecimento de classificação, tabela, desempenho de jogador, erro do juiz e reação da torcida. Justo, eu não assisti o jogo do Corinthians. “Quanto mesmo foi o resultado? Um a zero? E o Corinthians ganhou? Que bom... contra quem mesmo foi o jogo? Ah, Ceará...”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nessa tentativa de me enturmar a minha batatinha escapou do garfo. Tão dura que estava, pulou do prato e rolou por três mesas. Disfarço e vejo que na queda esbarrou na barra do jeans da mulher do lado e deixou uma mancha de óleo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sorte que saio do constrangimento da batata com um assunto mais familiar: Flamengo! É que li de manhã que o clube comemora aniversário neste 17 de novembro. Pelo menos isso eu sei e posso participar com segurança da conversa:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;“Pois é, o time presidido pela Patrícia Amorin comemora aniversário de 116 anos em crise financeira. Nem o contrato com o Ronaldinho está certo. É um time histórico. Surgiu em 1895 com as cores azul e ouro. Só depois mudou para o vermelho e preto. E começou só com o remo. Por isso se chama Clube de Regatas do Flamengo. Futebol ali só foi iniciado em 1912. O primeiro jogo, no campo do América, foi de goleada: dezesseis a dois sobre Mangueira em jogo apitado por Belfort Duarte...”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A essa altura o bife já estava crocante de tão seco e seboso. A última batatinha do prato nem deu para o gosto, porque foi misturado ao arroz puro. É que o feijão veio uma mixaria e dele nem mancha restou. E eu contando a história do Flamengo. Para ninguém...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pois após criarem certa expectativa em torno da partida da noite, pela Libertadores, concluíram que o Figueirense ganharia e deixaria o Flamengo no chinelo. E foram embora, palitando os dentes. Que desaforo!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-5839008674986578076?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/5839008674986578076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=5839008674986578076&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5839008674986578076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5839008674986578076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/11/cronica-em-assunto-de-futebol-tem-que.html' title='Crônica - Em papo de futebol tem que ser doutor'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-6299424581880274019</id><published>2011-11-16T08:41:00.000-08:00</published><updated>2011-11-16T08:41:09.660-08:00</updated><title type='text'>Conto - Nosso brinquedo de papel</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;O barco feito de folha de caderno eu dispensei. Ficou perdido em algum lugar fora do meu controle. Sei que tinha um texto seu, escrito especialmente para mim. Na verdade eu não o li. Sim, porque o barco que você me deu eu o perdi.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ou não me dei conta. Ou o barco nem chegou a mim. Talvez você tenha se equivocado por culpa de dúvidas se o barco com a mensagem deveria cumprir o seu trajeto. E ele tenha ficado no seu porto a balançar, deteriorar e naufragar, levando junto o texto e a mensagem que eu não li e nem sei do que trata.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não minto, se soubesse teria respondido. Ou, delicado nas omissões, teria ao menos acenado que o seu barco chegou, mas sem o recado, por ter enfrentado no percurso tempestades que engoliram a tinta da caneta. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Certo, por enquanto eu perco por ter vacilado. Eu quis ser gentil e fui falso. Inventei uma nau e seu trajeto quando me perguntou sobre o seu barco. Pensei que você se referia a um brinquedo qualquer feito com folha de caderno. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Só despertei sobre o meu erro quando áspera você me acusou de não saber responder a pergunta que me fazia no texto desenhado no casco de papel. Foi uma tentativa de consertar uma situação. Veja que compliquei ainda mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não, o seu barco nunca atracou no meu porto. Ele deve ter ficado no caminho ou nunca você o colocou a navegar. Por isso eu não pude responder. Nunca houve, enfim, uma pergunta. E só agora eu me questiono sobre o que perdi. Quem sabe eu tenha ganhado. Me desculpe.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E você, está pronta para repetir a pergunta? Se não te interessa retomar um assunto de tão longa viagem e trajeto acidentado, ainda assim eu respondo, agora consciente e sem medo de errar: querida, o seu barco não chegou até mim porque você o reteve nas suas águas. Passado tanto tempo, creio que o que eu pudesse te dito na época em que o fabricou ficou à deriva. Convém não ajuntar as letras que forem encontradas no caminho. Será muito difícil transformá-las em frases que possam ser entendidas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Assim, minha amiga, continuamos, ambos, cafajestes sem soluções para nada que nos diz respeito. Estamos acostumados a isso, concorda?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-6299424581880274019?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/6299424581880274019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=6299424581880274019&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6299424581880274019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6299424581880274019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/11/conto-nosso-brinquedo-de-papel.html' title='Conto - Nosso brinquedo de papel'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-3022258668541743413</id><published>2011-11-14T09:33:00.000-08:00</published><updated>2011-11-14T09:33:25.531-08:00</updated><title type='text'>Conto - Distância e tempo, tempo e distância</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;A voz ao telefone é apenas amigável. Respeitosa mas longe, em nada se parece com aquela de tempos atrás. Velhos amigos, porém cansados, apenas se suportam e cumprem com a obrigação de se falarem de vez em quando.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É praticamente uma vida o que sustenta o contato. Um passado agora trocado por intervalos variados, porque ela e ele mantém em suas agendas os telefones um do outro na lista dos favoritos. O ontem foi realmente de mútuas prioridades. E as listas deixaram de ser atualizadas, com ambos mantidos em destaque. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os telefonemas eram, no mínimo, diários. Nos bons tempos houve ocasiões de muito exagero, com um ligando e o outro respondendo duas ou três vezes de manhã, mais três ou quatro de tarde e quatro ou cinco à noite, no curto período em que não estavam juntos. E as madrugadas eram de valores elevadas nas contas pagas às operadoras de telefonia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Valia a pena. Ela amava ele e ele amava ela. Assim se juravam e planejavam algo eterno. Loucura que não tem fim e se renova. Sem rotina para evitar desgaste. Como se cada contato fosse o primeiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Era desse jeito &lt;st1:personname productid="em tudo. No" w:st="on"&gt;em tudo. No&lt;/st1:personname&gt; café da manhã, no almoço, na janta, no lanche da tarde, no passeio no calçadão, nas idas ao shopping, nas compras e na cama. Exceto os costumes teimosos e encralacados, o resto se pautava na fuga do que foi ontem para experimentar de um jeito diferente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No sexo, até obscenidades passaram a ser consentidas. Da cama passaram ao sofá, do sofá foram para a área de serviço, da área de serviço optaram para a máquina de lavar. Até que desceram para a sala de ginástica do condomínio, onde a bicicleta ergométrica passou a comportar em alguns horários de pouca freqüência do local dois corpos no acento e quatro pés nos pedais.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não se sabe se o que dava sentido a aquilo era o aparelho ocupado por duas pessoas ou a possibilidade de um flagrante. Ambos admitiam que as duas hipóteses eram válidas. Mas como nada podia ser repetido por mais vezes do que o necessário, havia o consenso da busca do mais interessante: no carro estacionado na garagem do prédio, na rua, na praia, na piscina, no escritório, no elevador e haja mais opções.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quanto aos demais elementos da relação, há tempos não se tinha mais cabeça para fazer diferente. Café com mais leite, leite com mais café e pronto. Pão esquentado no microondas hoje e aquecido na chapa amanhã. Manteiga ou margarina. Suco de laranja ou melão. Por esta rua ou por outra. No mercado antes ou depois.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E foi crescendo um vazio. Não havia como criar nada de novo. No começo ambos negavam essa possibilidade, embora assumissem um comodismo. Para compensar, gastavam o estoque do inusitado no relacionamento físico. Com a janela aberta e a luz acessa, na porta do apartamento, na escadaria, com o carro em movimento e nada mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Decidiram evitar outras ousadias e o vazio foi mais sentido. O que acontecia várias vezes ao dia passou a ser diário. Não durou muito e virou semanal. E depois mensal, bimensal, trimestral e já faz tempo que eles apenas se conversam por telefone. Sem euforia e declarações forte, ambos se toleram como bons amigos. É o que restou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-3022258668541743413?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/3022258668541743413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=3022258668541743413&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3022258668541743413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3022258668541743413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/11/conto-distancia-e-tempo-tempo-e.html' title='Conto - Distância e tempo, tempo e distância'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-4242802864505294490</id><published>2011-11-11T12:55:00.001-08:00</published><updated>2011-11-11T12:59:18.972-08:00</updated><title type='text'>Conto - Grades, correntes e cadeados fechados</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Lícia dispensou o café hoje cedo. Preferiu um suco natural de laranja colocado no ponto com duas pedras de gelo. Na pressa, esvaziou o copo com quatro goles enquanto ajeitava as tiras das sandálias e acertava as alças do vestido por cima do silicone do sutiã. Os cabelos foram presos com uma tiara de forma a não caírem sobre as orelhas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Arrumou-se com simplicidade. E sem querer destacou a sensualidade escondida. O vestido claro descia na medida até a cintura, sem mangas e com decote cavado, mostrando uma pele macia e clara. Depois abria-se em roda até abaixo dos joelhos, com caída perfeita graças ao tecido macio e ao desenho e corte adequados para a medida: nem gorda e nem magra, Lícia estava no peso e não se descuidava da balança.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nos pés, quase nada. As unhas, em vermelho, é que davam cor, deixando para o segundo plano o trançado duplo de cor clara e pouco enfeite. Sim, uma discrição surpreendente para uma mulher acostumada a carregar no tom da maquiagem. No rosto, só o baton. Nos cantos dos olhos os leves sucos das rugas não foram disfarçados. E reforçaram a expressão serena e altiva de uma pessoa disposta a enfrentar o dia com mudanças importantes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Na alimentação, o suco no lugar do café. Sem pão e sem manteiga. Nada de açúcar ou adoçante. Nas roupas, o vestido em vez do jeans apertado e a blusa justa, complementadas com os calçados de salto e o perfil prepotente da fêmea agressiva. Na maquiagem, o leve baton. Só as unhas mantiveram o vermelho forte nas mãos e nos pés. Mas cabiam no conjunto e até aliviaram a alvura de todo o resto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Na condução, Lícia trocou a corona com o marido pelo percurso a pé até o trabalho. Saiu vinte minutos mais cedo e caminhou, aproveitando a solidão para pensar o que mais precisava alterar no seu projeto de vida. E ali estava a principal etapa a ser refeita e resolvida.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Lícia sentia-se presa a um casamento que no começo nada mais foi do que sexo. Depois virou parceria e agora chegava à conveniência. Uma prisão sem correntes e nem grades que prendia ela a ele e ele a ela. A solução parecia fácil. Talvez ele esperasse por um posicionamento dela. E ela pedia a si própria que a manifestação partisse dele.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas nada se fazia de parte ou outra. E ambos já se haviam dado chances para o início das conversas. Mas ele nem telefonou a ela para perguntar porque havia dispensado a carona de manhã. E ela nem precisou retornar ligação para avisar que havia preferido almoçar com os colegas do trabalho e ele devia esquentar a sobra da janta. E assim foi por longas madrugadas de insônias, Lícia e ele vivendo juntos. Apenas isso, eternizado e comendo a vida por dentro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-4242802864505294490?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/4242802864505294490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=4242802864505294490&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4242802864505294490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4242802864505294490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/11/conto-chave-da-mudanca-e-do-cadeado-da.html' title='Conto - Grades, correntes e cadeados fechados'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-8206206961905873612</id><published>2011-11-10T05:55:00.000-08:00</published><updated>2011-11-10T05:55:25.018-08:00</updated><title type='text'>Conto - Um celular no vibrador engana e muito</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;E ela ria. Era um riso misturado: timidez e contentamento. Havia uma causa, não era à toa. E a causa era dela. Exclusivamente individual, egoísticamente indivisível. Sem possibilidade de um aluguel temporário ou empréstimo com dividendos consideráveis. Nada disso. Dela, somente dela.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ela ia de ônibus para algum lugar. Bancos ocupados, corredores apertados e ela, de pé, esticando os braços para segurar lá &lt;st1:personname productid="em cima. Nas" w:st="on"&gt;em cima. Nas&lt;/st1:personname&gt; costas uma grande mochila cheia de algumas coisas: babador, travesseirinho, tapa-olho, esmalte, lixa, acetona, espelho com o emblema do São Paulo, reserva de absorvente feminino, pão com mortadela, banana e chicletes. Um peso, coitada! &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Presa no pescoço por uma tira, o aparelho de telefone celular colocado no vibrador balançava na altura do umbigo. Quanto mais curva o ônibus fazia, mais o celular batia no corpo após virar de um lado a outro. Nas paradas, mais balanço e mais o aparelho se mexia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Atrás um fulano bem ajeitado, novinho, o tipo pretendido. E o ônibus fazendo curva e balançando. Não só o celular. Também o corpo dela. E, quem sabe, o dele também. Por que não? E o ônibus parando, arrancando, dobrando esquinas e indo. Ela rindo, o telefone balançando e batendo no umbigo, os corpos se encostando. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ela pendurada com as mãos esticadas no pegador lá do teto. Ele atrás fazendo de conta estar indiferente e alheio ao que acontecia com a moça da frente. E vai o motorista apertar o pé no acelerador, fazendo os corpos jogarem para trás. E pisa no freio, levando os corpos para frente. E faz curva, jogando todos para os lados. E as mãos esticadas, os ombros doendo com o peso da mochila, o pão com a mortadela cheirando e a banana amassando.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ela rindo. Um riso tímido e contente. E quem tivesse a capacidade de decifrar aquela expressão diria que ela se achava satisfeita e realizada por um motivo muito especial. Era realmente uma carinha de felicidade imensa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E ela rindo, até que percebeu que as cócegas que sentia na barriga descoberta eram causadas pelo vibrador do celular, que havia sido acionado mais de dez vezes naquele curto trajeto.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Então ela não riu mais. Não era a mão daquele rapaz que a tocava após cada curva, cada parada, cada esquina dobrada e cada saída brusca dos pontos de ônibus.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-8206206961905873612?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/8206206961905873612/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=8206206961905873612&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8206206961905873612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8206206961905873612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/11/conto-um-celular-no-vibrador-engana-e.html' title='Conto - Um celular no vibrador engana e muito'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-2746388770956466549</id><published>2011-11-09T10:21:00.001-08:00</published><updated>2011-11-09T10:21:43.270-08:00</updated><title type='text'>Conto - Só ela tem a cura para sua dor profunda</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Dor esquisita aquela que acomete Narinha. Tira-lhe a voz e esconde o seu sorriso. Coloca-a indisposta e meia que largada, quase um zumbi andando sem rumo. Ela dispensou a ajuda de médicos. Disse que daquela dor ela se cura. Leva tempo, admitiu ter conhecimento. Mas assumiu por si própria buscar a cicatrização que, sabe-se lá onde vai deixar marca.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Narinha comentou certa vez que sua dor é profunda. Que vem lá de dentro e por não ser de ferida exposta não alivia com uma boa pomada. Também difere da dor muscular. Então nem a massagem serviria para alguma coisa. Nada tem a ver com os ossos. Dispensa-se, portanto, medicamentos e exercícios.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Queixa-se que dói muito mais que uma queimadura. Que arde no coração. Sufoca o peito, cria angústia e vira para uma agonia estranha. Que é uma dor constante e não vem de pontadas que torturam o físico e atrapalham o raciocínio.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A dor que Narinha sente e descreve faz pensar. E quanto mais se pensa mais dói. E se dói torna impossível parar de pensar. Estranho isso! Ela confidencia que parece um vício: dói e se pensa na causa da dor; e se tenta manter a cabeça vaga, mas elas voltam, a dor e o pensamento, uma alimentando a outra.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Recomendaram uma terapia, vai que se tenda para o prazer. E se for assim a dor vira uma nicotina e o pensamento se transforma em cevada, amarelando as pontas dos dedos, aumentando a cintura, destacando as estrias e, realmente, tornando Narinha dependente de um sofrimento.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É quando ela foge e substima o que sente. Avisa que é uma dor de cotovelo, coisa de amor não correspondido, e que uma cotoveleira comprada em qualquer farmácia se não cura de vez pelo menos alivia. Então se percebe que Narinha quer manter a dor e o pensamento que a sustentam. Para dar tempo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Só ela sabe que a cura depende de uma cirurgia na alma para consertar um desamor do passado ou extirpá-lo de vez com um transplante que coloque um novo amor lá dentro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-2746388770956466549?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/2746388770956466549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=2746388770956466549&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2746388770956466549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2746388770956466549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/11/conto-so-ela-tem-cura-para-sua-dor.html' title='Conto - Só ela tem a cura para sua dor profunda'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-6181994967420486709</id><published>2011-11-08T09:52:00.001-08:00</published><updated>2011-11-08T09:52:16.089-08:00</updated><title type='text'>Conto - Jogo de aflições e de destemperos</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;O campo é enorme para o futebol do menino. As traves tem redes. O gramado é um tapete. A bola tem brilho e cheiro de novo. A camisa pesa. Parece cair pelos ombros raspando a pele. O pano do calção dança conforme se anda. Da cintura descem as pontas do cadarço que o mantém no corpo do menino. As meias, sem as dobras, cobririam as coxas. E as chuteiras incomodam. Pesam, seguram a articulação dos pés. As travas fincam mais do que deviam. O calcanhar pega e atiça o calo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O time entra em fila indiana. O menino está lá no meio e segue o da frente automaticamente. Não fosse assim imagina que teria de ser empurrado. O técnico grita ordem na fila e mais rápido. É para correr e não andar. Um atrás do outro lá para o meio do campo. Sem bagunçar. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E ali naquela risca imaginária é só seguir o capitão, não tem como fazer errado. Quando todo mundo estiver parado cumprimenta a torcida. Juntos. Ninguém cumprimenta antes e nem depois. Vira para o outro lado e cumprimenta a torcida do outro lado. Também juntos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E toma aqui a bola, sobra tempo para um aquecimento. Dá uma corridinha, acostuma os pés com a grama. Olha que essa bola está no calibre oficial. Não é aquela mambembe e amarrada. Ela foge dos pés se não tiver domínio. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Treina uns passes. Mande de bico para o gol. Recebe e ajeita, brinca com ela, não se intimida. Está com medo da torcida, menino? Agora é jogo, vamos lá, faz de conta que ela não existe. E vê se não titubeia. Aqui se der bobeira está morto para o jogo. Isso é disputa, vale ponto, se está com medo fale agora e nem começa a partida.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Você vai descer pela esquerda, tem que criar um corredor. E se vier o adversário olhe sempre para os lados, procura alguém para passar e receber lá na frente. Não tenta enfeitar e dar uma de bom. Isso aqui não é brincadeira. Divide com os companheiros, não seja egoísta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Lá na frente, está vendo aquele de cabelo longo? Ele é mais alto que você. Mas tem que dar um jeito nele, na arte ou no esbarrão. Ele é grande mas você é melhor. Arte ou esbarrão tem que te dar vantagem. Se livra dele sem medo e lança. É um chutão sem frescura lá no meio, você sabe fazer isso. Se esqueceu mando logo para casa. Vai lá na arquibancada e assiste o resto do jogo com os pais. Comigo é assim.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E deu o apito inicial. A bola chegou a ele rápido. O menino desceu pela esquerda. A camisa desceu nos ombros. O cadarço do calção parecia solto. A chuteira ardeu no calo. E lá na frente o gramado pareceu a linha do horizonte. Longe, sem fim. A bola escorou no pé do primeiro adversário, que deu um gingado, enfeitou com a direita e passou correndo mais do que o menino podia. E o jogo acabou para ele na tentativa do primeiro ataque. Pesou nele a responsabilidade e isso o técnico não havia previsto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-6181994967420486709?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/6181994967420486709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=6181994967420486709&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6181994967420486709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6181994967420486709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/11/conto-jogo-de-aflicoes-e-de-destemperos.html' title='Conto - Jogo de aflições e de destemperos'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-5067194880211825436</id><published>2011-11-07T04:08:00.000-08:00</published><updated>2011-11-07T04:08:56.802-08:00</updated><title type='text'>Conto - Mais dessas coisas de ligações perigosas</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;O problema é que Adamastor era avesso a essas coisas de tecnologia e ganhou de Laurita um aparelho de telefone celular com tudo o que não se usa e só atrapalha quem precisa apenas do básico para se comunicar: atender e ligar. O de antes nem FM tinha. Era o botão vermelho para ligar e desligar, o verde para atender e os números para discar. E aquelas letrinhas junto com os números Adamastor nem se importava para que serviam.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi no segundo aniversário de namoro que Laurita presenteou o amante com aquele negocião que mais parecia um notebook. E cadê os números? Como se faz para ligar? Precisou Laurita dar uma aula e mostrar que o teclado qwerty era retrátil. Bastava uma leve pressão na base e surgiam as letras em branco. Mas cadê os números? Bem ali, em preto, junto com algumas das letras. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Em casa Adamastor informou à esposa e os filhos que havia tirado o novo celular numa rifa. Sabe, ação entre amigos, daquelas que nem se espera retorno e só se compra para ajudar um colega ou outro em dificuldade.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E de repente sai a sorte. A rifa, na versão passada à família, custou apenas cinco reais. E o aparelho, segundo levantamento que a filha fez na internet, custava dez parcelas de noventa e sete e setenta e oito.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi por isso que Nilzete, esposa de Adamastor, queixosa e melosa reclamou ser pé fria até nas rifinhas de um real para sorteio de panetone. E Adamastor completou que só ganha quem arrisca. Que cara de pau! Ah, se Nilzete soubesse qual era o risco...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O novo celular tinha GPS, Wi-Fi, 3G, Bluetooth, porta-treco para cerveja, caniveteira elétrica, palito de dente, fio dental, cotonete, pinça para tirar pelo das orelhas, barbeador e só não funcionava tudo isso porque ficava nas mãos de um brucutu da tecnologia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E daí começaram os problemas. Laurita gostova de arriscar e de colocar o amante em risco. Costumava telefonar lá pela meia noite e meia, sabendo que naquele horário Adamastor fazia o seu esforço para ser um homem presente na vida conjugal. Era difícil, mas ele comparecia sim. Pelo menos uma vez por semana acontecia, depois de Adamastor se inspirar em realidades lá de fora para chegar ao ponto e gritar, estou presente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Para confundir Laurita, Adamastor variava os dias. Se na semana passada foi quinta, nesta jamais seria na sexta e muito menos na quarta. A sequência fugia estrategicamente do crescente e do decrescente. Então de quinta caia para o domingo, do domingo para sexta, da sexta para segunda. Assim havia menos possibilidade de numa ligação de Laurita quando a coisa estava em andamento.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Porque se assim acontecesse Laurita perceberia pelos vacilos na voz do Adamastor. E ela não pouparia. Xingaria, ameaçaria rompimento e viria com insinuações, do tipo: e se sua esposa fica sabendo de mim, heim? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E foi justamente na sexta que Laurita ligou lá pela uma da madrugada. Adamastor já estava de costas para Nilzete, após explicar que naquele dia não daria, o trabalho havia acabado com qualquer ânimo. Depois das insinuações Laurita apelou para o meloso, com o repetido eu te amo, o cansativo preciso tanto de alguém para fazer massagem, o enjoativo recurso de tentar causar ciúme: o vizinho estava me espiando pela janela e ele me viu nua...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nervoso, Adamastor, no escuro, fazendo de conta que conversava com um colega infeliz com a troca de seção, tacou o dedo numa tecla e ativou o viva-voz justo na hora em que Laurita se queixava que enquanto ela dormia sozinha Adamastor tinha a companhia da esposa, aquela gorda de cara enrugada e cabelo de bruxa. Nilzete ouviu muito bem quando Laurita, sem dó, desferiu: ela parece um barrilzinho, acho que por isso você não larga dela...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-5067194880211825436?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/5067194880211825436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=5067194880211825436&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5067194880211825436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5067194880211825436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/11/conto-mais-dessas-coisas-de-ligacoes.html' title='Conto - Mais dessas coisas de ligações perigosas'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-5910178323596435932</id><published>2011-11-04T10:10:00.001-07:00</published><updated>2011-11-04T15:56:09.029-07:00</updated><title type='text'>Conto - As ligações denunciam casos proibidos</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sorrateiros. É assim que Adalgisa e Antero se obrigam a conviver. Ajuntam cotidianos de restrições e cuidados e nem sempre conseguem momentos a sós. E quando consolidam parte do tempo é gasto em cobranças de um e outro, briguinhas por ciúmes e provocações. O resto é de sussurros entremeados por palavrões.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sim, é assim que se completam: cobranças, briguinhas, provocações, sussurros e palavras desenfreadas no tom e no conteúdo. Não há, para ambos, outra receita para o prazer. Há um consentimento velado, quase um código de postura: o que não se faz em casa é permitido aqui.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mesmo ao telefone as conversas entre ambos são comedidas. Frases cortadas ao meio e mensagens enigmáticas até chegam a causar suspeita. Certas vezes Adalgisa conversa com Antero fazendo de conta que uma amiga está no outro lado da linha. E Antero, no celular, é chamado de Maria, Raquel, Leila ou qualquer outro nome de mulher. Isso incomoda, mas ele tem de aceitar. Pelo menos tem o consolo de poder ouvir de Adalgisa o slogan dos amantes: “Eu te amo, minha amiga! Abração e muitos beijos!”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pior para Antero. Ele precisa caprichar nos assuntos de futebol ou dos negócios para falar com Adalgisa e ela odeia os dois temas. Exceto quando ele improvisa bem, como nas supostas ironias dos times que perdem ou ganham: “Se o verdão ganhar eu passo a mão na tua bunda durante uma tarde inteira...”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Assim não se cria desconfiança, pois nas conversas de futebol as besteiras são permitidas em praticamente todos os ambientes. É uma espécie de linguagem admitida que comporta, sem discriminação, inclusive o uso de apelos sexuais para reduzir o provocado. Dizer em circunstância normal que vai apalpar a bunda de outro homem é suspeito. Mas se colocar futebol no meio está liberado. É pura provocação. Assim Antero pensava.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Adalgisa era casada com Lindomar. Antero estava amasiado oficialmente com Maria da Conceição. E foi que um dia Adalgisa flagrou Lindomar com o celular colado no ouvido, falando baixo, quase aos sussurros. Quando Adalgisa se aproximou Lindomar aumentou o tom da voz e começou a criticar o governo por causa da proposta de aumentar as taxas do Detran.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No meio dos xingamentos quem estava do outro lado da linha era um tal de Renato. Conversa vem, indignação vai e, por descuido, na despedida Lindomar se desfaz de Renato, que na verdade era Laura, com um abraço especial e um beijo na boca.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Antero também descobriu que esses namoros secretos por telefone dão encrenca. Ele percebeu quando Maria da Conceição, num contato com uma pessoa que ela chamava de Rita, deu aquele suspiro de sensação estranha e virou os olhinhos quando disse tchau e mandou um beijo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-5910178323596435932?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/5910178323596435932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=5910178323596435932&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5910178323596435932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5910178323596435932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/11/conto-essas-ligacoes-denunciam-casos.html' title='Conto - As ligações denunciam casos proibidos'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-139196713449702181</id><published>2011-11-03T08:59:00.000-07:00</published><updated>2011-11-03T08:59:23.632-07:00</updated><title type='text'>Conto - Esperteza, sorte e muito sucesso na vida</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu vou falar de Antonio, cabra esperto e de sorte que veio da roça ainda moleque e se fez na construção civil lá de baixo. Começou como ajudante de ajudante. Depois virou ajudante. E agora tem ajudante.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É trabalho, costuma dizer aos outros que insinuam nele um certo apego aos colegas que são chefes. Servil, Antonio tem dessas coisas de bondade. Vai lá buscar um maço de cigarros e ele sai correndo, na frente de qualquer um. Pé aqui e outro ali e Antonio está de volta com a encomenda na mão.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Manda ver uma água gelada senão a peãozada não agüenta neste calor e Antonio já vai lá adianta, com o garrafão térmico na mão, bater na porta da vizinha do canteiro de obras para pedir a gentileza. E nunca houve quem não o atendesse.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Segura o portão senão esse troço cai nas costas do eletricista que está mexendo no motor do acionamento automático e surge, não se sabe de que canto, Antonio escorando sozinho aquele peso. Muito prestativo o menino. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ele pretende chegar a mestre de obra, mas por enquanto vai se contentando como pedreiro. E não é por incapacidade. Antonio manja do assunto. Não fosse por ele o piso do quintal da obra recentemente entregue pela empreiteira ia ficar sem caída, ajuntando água nos cantos. E a laje lá da porteira daquele sobradão? Feita na massa pura quase que foi entregue sem as caixas para instalar a luz. Se Antonio não percebe o instalador é que ia ter motivo para criticar a empreiteira.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Acabamento. Sim, essa era, na verdade, a especialidade de Antonio. Um retoque mal feito, um quebradinho no canto do piso recém-assentado e assim por diante. E ninguém tinha motivos para por defeito no que ele fazia. Antonio não deixava rebarba.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Um dia veio a sorte grande naquele canteiro de obras, mas o único contemplado foi Antonio. Deu lá uns vinte e poucos mil reais da quadra da mega e o dono da empreiteira até se assanhou com a possibilidade de uma sociedade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas Antonio, eita cabra de visão, pretendia mais. Quebrou cabeça pensando em que aplicar o dinheiro, que ajuntado às economias dava um valor interessante. No sarro disseram a ele montar uma indústria da multa, mas ele não é bobo. Sabe que isso é das prefeituras, dos estados e das autoridades federais, que contratam empresas de fiéis parceiros para tocar o negócio e repartir os lucros.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Fiéis, esta é a palavra certa. Então Antonio planejou o útil ao agradável e anunciou que ia montar uma igreja. Bateu cabeça três noites e quatro dias pensando num nome: dízimo diga quem és? Até que não era mal, mas ainda fraco em apelo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E veio nesse período gente pedindo emprestado. Antonio não nega. Mas cobra alto pelo empréstimo desde que tenha uma boa garantia &lt;st1:personname productid="em troca. Já" w:st="on"&gt;em troca. Já&lt;/st1:personname&gt; se passaram oito meses desde que o prêmio saiu e Antonio já está com dois carros na garagem. A conta bancária dobrou. E Antonio, agora, já pensa em ser político ao mesmo tempo em que comanda a turma de peões da construção na empreiteira que tomou de um ex-proprietário endividado. É danado o menino.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-139196713449702181?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/139196713449702181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=139196713449702181&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/139196713449702181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/139196713449702181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/11/conto-esperteza-sorte-e-muito-sucesso.html' title='Conto - Esperteza, sorte e muito sucesso na vida'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-8004424122512636622</id><published>2011-10-31T12:29:00.000-07:00</published><updated>2011-10-31T16:08:58.341-07:00</updated><title type='text'>Conto - Cerveja, cigarro e monólogo com o doutor</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sou um cara reto, doutor. Bebo um dedinho de vez &lt;st1:personname productid="em quando. Nada" w:st="on"&gt;em quando. Nada&lt;/st1:personname&gt; destilado. Só na espuma mesmo. O único defeito é que quando bebo acendo um cigarro. E depois vai outro e mais outro. E chega quando eu nem percebo que acendo na bituca porque nem carrego isqueiro. E sabe como é, doutor. Não gosto de incomodar os outros pedindo isqueiro emprestado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ah, quando eu fumava não lembro de ter saído sem isqueiro no bolso. Mas também eu não gostava de emprestar o meu. Era parar na frente da loja e acender um que lá vinha alguém pedindo emprestado. Se fuma tem que carregar isqueiro e cigarro, não é doutor?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Agora é assim. Só quando dou uma talagada de cerveja eu fumo. Sei que não presta, doutor. O senhor mesmo já disse que não faz diferença fumar um cigarro ou o maço inteiro. O mal é o mesmo. Mas é de vez em quando, doutor. Posso dizer que, se não fosse a cerveja, desse mal eu já estaria curado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas é só de vez em quando, heim, doutor. Sou franco com o senhor. Aliás, devo a vida ao senhor. Depois que parei de fumar foi uma bênção, nem tem comparação com antes. Ando, subo, desço, jogo uma bolinha quando dá, corro ali e nada. Até consigo visitar mais a patroa e nenhum cansaço. Claro, depois que eu bebo cerveja e fumo o dia seguinte é um martírio. Daí é que eu sinto que o senhor tem muita capacidade. Amolece tudo, dá tontura, parece labirintite. Não sei como é que eu teimo ainda, né doutor? Mas o senhor tem razão.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Fumar um cigarro e um maço inteiro não tem diferença não. Então que outro dia, na sexta, cheguei ao bar lá pelas seis e meia da tarde. Nem horário de verão era ainda e o escuro caiu cedo. Comecei com uma amarguinha só para abrir. Mas foi só para abrir mesmo, viu doutor? Um trago que não deu um dedinho. Engoli de vez e esperei descer. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Queimou, viu doutor. Depois que a gente desacostuma dói. Ardeu daqui da garganta até lá embaixo. Senti depois o corpo tremer e pensei que estava com doidura. E esperei um bom tempo para pedir a seqüência. Foi uns cinco minutos até eu chamar o dono do bar para ele abrir uma garrafa. E demorei para esvaziar a danada. Claro, não deixei perder o gelo, mas demorei sim senhor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E naquela hora decidi que seria sem cigarro. Só geladinha. Mas depois de começar atrapalha tudo e a gente fica meio fraco, isso eu confesso. Nem lembro quando pedi o maço que só encontrei no bolso, vazio, quando cheguei tempo depois &lt;st1:personname productid="em casa. Também" w:st="on"&gt;em  casa. Também&lt;/st1:personname&gt; não garanto que fumei tudo sozinho, viu seu doutor? Eu acho que devem ter cerrado a metade. Impossível eu ter fumado tanto em tão pouco tempo. Só fiquei no bar até lá pela uma da madrugada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E então doutor? O que dá para fazer agora? Mais exames? E olha que eu não exagerei mesmo, doutor. O senhor me conhece. Aquela recomendação que o senhor me passou na última consulta fica aqui na cabeça martelando. O duro é que pelo menos uma vez na semana tem que terminar a noite com amigos. E é quando chega a cerveja e depois o cigarro correndo atrás. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ta certo, doutor. Semana passada foram três noites. Cerveja e cigarro atrás. Exagerei um pouquinho. Aceito que o senhor me reprove. Mas não é sempre assim. Semana retrasada foi apenas duas noites. Claro que na anterior, por causa do feriado, foi quase a semana toda. Mas agora estou normalizando, né doutor?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E então? O senhor não está dizendo nada. Só eu falo, doutor. O que eu faço com essa dor no peito? Deve ser coisa normal, né doutor? O senhor me passa um remédio e fico pronto...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-8004424122512636622?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/8004424122512636622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=8004424122512636622&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8004424122512636622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8004424122512636622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/conto-cerveja-cigarro-e-monologo-com-o.html' title='Conto - Cerveja, cigarro e monólogo com o doutor'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-2224965577300351212</id><published>2011-10-28T12:00:00.000-07:00</published><updated>2011-10-28T12:00:39.423-07:00</updated><title type='text'>Crônica - Se o cão pensasse todos seriam loucos</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;É sol de chuva. Quente e abafado, é cruel com todos: faz suar, respirar apertado, andar mole, prosseguir lento e suplicar por sombra. Ali na porta da repartição tem um cão. Boca aberta e língua de fora, ele se põe preguiçosamente bem onde as pessoas passam. Pachorrento, a sua indiferença parece um recado: os incomodados que façam o contorno.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Na calçada em frente tem gente subindo e gente descendo. Na portaria onde o cão descansa há quem entra e há os que saem. Ali é local de serviço. Apressados entregadores correm com encomendas. Impacientes motoristas vão e vem enquanto aguardam seus passageiros. Os serviços gerais, mais tolerantes, contam os minutos no ponteiro do relógio para ver quanto falta para encerrar o expediente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O cão é imprevisível. Às vezes olha os que cheguem. Outras vezes está atento ao que passa lá longe e parece nem perceber que alguém se desviou dele num susto. Tem gente que chega sozinha e quieta, mas o cão encara sem qualquer ameaça. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A impressão é que ele tem apenas curiosidade. E quando se aproxima uma turma barulhenta, falando em tom de voz mais elevado que o de costume, nem imaginem que o cão se levanta temendo um confronto e preparando a defesa. Ele fica na dele. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Coincide certo momento de chegar ou sair pessoas quando o cão late. Mas descobre-se que sua manifestação foi por outras causas. E se vê lá adiante outro cão de rua invandindo o território do cão que faz o descanso na porta da repartição. A interferência dele é com a sua espécie. Os humanos, se o cão da portaria se importasse, que façam o que bem quiserem desde que não me incomodem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi quando apareceu um grupo de autoridades, cercado de assessores, simpatizantes, puxa-sacos, aliados que traem, parceiros que camuflam e interesseiros. Um falando mais que o outro. Fazendo um zuado insuportável com palavras jogadas fora em falsos elogios, pedidos de comissões, quebra-galho daquilo, emprego para o cunhado e bobagens. Tantas...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E o cão nem deu licença. Deixou a turba passar espremendo-se na porta, fugindo de eventuais pulgas e com cara de nojo da pelagem suja do animal. O cão, olhar altivo lá na frente na defesa de seu espaço, se realmente pensasse estaria matutando: e esse povo ainda acredita nessa cambada de embusteiros...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-2224965577300351212?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/2224965577300351212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=2224965577300351212&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2224965577300351212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2224965577300351212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/cronica-se-o-cao-pensasse-todos-seriam.html' title='Crônica - Se o cão pensasse todos seriam loucos'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-5772156175916777929</id><published>2011-10-27T12:59:00.000-07:00</published><updated>2011-10-27T12:59:21.658-07:00</updated><title type='text'>Crônica - Eu tô politicamente correto, pô...</title><content type='html'>Troquei de carro. A cor do outro tinha alta concentração do pigmento escuro melanina. O de agora até aparenta ser rosado devido a vasos sanguíneos sob a pele. O outro tinha de potência uns setenta e dois mamíferos hipomorfo da ordem dos ungulados. Este tem cento e dois, todos importados e devidamente quarentenados conforme manda a lei. É ração! Mas são trinta a mais puxando carroceria do mesmo tamanho e isso é politicamente correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que o manual do fabricante desprezou informação importante: seriam eles da subespécie Equus ferus, cujas fêmeas são as éguas, os machos garanhões e os filhotes potros? Aprofundamentos técnicos às vezes são dispensáveis. Mas seria politicamente correto não tê-los? Eis a questão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as portas? O outro tinha apenas duas. Este tem quatro. Os corretores e as lojas de revenda argumentam, na hora da negociação, que quatro portas tem mais saída. Assim, em caso de sinistro, se não der para sair pela frente, pula-se o banco e foge-se por uma das portas de trás. Pensei também entrar na era do câmbio automático. Mas o carro disponível estava com defeito. Só tinha dois pedais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aquela árvore que plantei no terraço do prédio? Tive, infelizmente, que derrubar. É que as folhas esconderam a lâmpada-piloto, aquela que avisa o comandante do avião que aqui embaixo tem um prédio com gente dentro, pô! E veio a fiscalização com uma notificação politicamente correta: corta, recebe multa ou transfere a planta para o quintal do vizinho ambientalista... fiz o que era melhor. Como é que eu ia replantar o abacateiro carregado bem onde o vizinho guarda o carro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fui saber o que é o sistema de cotas. Disseram que não consta nada em relação aos amarelos. Insisti. Falei do sushi e do sashimi, perguntei se já haviam provado tsukemono. Responderam que só gostavam de lombinho de porco agridoce. Politicamente correto, esclareci que este prato não é do Japão. É chinês, pô! E porco não se come. Se lava, pô!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na conversa com a moça do guichê? Usei palavras adequadas, em tom formal e convincente, fala devidamente pausada nas vírgulas e nos pontos. Caprichei na exclamação e enfatizei a interrogação. Quando terminei o discurso e abri os olhos a moça estava lá fora fumando um cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assumi também postura mais coletiva em relação aos vizinhos. Chamei a mulher do 904 no canto, ao lado da porta do elevador, e recomendei que ela tivesse cuidado com um tal de Pedro Bial. E a senhora perguntou o motivo. Informei que o indivíduo invade as casas das pessoas com um bando de mulheres sem roupas e um grupo de homens que ficam de olho nos outros homens. E nisso passou o vizinho do décimo quarto. Sabe-se lá o que ele fazia a pé na escadaria. E mandou ver com um recado: estávamos discriminando gênero e o nosso destino seria o fogo do inferno durante o Valentine’s Day. Inglês aqui não, pô!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fomos ainda ensinar à filhinha da mulher do térreo uma cantiga. Para contribuir com o resgate de uma brincadeira antiga. Cantei um trecho do atirei um pau no gato-to-to e a fulana da mãe me deu um sermão de vinte minutos na frente da viúva do 501, aquela por quem eu tinha um apreço. E ela, a viúva, politicamente incorreta debochou tanto da gente que o botox perdeu o efeito e escancarou umas rugas grossas no rosto quando ela gargalhou. Pô...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-5772156175916777929?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/5772156175916777929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=5772156175916777929&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5772156175916777929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5772156175916777929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/cronica-eu-to-politicamente-correto-po.html' title='Crônica - Eu tô politicamente correto, pô...'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-277218910971306459</id><published>2011-10-26T16:41:00.001-07:00</published><updated>2011-10-26T16:41:51.152-07:00</updated><title type='text'>Crônica - Duas palavras para reforçar o amor</title><content type='html'>Quem dera fosse eu um poeta desses que mancham com a essência da alma a folha de papel. Imagino que teria como mudar a curva do rio para este lado, à direita do grande arbusto que daqui o vemos longe, para que sua sombra fosse possível às nossas intenções.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Tornaria a água cristalina e cataria pedras toscas do leito, fazendo delas jóias preciosas a ornamentar o seu jardim. Buscaria os pássaros e construiria rimas com os seus cantos. Pintaria a velha casa de madeira da cor dos seus cabelos. Enfeitaria o seu pomar com frutas suficientes ao nosso deleite.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Mais adiante usaria as palavras para traçar um caminho de terra ladeado de flores e grama. Dispensaria a métrica. Seria um poema concreto com versos que falam e não se declamam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E as flores seriam o seu perfume. As folhas reservariam orvalho para a sua sede. A mancha verde da vegetação rasteira serviria como lençol. E a minha alma traçada no papel seria o sinal do meu inegável apreço, como se nele apenas eu houvesse escrito: quero você.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-277218910971306459?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/277218910971306459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=277218910971306459&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/277218910971306459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/277218910971306459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/cronica-duas-palavras-para-reforcar-o.html' title='Crônica - Duas palavras para reforçar o amor'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-542855055046685061</id><published>2011-10-25T12:14:00.000-07:00</published><updated>2011-10-25T12:14:39.327-07:00</updated><title type='text'>Conto - O amor platônico é a marca que fica</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi um amor platônico porque não aconteceu. Nunca houve beijos e afagos. Mas sobraram vontade e intenção. Nada mais além disso, pois as portas da possibilidade se fecharam sem estrondo, porém rápidas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Cecília sabia disso e aceitava. Nas aulas de filosofia omitia-se quando o tema versava sobre essas coisas. Amor socrático. Ou amor platonicus, como se utilizava lá, muito longe, nos séculos passados. Em ambos os casos, o amor sem motivo para o pudor. O amor da amiguinha pelas amiguinhas. O amor do amiguinho pela amiguinha. Podia ser o amor da mãe para o filho. Ou do filho para a mãe. Enfim o amor sem pretensão física, de irmão para irmão, colega para colega. Na palavra espetada e direta, amor sem sexo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É, porque há quem diga que uma coisa tem a ver com a outra. Cecília, porém, tinha um conceito muito bem alicerçado. Em circunstância normal rebatia com firmeza a todos que se referiam ao sexo como amor. Do tipo, fiz amor com o meu namorado. Ou a minha namorada queria fazer amor comigo ontem. Como se o amor fosse algo a ser feito. Amor é sentimento. Sexo sim, se faz. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Às vezes Cecília até aceitava quando alguém dizia que sem amor não havia como ter sexo. Mesmo admitindo que este tipo de fala é discursivo. Pois se não houvesse sexo sem amor a prostituição iria à falência. Isso é coisa só de homem? Cecília era uma pessoa de bom senso. Para ela, a necessidade física confundida como amor é comum a todos os gêneros. A diferença é que a mulher é mais segura e, portanto, controlada. E muitas vezes essa postura é reflexo do que a própria sociedade pensa: quando o assunto é sexo, mulher não pode fazer o que o homem faz.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Isso era o cúmulo para Cecília. Pensamento arcaico e discriminatório. Postura de atrasados. Cultura de rodapé. Ela mantinha que mulher faz e pode sim senhoras e senhores. Mas desde que por vontade e ciente que vai extrair daquilo resultados desastrosos. Como o nojo por ter encontrado um parceiro porco. O vício pelo fato do parceiro ter sido satisfatório. O medo porque o parceiro não soube quebrar a dor com o prazer. E enfins.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No nível dela, Cecília, uma moça de pouca leitura, músicas de emissoras FM e filmes de televisão, poderia se dizer que eram conceitos avançados. A própria defesa dos direitos iguais, inclusive na prática do sexo, era demonstração disso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas perpetuou-se que a teoria era tanta que a prática sempre dava &lt;st1:personname productid="em frustração. Cecília" w:st="on"&gt;em frustração.  Cecília&lt;/st1:personname&gt; curtiu um amor platônico por um rapaz por quase um ano. Ela nunca se declarou. E quando ele se foi por algum outro motivo Cecília se tocou que havia perdido muitos beijos, abraços, afagos e sexo do melhor por ter cultivado um amor que não é transformado &lt;st1:personname productid="em acontecimento. Soube-se" w:st="on"&gt;em acontecimento. Soube-se&lt;/st1:personname&gt;, tempos depois, que o rapaz nunca desconfiou do amor platônico de Cecília por ele. Aliás, ele sim tinha um sentimento platônico por ela e, por isso, a considerava como uma irmãzinha. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-542855055046685061?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/542855055046685061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=542855055046685061&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/542855055046685061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/542855055046685061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/conto-o-amor-platonico-e-marca-que-fica.html' title='Conto - O amor platônico é a marca que fica'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-9213104345460675726</id><published>2011-10-24T12:35:00.000-07:00</published><updated>2011-10-24T16:12:44.045-07:00</updated><title type='text'>Conto - Quando a loira Luciana se chama Antônio</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nem a lua da unha Marina enxerga hoje. As mãos estão sem trato e adquiriram uma aspereza irritante. Parecem encapadas em luvas de lixa grossa, tão salientes que dariam para alisar os calcanhares que não permitem mais o uso de sandálias.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Há certa consciência sobre o descuido físico. Marina relaxou a partir daquele momento. Entregou-se ao desmazelo de si própria. Permitiu que a manta da estima chegasse ao chão por motivo banal, o amor, como disseram pessoas próximas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Deu motivos para comentários inclusive irônicos. Maldosos, houve quem perguntasse sobre a situação das axilas, que esconderiam tufos de pelos. E das outras partes, sem as depilações que eram rotineiras, imaginaram que houvesse uma mata.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Comentários de gente sem ter o que fazer. Pessoas que procuram desgraça para alimentar boatos. Ao ponto de dizerem que ela tinha buço, aquele bigodinho marcante que se esconde com um bom produto de maquiagem e acertos da face.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Marina namorou Camilo por dois anos e uns sete meses, se contar que tudo começou num jantar de confraternização de fim de ano que reuniu afetos e desafetos de um mesmo ambiente de trabalho. Loucura esse tipo de acontecimento. O sujeito briga o ano todo com colegas e depois é obrigado a trocar presentes. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Oficialmente o namoro foi de pouco mais de um ano e meio. Em seguida o noivado. E já se falava &lt;st1:personname productid="em casamento. E" w:st="on"&gt;em casamento. E&lt;/st1:personname&gt; olha que Marina nunca foi de se desprezar. Morena, estatura média, cabelos exageradamente lisos depois da chapinha, mas ajeitáveis sem ela. Nem gorda e nem magra. Um tipo apresentável. Dependia da roupa que usava, mas às vezes chamava atenção.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O próprio Camilo dizia que Marina era um tipo de mulher que fisicamente não tinha aquela belezura de endoidar. E se gabava pela parceira não ser daquelas de resvalar &lt;st1:personname productid="em libidos. Para" w:st="on"&gt;em libidos. Para&lt;/st1:personname&gt; o noivo Marina era apenas bela, ajuntando belezas do corpo e da alma. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Parecia uma relação consistente. Beijinhos de despedida de manhã, telefonemas na hora do almoço, abraços e beijos no encontro do final de expediente, benzinho pra lá, fofinha pra cá, flores, restaurantes e planos do tipo de gesso para a sala de jantar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Até que surgiu Luciana, nova vizinha de frente do apartamento onde Camilo morava no décimo segundo andar de um condomínio de classe média. Loira, alta, corpo de modelo, olhos azuis quando o sol batia de frente e verde quando se punha atrás das nuvens, esta mulher de uns quarenta e poucos batia realmente em muitas meninas de vinte. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Camilo era do tipo galanteador e metido a besta. Se com as vendas da empresa fazia uns mil e oitocentos de comissão, nas conversas com os vizinhos multiplicava por três, no mínimo, além do fixo, só para dizer que estava estabilizado. E Luciana vislumbrou um bom partido. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Coincidências no elevador para catar o molho de chaves que ela deixava cair, encontros inesperados na garagem do prédio, idas ao supermercado próximo no mesmo horário e batidas na porta para emprestar chave de fenda, trocar uma lâmpada ou desligar o chuveiro que estava com problemas tornaram-se rotina.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E foi mesmo no banheiro de Luciana que Marina pegou Camilo. Lá estava ele, de bermudão e sem camisa, acertando a temperatura da água de Luciana, que na verdade se chamava Antônio e sem a peruca era um ruivo siliconado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi o bastante. Marina, que sustentava até a possibilidade de ser traída pelo parceiro por qualquer outra morena, já que Camilo sempre dizia que detestava as loiras, não suportou ser trocada por um homem. E relaxou. A ponto dela mesma admitir que a partir daquele epsódio só namoraria com outra mulher. E olha que aquela vizinha da esquina em frente anda falando que Marina dá um bom caldo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-9213104345460675726?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/9213104345460675726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=9213104345460675726&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/9213104345460675726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/9213104345460675726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/conto-um-no-da-loira-luciana-que-se.html' title='Conto - Quando a loira Luciana se chama Antônio'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-7971636048440939672</id><published>2011-10-21T12:56:00.000-07:00</published><updated>2011-10-21T12:57:13.861-07:00</updated><title type='text'>Conto - Jogo de bola quadrada e de casca grossa</title><content type='html'>Veio uma bola quadrada e bateu de quina no peito do zagueiro. No rebate ela arredondou, mas foi no pé esquerdo do atacante adversário que aliviou, escorou e levantou para o outro lado, onde o lateral direito descia fugindo do marcador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um jogo de correria. Lances rápidos e certeiros do outro lado. Vacilos pra cá. De bola tocando a canela e fugindo. Aqui ela vinha quente, queimando. E não havia quem a controlasse. Lá ela deitava submissa e sentia o chute como uma carícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos vinte e sete do primeiro tempo teve um lance estranho. Ela veio no chuveirinho e nem zunia. Apenas se oferecia para ser deitada suavemente na grama, até ser devolvida para o goleiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nego, confiante, subiu para aliviar a trajetória e até planejou um enfeite. Aliviaria a pressão da bichinha pouco acima da testa e faria ela rolar pelas costas, de forma a chegar ao calcanhar, ser rebatida com destreza e lançada por cima, lá para o meio do campo. Ele chamava aquilo de bicicleta invertida, embora fosse uma chaleira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E veio a bola descendo no rumo do côncavo da cabeça, bem no meio. Era certeza de jogada certa. Mas não é que a bichinha entortou a três palmos e pegou de lado, quase no olho direito? Foi um susto e depois o tempo para recobrar a consciência. Já desperto nego viu o seu goleiro pegando a bola quase em cima da risca. Ao lado os companheiros cuspindo, amaldiçoando, mandando ele ir para o chuveiro. Lá adiante a torcida quieta, feito platéia de funeral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nego, lá sozinho, levantou a saia da camisa larga e desengonçada para limpar o suor do rosto. Ou esconder a cara. Depois do jogo levou para casa a goleada do time adversário por 7 a 2 sobre a equipe da casa. Dizem os mais calmos que apesar da falha no primeiro tempo ele defendeu bem e não foi o responsável por nenhum dos gols sofridos. Mas os radicais não perdoaram. Nada falaram a ele durante o banho. Os olhares de desconsideração é que disseram tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho a pé até a casa de um bairro simples, nego percebeu a quietude solidária da mulher. Mas o filho, franco e pronto, tentou aliviar: “Pai, aquela bola desceu como se fosse feita de cimento. Não tinha mesmo como dominar”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-7971636048440939672?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/7971636048440939672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=7971636048440939672&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7971636048440939672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7971636048440939672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/conto-jogo-de-bola-quadrado-e-de-casca.html' title='Conto - Jogo de bola quadrada e de casca grossa'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-3307389432316159481</id><published>2011-10-20T13:06:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T13:06:55.789-07:00</updated><title type='text'>Conto - Acender a esperança e esperar...</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ela telefonou hoje para ele. Depois de muito tempo e espera. A ausência durou algumas temporadas de chuva, veranicos em pleno inverno, mudanças abruptas de temperatura e angústia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ele conferiu por meses o registro de chamadas perdidas no celular. Havia a expectativa de uma ligação não ter sido percebida. Remexeu a caixa de entrada do e-mail caçando mensagens que não foram enviadas. Chegou a pensar em desistir de esperar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A ruptura foi drástica. Ela partiu decidida a seguir em frente e ele era o atraso, a volta para o ponto de partida de um círculo. Sair de um ponto e chegar ao mesmo lugar depois de uma torturante caminhada, assim ela havia classificado a relação com ele.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Isso foi dito de um jeito a evitar réplicas. Qualquer direito de resposta seria uma vã tentativa. E junto o recado quase explícito dela: não telefone, não mande mensagens, não passe em frente de minha casa e se me vir na rua faça de conta que não percebe.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ele agüentou o quanto pode. Por dias, semanas e meses conteve a necessidade de ligar, escrever, visitar, ver, acariciar, ser, mostrar que a queria de volta. Rascunhou mensagens e deletou. Apertou nas teclas do celular os dígitos que formam o número dela e cancelou. Ousou fazer o percurso que levava a ela e andou até quase lá. Procurou-a em locais onde ambos se viam e até confundiu pessoas que se pareciam com ela. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E quando fraquejou foi consciente. Mandou a ela uma música que é um pouco daquilo que ambos experimentam longe um do outro. Fez isso sabendo que acenderia nele próprio uma esperança perdida. Mas, quem sabe... e fez isso correndo o risco de um silencia dela.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Hoje ela telefonou para ele, que ainda não sabe se ela entendeu o recado quase explícito na letra da música. Mas ouvir a voz dela e perceber o tom brando é motivo para esperar. Quem sabe...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-3307389432316159481?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/3307389432316159481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=3307389432316159481&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3307389432316159481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3307389432316159481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/conto-acender-esperanca-e-esperar-quem.html' title='Conto - Acender a esperança e esperar...'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-3415846387320880857</id><published>2011-10-19T10:23:00.000-07:00</published><updated>2011-10-19T10:24:44.778-07:00</updated><title type='text'>Crônica - O silêncio é a balbúrdia dos solitários</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Dei-me ao direito de ser egoísta na hora do almoço. Elimine, por favor, qualquer possibilidade de prato cheio, carne de primeira tirada quente da grelha, fartura na salada e caloria transbordando da bandeja. O que escolhi foi o silêncio do ambiente de trabalho num momento de solidão. Ninguém na escrivaninha da frente. As mesas do lado estão vazias. Nenhum rangido da porta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Este direito estende-se, inclusive, às contradições e choques de conceitos. Como definir a solidão ao isolamento justo quando tanto se diz que tendemos a ser solitários no meio da multidão. Estar só, portanto, não quer dizer que escapamos da balbúrdia, que nos atormenta a seu modo, sem pedir licença e marcar data e hora. Disfarçada, costuma nos visitar nas madrugadas travestida de insônia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi a esta balbúrdia que me entreguei em troca da refeição do meio do dia. Egoísticamente e sem pudor, fazendo daquilo um deleite. O barulhoço interior tinha que ser só meu. Eu e os meus fantasmas escorados no encosto duro da cadeira, sem onde descansar as pernas e a necessidade de adormecer, misturado com o temor de ser importunado numa hora especialmente individual.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não há improviso que compense. A cabeça pende para trás e o pescoço dói. Os olhos querem fechar, mas o cérebro acorda ainda mais. Ele traz as fichas de cada situação, com anotações em destaque dos erros e acertos. Nomes, instantes, fisionomias e sensações aparecem cobrando o que não foi feito e o que se fez além do que devia ser.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;São notificações feitas com rigor por aquele eu que está quase em transe, num estado estranho entre o adormecido e o desperto. Muito diferente do fim do sonho ruim, quando damos graças por aquilo ter sido apenas um pesadelo. Aqui é o contrário: queremos dormir, mas temos medo de perder o instante. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;E se num vacilo ele se for, não teremos como analisar as nossas fichas e arquivá-las depois numa ordem que nos permita acesso e reflexões sobre o que fomos, o que somos e o que queríamos ser. É capaz de essa perda significar uma eterna fuga, quando sabemos que chegará o momento de pararmos para olhar o passado sem temor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-3415846387320880857?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/3415846387320880857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=3415846387320880857&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3415846387320880857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3415846387320880857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/cronica-o-silencio-e-balburdia-dos.html' title='Crônica - O silêncio é a balbúrdia dos solitários'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-8300227882763388513</id><published>2011-10-18T10:52:00.000-07:00</published><updated>2011-10-18T10:52:08.985-07:00</updated><title type='text'>Conto - Água e esfregão só eliminam manchas</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;O café derramado na camisa branca nem mancha deixou no tecido. A peça foi lavada com urgência, na unha, com o esfregar típico de mãos firmes que eliminam o encardido mesmo que as mãos enruguem com o excesso de água.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi um acidente, esta seria a explicação conveniente. Na verdade, um esbarrão de passagem. Mas é de se considerar que havia espaço suficiente para dois corpos se cruzarem sem atrito. O líquido preto e quente espirrou na batida e caiu na altura dos peitos, descendo escuro pela barriga.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Alguém viu de longe a cena e imaginou que era uma agressão: em vez de um soco, uma copada. Elizabete nega ter havido intenção. Aliás, ela garante não lembrar de nada. Admite que estava com muita pressa e diz que não sabe se estava com o café na mão. Nem imagina ter esbarrado &lt;st1:personname productid="em algu￩m. Portanto" w:st="on"&gt;em alguém. Portanto&lt;/st1:personname&gt;, desconhece ter sujado a camisa branca de Leandro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ambos mantinham um namorico, algo que começou com uma palavra, passou para duas, subiu para três e ganhou jeito de capítulo que nunca acaba. Antes secreto, aquilo passou a ser percebido mesmo antes da admissão de ambos. E vieram as conversas maldosas, as ironias e as insinuações a espetar o sossego do ambiente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como também as provocações. Tanto Elizabete quanto Leandro passaram a ser mais assediados por colegas. Eram formas de trazer a situação à tona por descuido de um dos dois. Diríamos que Elizabete passou a receber cantadas, na cara dura, de homens que ela nunca havia percebido se interessarem por ela. E Leandro até abraços mais demorados passou a merecer de algumas meninas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas os namorados secretos decidiram segurar-se sobre a onda, embora aceitassem que algumas provocações iam longe e criavam constrangimentos e até ciúmes. O café na camisa branca foi resultado disso. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eleonora provocou Leandro com um beijo no rosto dado sem ocasião que o justificasse. Elizabete viu e ficou cega. Partiu em direção aos dois com o firme propósito de acabar com a palhaçada. E nem precisou de um esbarrão para fazer o líquido espirrar do copo plástico. Ela só errou o alvo. O café era para atingir os dois, mas só Leandro ficou manchado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sorte que a água devolveu a alvura ao tecido. O duro foi o rapaz ser acusado de ter dado mole à colega que o beijou na face, quase na boca. E faltou mesmo muito pouco, nisso Elizabete tinha razão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-8300227882763388513?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/8300227882763388513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=8300227882763388513&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8300227882763388513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8300227882763388513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/conto-agua-e-esfregao-so-eliminam.html' title='Conto - Água e esfregão só eliminam manchas'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-401910316941234121</id><published>2011-10-17T12:18:00.000-07:00</published><updated>2011-10-17T12:19:06.988-07:00</updated><title type='text'>Conto - É tanta paz que até causa incômodo</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Marluci dizia que a paz era uma situação utópica quase no ponto de atingir solidez. Reforçava que era como fazer um bolo: acertar na quantidade de ingredientes, bater no tempo recomendado e errar na temperatura do forno. O bolo estufa acima da borda da forma e depois achata. Fica um pudim estalado no prato.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Definição estranha o dessa menina. Cabia alguém questionar a que paz ela se referia: estabilidade financeira, carro com revisão feita, casa devidamente organizada e limpa, amor aos delírios ou emprego garantido? É muita paz. Mesmo que apenas metade desta lista batesse, poderia se dizer que o ideal estaria no ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ontem ela relacionou causas e efeitos durante conversa com as amigas da universidade ao redor da mesa de um ambiente requintado. Fez uma narrativa segura usando de argumentos precários, mas convenceu aquele público. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Do tipo: o carro que o pai deu de presente é completo, mas o asfalto da cidade não ajuda; as finanças não preocupam, pois a família deposita a mesada sem atrasos e com reajuste muito acima da inflação – o que enche é a greve dos bancários; a casa a empregada deixa em dia, no entanto a vizinha do andar de baixo insiste em deixar pela fresta da porta recados deselegantes sobre o barulho de saltos altas horas da madrugada; o amor vai se levando, mas é complicado administrar a lista de pretendentes sem criar constrangimentos; e o emprego, depois da formatura o pai dá um jeito, mas será um saco providenciar a papelada para o registro no conselho. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Com tantos senões, realmente é compreensível Marluci ser uma desiludida com a paz. São tantos os incômodos que é de dar pena. Teve naquela conversa um momento de mais fogo. Marluci chegou ao stress quando uma das amigas perguntou se o bolo que ela comparava à utopia era um exemplo extraído de situação própria. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A menina fez aquele jeitinho de indignada e respondeu que nem pensar. Completou a cena com um beiço, virou a cara e só então explicou que era apenas testemunha desse desacerto culinário. A mão na massa era o da empregada e o bolo que virou pudim foi para o lixo depois de um sermão naquela pobre que nem para a cozinha presta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mais stressada ficou quando uma colega meio distante, daquelas que não entram no círculo de amizade, passou por ali e com firmeza e voz alta cumprimentou: “Tudo bem com você, Marluci? Há quanto tempo...” A fulana ficou sem resposta e nem o tradicional beijo na face mereceu. É que Marluci, para os mais íntimos, é Malú. E vem aquela chata anunciando para todo o mundo, num lugar de alto nível, que o nome da nossa personagem é Marluci. Como as pessoas gostam de acabar com a paz das outras. Que coisa... &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-401910316941234121?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/401910316941234121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=401910316941234121&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/401910316941234121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/401910316941234121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/conto-e-tanta-paz-que-ate-causa.html' title='Conto - É tanta paz que até causa incômodo'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-6975605947099282378</id><published>2011-10-14T13:04:00.001-07:00</published><updated>2011-10-16T16:19:59.947-07:00</updated><title type='text'>Crônica - A quem me ensinou a desenhar letras</title><content type='html'>Bom dia dona Marilda! Acordo apertado por uma curiosidade: quantas pessoas aprenderam a ler e a escrever com a senhora? Veja que o ser humano, às vezes, tem que ser espetado com força para saber valorizar coisas importantes do passado. Confesso que é assim também comigo. Só me veio a indagação porque conferi no calendário colado à cabeceira da cama que hoje é 15 de outubro. Sim, Dia do Professor, isso nunca esqueço.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Então me pus a relacionar nomes de todas as pessoas que na minha vida escolar ocuparam a mesa em frente da sala de aula, com o quadro-negro às costas. Redesenhei perfis e momentos com muito critério. A hora da chamada, os instantes de fúria com os alunos bagunceiros, os óculos sustentados pelo nariz, a indignação pelo flagrante de uma cola, as estratégias diante da lousa para surpreender a turma que fazia guerra de papéis enquanto a professora ou o professor ficavam de costas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Olha, dona Marilda! Tem nomes que não recupero. E sem nomes me fogem as fisionomias, o tom da voz, o jeito de lidar com a turma e muito mais. Fica uma vaga, como se eu tivesse pulado direto por aquela série. Tenho a impressão que esse esquecimento é um efeito psicológico: mestres que nada me acrescentaram estão fora do meu arquivo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Sim, porque as professoras e os professores que consigo resgatar ou são merecedoras e merecedores de um apreço especial ou de uma raiva que não é aquela que machuca. É uma raiva que não consigo definir se é de mim mesmo. Verdade, dona Marilda! Não abrando e nem santo sou para posar de arrependido pelas travessuras que aprontei.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E me chegam alguns nomes: a professora Ana escolhia os meninos e as meninas mais bem vestidos para apagar a lousa, buscar giz na secretaria, chamar a diretora para a sala quando preciso. A professora Denise era diferente: nunca percebi preferências nela. Também nunca a vi sorrir. Exceto as diferenças físicas, a professora Conceição é outra que na consigo resgatá-la sorrindo. Como também tratava cada aluno com igualdade, inclusive os bagunceiros. Mas a professora Denise era mais baixa e gorda que a professora Conceição, exageradamente magra e bem mais alta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E Edezina? Séria, mas nem por isso poupava o sorriso leve e meigo de vez &lt;st1:personname productid="em quando. Magra" w:st="on"&gt;em quando.  Magra&lt;/st1:personname&gt;, quase mulata e de estatura média, conquistava sem fazer exageros a simpatia da turma. O professor Juliano tinha o perfil de um autêntico mestre. Mas aproveitava alguns momentos de descontração para falar de seu filho, o goleiro Ado, que chegou a fazer sucesso num grande time de São Paulo e foi convocado para a Seleção Brasileira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Na mesma época veio o professor Olympio, com uma frase de costume manifestada após as perguntas respondidas pelos alunos nas argüições. Quando a resposta estava certa, o professor dizia: “Quem sabe o mal que se esconde atrás dos corações humanos”. No caso de resposta errada, ele perguntava: “Tem certeza?” E se o aluno respondia que sim, o professor Olympio completava: “Confessou, azarou...”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Já na faculdade, puxo o arquivo e trago os nomes da professora Luzia, da Sonia, da Maria Rosa, da Leange, do Chico, da Linda, do Robério, do Romélio e assim vai. A Linda um dia escreveu na minha prova que não era para eu ficar papagaiando. O Romélio, de curta passagem pelo curso de Comunicação da UEL, um dia me chamou num canto e disse que o meu texto era comunista. O Chico me levou para o primeiro emprego no jornalismo. A Leange me ensinou a diagramar no papel. A Luzia foi uma grande incentivadora.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Então, dona Marilda! Acha que o primeiro nome que citei é o seu por ter sido a minha primeira professora? Está enganada, isto seria muito simplista. Ainda tenho a imagem daquela professora jovem e determinada ensinando cada aluno da turma a desenhar as primeiras letras. E foi preciso uma data comemorativa para eu lembrar da senhora...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-6975605947099282378?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/6975605947099282378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=6975605947099282378&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6975605947099282378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6975605947099282378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/cronica-quem-me-ensinou-desenhar-as.html' title='Crônica - A quem me ensinou a desenhar letras'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-6035424331905405775</id><published>2011-10-13T19:06:00.000-07:00</published><updated>2011-10-13T19:09:42.560-07:00</updated><title type='text'>Opinião - Circo sem pão e sem arte é palhaçada</title><content type='html'>Sem lona e nem pipoca, o circo eletrônico do entretenimento é um aparelho de TV. Não há como se mencionar a velha frase aplicada aos casos e eventos relacionados ao uso da comida e do lazer em troca de vantagens, como os votos na política, por exemplo: pão e circo e ganha-se uma eleição.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;O circo eletrônico, ao contrário, cobra mais do que oferece. Ou cobra e pouco ou nada oferece. E quem tem acesso aos seus espetáculos gasta na compra dos aparelhos receptores dos sinais de televisão, na energia elétrica consumida, no conjunto de sofá e poltronas a ser pago em parcelas mensais, no teto que abriga os equipamentos e os telespectadores e, com voraz ganância, explorando os proprietários de linhas fixas ou de celulares que atendem os apelos das grandes redes para doar, participar, votar, opinar e, enfim, participar de algum programa pagando para isso o custo de uma ligação. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;É a falsa e besta interatividade. E aqui a pergunta: besta é quem cai na conversa e enriquece as redes de televisão e as operadoras telefônicas? Ou besta é quem engana descaradamente o telespectador com esta interatividade idiota?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Aos domingos, um apresentador de uma das grandes redes de TV chama praticamente todo o cidadão comum de babaca. Faz isso em troca do seu salário de muitos zeros, que passa da casa de um milhão de reais entre o fixo pago pela emissora que o contrata e a participação proveniente dos patrocínios.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Para este apresentador, é babaca o trabalhador que aos domingos veste-se com uma bermuda e entre um número sem graça do programa que ele apresenta e outro número ainda mais sem molho tira um cochilo. É babaca quem o assiste porque ronca enquanto cochila. É babaca o trabalhador que leva um tombo e entra na videocassetada. É babaca a mulher gorda, o homem barrigudo, a criança que não tem condições de um bom tratamento dentário e está banguela. São babacas todos os brasileiros. E há milhões de aparelhos de televisão sintonizados no programa dele. Portanto, babacas que o sustentam com um salário milionário.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;O circo sem pão e sem arte não é só isso. O telespectador precisa saber que na mesma rede as tardes de sábado são recheadas de casos chorosos, de pobres que tem carros recuperados, casas reconstruídas, empregos arranjados e outras coisas que surgem como milagres. Não existe apresentador santo. Existem patrocinadores que pagam além do salário do apresentador os prêmios oferecidos. E o telespectador precisa ter consciência que alguns patrocinadores são do poder público, principalmente bancos estatais. É, portanto, dinheiro público pagando mentira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E nem é preciso falar dos reality show, como os BBBs e os A Fazenda. São programas que dão lucros exorbitantes aos apresentadores, as emissoras de TV e as operadoras de telefonia, expondo os inconscientes participantes ao ridículo e fazendo de conta que nos oferecem atrações. É circo sem pão e sem arte, mas com muita palhaçada. E nós, babacas, pagamos por isso achando que estamos ganhando muito em troca. Nós suamos para pagar isso. Eles riem do nosso suor e ironizam as marcas molhadas que aparecem nos nossos sovacos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-6035424331905405775?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/6035424331905405775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=6035424331905405775&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6035424331905405775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6035424331905405775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/opiniao-circo-sem-pao-e-sem-arte-e.html' title='Opinião - Circo sem pão e sem arte é palhaçada'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-6523545838384790853</id><published>2011-10-12T15:09:00.001-07:00</published><updated>2011-10-12T15:10:30.636-07:00</updated><title type='text'>Conto - O coitadinho é pobre, feio e tão carente</title><content type='html'>A vida lhe deu bordoadas, isso é sabido. Vê-se na expressão que pula de segundo a outro do matreiro ao angustiado. Os olhos carregam no tom questionador, mas há quem confunda estas mudanças.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Faz um tico de tempo e uma dessas manifestações equivocadas sobressaiu. Disseram, algumas mulheres, que ele tem cara de tarado enrustido. Chegaram a afirmar que é daqueles que assombra, amoita e fica pronto para dar o bote. E que quando agarra a presa vai às profundidas e arma no coração dela uma sobrecarga que pode levar ao circuito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;É muito folclore, embora ele tenha lá o seu jeito de lidar com as mulheres. Começa com a postura de coitadinho, aquele com o coração despedaçado de tanta solidão. Carente, e isso é muito verdade, como reflete a cara tristonha de pedinte de amor e compreensão. E de repente surge ela, a presa, disposta a catar cada pedaço daquele coração desmantelado e colar, pacientemente, tratando de acertar com a lixa fina do apreço qualquer saliência que denuncie os reparos. Então ele age.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Que injustiça. Também disseram outras que ele é um maníaco. Que depois da conquista apressa-se no descarte. Que satisfeito com estas sequências vangloria-se intimamente e despreza-as, como se nada tivesse acontecido. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Tudo mentira. Ele é um sujeito singularmente acomodado nessas coisas. Mas admite que é sucessivamente incomodado por assédios femininos e, na fraqueza, cede. Garante que nunca percebe quando a coisa acontece mais ou menos assim. Ele, uma pessoa simples, pobre e feia, entrega-se às mulheres como um amigo sem mais pretensões. De repente, sente-se envolvido e amarrado aos sentimentos delas, que solicitam amor. E sem saída sucumbe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Versões tantas. Cá entre nós é possível acreditar nas duas partes. Na delas cai-se fatalmente na do come quieto e ele é bem isso mesmo: arma com jeitinho e manda ver. Na dele é por ser muito compreensível mesmo: o cara é realmente pobre do bolso, feio de rosto e nem músculo para elas admirarem existe naquele corpo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Sobra então a terceira parte, esta confidenciada por uma amiga: o cara tem uma alma rica de conteúdo. E nos afagos faz qualquer uma tremer de ponta a ponta enquanto vira os olhinhos. E lá vai ele, achando-se vítima daquilo que ele chama de bordoada após cada telefonema de uma delas reclamando da falta de assistência. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-6523545838384790853?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/6523545838384790853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=6523545838384790853&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6523545838384790853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6523545838384790853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/conto-o-coitadinho-e-pobre-feio-e-muito.html' title='Conto - O coitadinho é pobre, feio e tão carente'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-5434265683404229252</id><published>2011-10-10T17:57:00.000-07:00</published><updated>2011-10-10T17:59:24.945-07:00</updated><title type='text'>Conto - E foi-se o querer de Sebastião por Doroti</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu vi Sebastião andar a conversa em círculo para falar a Doroti que sentia algo por ela. Era um vai não vai de palavras enroscadas que não chegava à frase. Brecava muito antes de ter rumo porque a razão fugia. Dava um branco no coitado que até eu, se pudesse, entraria no meio daquele assunto para clarear e dar vazão para o que ele queria dizer a Doroti.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sebastião até cogitou receber treinamento comigo. O que eu pude ensinar transmiti, sei não se ele entendeu: Você estufa o peito, Sebastião. Faz de conta que ali está uma riqueza que você tem que conseguir de todo jeito. Se perder não há de encontrar outra. Se ganhar está com o futuro feito. Assim eu disse a ele, Sebastião.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E ele perguntou se era só isso. Imagine, Sebastião. Estufar o peito é só a pose. Mas estufa o peito feito um pombo que fica aquela bola quase no pescoço. E depois tem que falar. Então Sebastião quis saber o que falar e como. Mas de que jeito é que se conversa, Sebastião? Tem que falar o que está sentindo na hora de abrir a boca. E tem que tirar do coração, puxando com a respiração, sabe? Igual tirar ar do pulmão, tem que dar sentido na frase enfiando a mão lá dentro e esticando pra fora.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O problema é que Sebastião dispensou ensaiar o ensinamento. No horário combinado para a conversa definitiva com Doroti, já que ela já estava descrente de alguma pretensão por parte dele, Sebastião desceu garganta abaixo duas latas de cerveja e de tira gosto mandou três sardinhas fritas daquelas vendidas no bar do Afonso. E foi limão esprimido e muito sal junto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Na hora Sebastião tentou puxar lá de dentro mas errou de onde. Foi um arroto bem no momento que baixava expectativa. Eu só vi Doroti sair correndo. E como xinga aquela danadinha... &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-5434265683404229252?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/5434265683404229252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=5434265683404229252&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5434265683404229252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5434265683404229252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/conto-la-se-foi-pretensao-de-sebastiao.html' title='Conto - E foi-se o querer de Sebastião por Doroti'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-5299588914493694872</id><published>2011-10-07T14:05:00.000-07:00</published><updated>2011-10-07T14:05:51.538-07:00</updated><title type='text'>Conto - O amor deixa marcas se não acontece</title><content type='html'>&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;A última mensagem pediu um tempo. Tentou esconder no pedido de desculpas pela ausência um não vai dar. Mas as palavras e as entrelinhas foram entendidas. Como desfecho, a promessa que alivia o tom da despedida e não se cumpre; “Depois eu telefono...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;Faz muito tempo. Difícil saber se Letícia ainda espera. Às vezes ela estremece ao sentir a vibração do telefone celular na bolsa. Diariamente confere os e-mails que chegam na caixa de entrada. Justifica para si mesma que são hábitos. Resquícios de um tempo e de uma circunstância cuja herança ainda mexe e atormenta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;E se viesse uma ligação ou uma mensagem, qual seria a reação? Atender ou responder como se houvesse normalidade poderia ser vã tentativa. A voz denunciaria algum sentimento. E escritas, as palavras evidenciaram abalos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;O primeiro amor é eterno. Será? Letícia aceitava isso mais como uma concordância de conveniência nas conversas com as amigas. Recurso para encerrar assunto e falar de outras coisas. Mas o tema sempre tendia a ficar, encompridando, largando rabos que incomodavam. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;Se bem que aquele tempo solicitado havia se perdido. Tanto que Leticia experimentou novas relações e nelas até se permitiu mais. O primeiro amor foi de beijos ardentes e afagos. Nada mais. O segundo foi mais. E mais ainda o terceiro, todos deixando marcas que não foram somente sentimentais, pois a sensação física foi intensa e presente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;Depois, um branco. Como se aquilo que se deixou para trás fosse um evento de momento. Então por que aquele namoro sem desfecho nos cantos escuros dos quintais pertuba tanto ainda?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;Foi, na verdade, quase um amor platônico. E este costuma deixar rabisco grosso e extenso justamente porque não aconteceu. Talvez seja isso, pensou Letícia no justo momento em que conferiu o telefone e a caixa de entrada para ver se havia mensagens. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-5299588914493694872?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/5299588914493694872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=5299588914493694872&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5299588914493694872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5299588914493694872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/conto-o-amor-deixa-marcas-se-nao.html' title='Conto - O amor deixa marcas se não acontece'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-4853651022627624967</id><published>2011-10-06T12:58:00.001-07:00</published><updated>2011-10-06T13:00:36.125-07:00</updated><title type='text'>Carta de um pai criança aos filhos adultos</title><content type='html'>Desculpem crianças! Este não é o meu melhor texto. Até tentei de outras formas, mas diante de vocês sinto a minha capacidade de escrita reduzida. Eu, que sempre vinculei o conteúdo da redação ao sentimento de quem escreve, emperro agora nas vírgulas, estes sinais tão corriqueiros e normais. Os parágrafos fecham devagar e invariavelmente tem que ser refeitos. Troco palavras e altero a estrutura da frase. Nada me convence.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Imponho-me, portanto, uma condição: será da maneira que sair e na forma que a espontaneidade permitir. Prometo que serei coloquial, embora receie fazer uso de palavras que são do meu tempo e soem estranhas e distantes para o vocabulário de agora.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Pois é. Seria tão fácil um diálogo... se tivéssemos insistido com aquela relação do passado eu pouparia esta carta. Conversaria, olho no olho, sobre as coisas boas e ruins. Os assuntos seriam variados e até divergeríamos em alguns sem constrangimentos e medo de contrariar um ao outro. Como nas brincadeiras de bola no campinho do bosque próximo de casa. Ou nos passeios familiares de bicicletas, cujo percurso dependia de muitas discussões para ser definido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Duvido que vocês sintam hoje em dia a mesma nostalgia que eu. Na verdade a culpa é minha. Na medida em que vocês cresciam eu fui me afastando, preocupado com o nosso futuro. O financiamento da casa em aberto, a necessidade de ter um carro, a possibilidade de melhor emprego, a luta diária por mais renda foram me afastando das coisas simples que repartíamos nas horas de folga.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Ao mesmo tempo eu passei a enxergá-los como adultos. Fiz de você homens e mulheres precocemente feitos para as batalhas da vida. Deixei de comprar brinquedos ao supor que não havia sentido presentear adultos com coisas de crianças.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Sim, joguei responsabilidades e me portei como um gerente. Esqueci de administrar o outro lado, aquele mais frágil, feito um laço a enfeitar um pacote de presente. Puxado por uma das pontas ele se desfaz e sobra uma fita. Qualquer que seja a sua cor, se opaco ou se brilhante, dessa fita outro laço sairá com defeitos por não ser o primeiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;São anos perdidos crianças! Eu, adulto, fiz vocês crianças se tornarem adultas. Jogamos tantos brinquedos fora. Quantas pipas deixamos de montar? Eu nem ensinei a vocês como usar a cera de abelha no barbante para deixar a fieira de rodar pião no ponto. Na época eu achava que os jogos eletrônicos eram suficientes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Então! Cá estou, agora criança. Decidi recuperar pelo menos parte do que perdi, após dar com a cabeça em paredes e pouco ter conseguido nos projetos que me colocaram às vezes contra os patrões ou os colegas. Não fiquei rico, mas criei inimigos. Experimentei por mais de uma vez a solidão sem saber qual era a causa. Iludi e me iludi. Machuquei e me machuquei. Até busquei a fama na profissão e descobri que não sou nada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Tenho ainda a chance de tê-los crianças, para que os erros que cometi não os peguem lá adiante? Asseguro que a pipa que eu montar hoje terá muito mais do que papel, varetas e linha para mantê-la no ar. Agora sou criança de verdade e vou confeccioná-la com amor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-4853651022627624967?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/4853651022627624967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=4853651022627624967&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4853651022627624967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4853651022627624967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/carta-de-um-pai-crianca-aos-filhos.html' title='Carta de um pai criança aos filhos adultos'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-6236138530824257065</id><published>2011-10-05T11:49:00.000-07:00</published><updated>2011-10-05T11:49:32.797-07:00</updated><title type='text'>Conto - O tempo das perguntas sem respostas</title><content type='html'>O peso é pouco e nem marca deixa no assento da poltrona de modelo antigo. Confortável, a peça tem braços em madeira trabalhada. Imita o colonial com certa perfeição, embora alguns traços denunciem a fabricação contemporânea pela falta de detalhes na produção com o uso de torno. Nada ali é artesanal, vê-se muito bem.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;A senhorinha de cabelos grisalhos, miudamente acomoda nela, nem faz questão. O que importa é que tem encosto com inclinação e maciez na medida adequada. Nem mole e nem dura, evita que o corpo vergue e a espuma forme um côncavo ou um convexo. Fosse assim causaria dores nas costas em pouco tempo. Nem reta e timidamente diagonal, permite que o corpo fique quase ereto e não incomode a coluna.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;A altura do assento parece ter sido planejada. As plantas dos pés ficam inteiras no chão. Não é preciso escorá-las pelos dedos ou, quando cansar, plantar os calcanhares para evitar que fiquem pendurados. É importante, assim, avaliar que a gramatura da espuma é da mesma forma adequada. As nádegas caem bem e as coxas das pernas se acomodam horizontalmente, sem alto e nem baixo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Sim, os braços de madeira exigem improvisos. Duas toalhas, uma de cada lado, sustentam os cotovelos enrugados e aliviam a pressão. Nada mais do que isso é necessário. A senhorinha pouco exige. É o seu lugar de ficar quando não está deitada. Ela acorda cedo, muito antes do dia clarear. Mas só troca a cama pela poltrona quando os adultos despertam e alguém a carrega de um lugar a outro. Nem à mesa pode ir para o chá da manhã, as pernas não permitem. E vem a bolacha doce molhada no chá morno, tudo digerido numa velocidade muito menor do que o organismo exige. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E vem a higiene feita por uma mulher de expressão doce, mas calada. De nada adiantaria a empregada dizer qualquer coisa. A senhorinha não conseguiria responder. E vão as crianças para a escola. E saem os adultos para o trabalho. A senhorinha fica. Fica esperando o tempo passar devagar, para quando a noite esconder a claridade ela voltar para a cama, onde o sono chega rápido, mas vai embora depressa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Então ela espera o sol esconder a noite para voltar à poltrona, onde o dia demora cada vez mais para acabar. E a poltrona é boa, mas se a claridade se alonga o corpo quer deitar. Assim vai a senhorinha confusa entre saber se o dia é bom ou se a noite é melhor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-6236138530824257065?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/6236138530824257065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=6236138530824257065&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6236138530824257065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6236138530824257065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/conto-o-tempo-das-perguntas-sem.html' title='Conto - O tempo das perguntas sem respostas'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-7117585017012789610</id><published>2011-10-04T08:27:00.001-07:00</published><updated>2011-10-04T08:28:01.192-07:00</updated><title type='text'>Conto - O silêncio da outra guerra dos meninos</title><content type='html'>Então os dois meninos brincavam de guerra na calçada de um bairro residencial. Os postes eram barricadas e de um a outro só cimento no chão. Nenhuma planta para fazer de conta que a batalha corria num lugar de vegetação abundante, onde os troncos das árvores seriam escudos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Era um confronto sem muitos recursos bélicos. Bans, buns e tatatás faziam o barulho de armas disparadas em seqüências que o fôlego permitia, além de bombas, canhões e metralhadoras cuspindo fogo sem cessar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;As armas eram imitadas com pequenas peças de plástico ou madeira. Até o cabo solto de uma panela servia. E nesse embate era regra: ninguém caia por terra, pois senão a brincadeira acabava. Mais tarde, quando a exaustão molhava as roupas de suor, os meninos encerravam a guerra sem vitorioso e sem perdedor. Nunca acontecia rendição de uma das partes, apenas havia a contagem, sempre inexata e impossível de comprovar, de quem atingira o outro por tantas vezes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;A matemática tosca e imaginária, feita sem lápis e sem papel, punha fim à batalha e ao conflito, sem que se soubesse o que havia originado a briga. Política econômica, disputa de faixa territorial ou ideologia, quem é que se importava com isso naquela guerra de sons feitos pelas gargantas?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Às vezes a batalha que se repetia todos os dias durava minutos. Outras vezes extrapolava a hora. Dependia do sol. Se fraco, permitia-se mais tempo. Se forte o cansaço chegava mais cedo. Com chuva havia uma trégua.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Também dependia das outras brincadeiras. Carrinhos em miniaturas soltas de cima da rampa em frente aos portões apostavam corridas. E pouco mais havia. Nem as pipas subiam na rua cujo espaço aéreo era tomado por fios de alta tensão, telefonia, internet e tevê a cabo. E bicicletas, lá fora, só quando acompanhados por adultos que prestam atenção no trânsito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Então a guerra ainda não incomodava, apesar dos bans, buns e tatatás barulhentos. Até que um dia alguém indagou: “De onde é que estes meninos aprenderam a brincar de guerra? Que filmes os pais estão permitindo que eles assistam?”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;As duas perguntas ganharam repercussão de um vizinho a outro. As balas disparadas por armas simuladas começaram a atingir os adultos. As bombas começaram a explodir em seus quintais. As metralhadoras passaram a atrapalhar os capítulos das novelas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E a guerra acabou porque os meninos não puderam mais brincar de soldados. O cabo solto da panela foi para o lixo, pois arma, nem de brinquedo, deve cair nas mãos de uma criança.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Então ambos foram brincar no computador, onde os monitores mostram futilidades de adultos para meninos que, sem malícia e com imaginação, faziam de sua guerra uma brincadeira sem disputa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-7117585017012789610?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/7117585017012789610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=7117585017012789610&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7117585017012789610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7117585017012789610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/conto-o-silencio-da-outra-guerra-dos.html' title='Conto - O silêncio da outra guerra dos meninos'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-4394926355429522391</id><published>2011-10-03T12:03:00.001-07:00</published><updated>2011-10-03T12:03:58.144-07:00</updated><title type='text'>Conto - Todas as evidências são enganosas</title><content type='html'>&lt;span style="color: black;"&gt;Peças íntimas espalhadas no corredor dizem coisas. Relaxo típico de quem reparte a casa com a solidão, por exemplo. Ou pura mostração de quem quer dizer sem palavras que eu sou assim mesma. Na melhor das hipóteses resultado de uma noite de delírios e muita pressa, de roupas jogadas nos cantos para ganhar tempo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Tudo é hipótese. Nenhuma das alternativas, porém, é válida para Evelise, mulher ainda menina para os trinta e poucos anos de vida. Ontem ela fez serão no serviço. Nada do que os impuros constroem sobre os outros. Evelise trabalhou além do horário organizando processos que deveriam estar em ordem nos primeiros minutos após o início do expediente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;E nem se deu conta quando alguém alertou que a meia fina estava rasgada na altura da batata da perna direita e uma voz masculina sussurrou maliciosa, em seguida: “E lá em cima tem algum rasgo?” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Curiosidade besta. Foi o único pensamento que veio. Em nenhum momento Evelise cogitou uma provocação, talvez uma cantada sem criatividade. Ou sondagem para medir a recepção: se responder com rispidez é jogo encerrado; se for o contrário é possível prosseguir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Evelise não era de se jogar fora. Mas mantinha-se cercada por parâmetros de austeridade. Claro, com exceções criteriosas. Assim só saberia se as meias tinham furos abaixo ou acima, perto da linha de perigo, quem passasse pelo seu processo seletivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Foi por isso que uma amiga perguntou em determinada ocasião: “Então tem que passar por um concurso?” Não era bem assim, mas títulos valiam muito na escolha. Nada a ver com especialização, mestrado, doutorado e MBAs da moda, com cinco ou seis idiomas e muito prestígio no mundo acadêmico. Títulos financeiros, estes dariam um bom futuro. Então as coisas aconteciam muito raramente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Outra amiga cutucava: “Se for rico a gente consegue transformar o feio no homem mais belo do mundo”. Conceito idiota &lt;st1:personname productid="em teoria. Na" w:st="on"&gt;em teoria. Na&lt;/st1:personname&gt; prática... “Bem, na prática eu chamo ele de mumuzinho”, dizia uma espevitada de uma colega.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Conversas de mulheres, não é Evelise? Então aquele comentário feito pela sua empregada, sobre uma noite de afobação e momentos de murmúrios, tem lá o seu fundamento. Quem diria...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Mas que nada. Ela saiu apressada pensando na montagem dos processos e na distribuição das tarefas para a equipe. Disciplinada, Evelise tinha que ser sempre a primeira a chegar ao serviço. Em caso contrário sentia uma espécie de decepção consigo mesma. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;E na saída da porta do banheiro o bico fino das sandálias de salto chutaram o saco com as peças íntimas guardadas para lavar no fim de semana. Calcinhas, sutiã, meias e outras coisas ficaram pelo corredor. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;E Evelise levou a fama na vizinhança de pessoa bem abastecida e resolvida. Se assim fosse...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-4394926355429522391?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/4394926355429522391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=4394926355429522391&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4394926355429522391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4394926355429522391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/10/conto-todas-as-evidencias-sao-enganosas.html' title='Conto - Todas as evidências são enganosas'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-7938247590742557975</id><published>2011-09-30T11:55:00.000-07:00</published><updated>2011-09-30T11:55:55.863-07:00</updated><title type='text'>Conto - Ir é um caminho de duvidoso retorno</title><content type='html'>- Você vai contando as pedras brutas que enfeitam o caminho. Elas dividem o jardim e o suco formado de tantos andarem por ali. Eu não posso. Fico aqui, talvez até a sua volta.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;em&gt;- Como posso? Me faltam as pernas. Sinto que quero voltar mesmo antes de ir. E tenho medo de lá chegar e não saber retornar.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;- Abra os olhos para a razão e siga. O percurso é longo e a água para acalmar a sede há de esquentar. Só lá saberá se deve fazer o caminho de volta. E lá, sem que perceba, encontrará o percurso quando a hora chegar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;em&gt;- Mas quantas pedras devo contar? Temo perder a contagem. Já não basta o suor e terei lágrimas que me farão respirar com dor. Os pés serão calos, não sei quanto posso suportar.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;- Vai, por favor. Vai sem receio. Não prolongue a partida. Poupe palavras, pois agora permaneço calado. Se tardar surgirão subidas que tornarão sua ida difícil.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;em&gt;- Queria não conseguir. Queria ouvir o pedido de ficar. Sei que a distância é fria e corro o risco de nunca te encontrar. Mas se me pede que vá eu sigo. Já não posso dizer se vou voltar.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;- A distância não é muita. Agora digo que vou esperar. E se você não voltar saberei aliviado que lá plantou uma semente e dela nasceu uma flor. Sei dos seus dotes, então a cultivará.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;em&gt;- Nenhuma planta nascerá como a nossa. Adubei com amor e você reforçou com paixão. Se quer que eu vá penso que virei espinho. Me diga se é assim. Quero ouvir, então quem sabe eu caminhe sem nunca olhar para trás&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;- Vai, não prolongue a tortura. Talvez eu é que seja o espinho. Sei que quer ir e fico. Não permita que a flor murche mesmo antes de chegar ao destino. Já não posso falar, quero te ver longe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;em&gt;- Então tudo acabou? O que posso eu dizer agora? Vou, quero esquecer este caminho se lá chegar. Por favor, talvez não compense esperar.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E nada mais disseram. Ele ficou. Observando até conseguir desfazer o nó que se formou na garganta. Ela se foi. Arrastando os pés nos primeiros passos até contar as pedras que interessavam ser contadas. Depois os olhos secaram. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Há quem diga que ele esperou quanto pode. Um dia foi buscá-la, mas ela havia formado outro jardim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-7938247590742557975?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/7938247590742557975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=7938247590742557975&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7938247590742557975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7938247590742557975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/conto-ir-e-um-caminho-de-duvidoso.html' title='Conto - Ir é um caminho de duvidoso retorno'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-2854922851394315069</id><published>2011-09-29T14:46:00.001-07:00</published><updated>2011-09-29T14:47:00.298-07:00</updated><title type='text'>Conto - A guerra da alma dá vitórias estranhas</title><content type='html'>É uma ponta de faca e não se vê o fio, se corta ou apenas fura, se desfalece ou cambaleia sem levar ao chão. Brilha e amedronta, tem na mira o coração. Mesmo que não o atinja fará sangrar. Então será pelo vazio da alma, em prantos, de uma hemorragia impossível de conter.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Melhor seria a outra forma, imaginam eles. Tombar e não mais sentir, mesmo que haja outra vida pra lá do fim. Quem sabe a dor que não é da ferida exposta alivie. Talvez cicatrize e nem deixe marca que lembre o que deve ser jogado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Se há resgate de algum momento fariam com pinça. Catariam um por um até encher o frasco do suficiente. Nada mais interessa, diriam. Nem haveria ponderação sobre isto ou aquilo, guerras, perguntas, cobranças e provocações da lista das coisas não resolvidas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Pendências nestas questões são dívidas que nunca acabam. O saldo será sempre negativo mesmo que o valor pago tenha contentado na hora do acerto. Depois aparecem novos cálculos e mais cobranças. E volta o montante a incomodar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Foi bem assim. Situações pequenas ficaram grandes. O beijo esquecido na despedida após o almoço. O nome suspeito na agenda. A ligação telefônica estranha. As desculpas pelos atrasos, a indiferença, a irritação e o tom da voz a denunciar impaciência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Se é de pinça que cataram as frutas, estas são apenas cenas rápidas no filme que produziram juntos. Começaram com acenos que transformaram &lt;st1:personname productid="em possibilidades. Foram" w:st="on"&gt;em possibilidades. Foram&lt;/st1:personname&gt; sins e concordâncias. E nem perceberam quando aquilo virou amor e deu fogo à paixão. Só isso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Na parte que tem que ser filmada, os capítulos serão longos. Enquadrarão que um dia perceberam a paixão apagada. Depois assumiram o amor como um convívio. O respeito mútuo virou obrigação. A intolerância ganhou espaço. E o cotidiano registrou defeitos que nunca antes um tinha visto no outro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E a ponta da faca alertou. Passava da hora. Foram por caminhos opostos a procura do que não sabiam o que era. A hemorragia passou, mas o coração ficou um buraco estranho de explicar o que é.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-2854922851394315069?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/2854922851394315069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=2854922851394315069&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2854922851394315069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2854922851394315069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/conto-guerra-da-alma-da-vitorias.html' title='Conto - A guerra da alma dá vitórias estranhas'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-5995097475417245447</id><published>2011-09-28T13:25:00.000-07:00</published><updated>2011-09-28T13:26:04.002-07:00</updated><title type='text'>Crônica - Nunca questione minha londrinidade</title><content type='html'>Senti o calor de Londrina aqui de longe, da sacada de um prédio comercial na cidade vizinha onde trabalho. Pensei: nasci lá, sou de lá, não consigo arrebentar as amarras que me prendem a ela, minha cidade. Como é que alguém se dá ao direito de questionar a minha londrinidade só porque trabalho fora de Londrina?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;O percurso diário que faço de manhã, de casa ao trabalho, é de cerca de doze quilômetros. Deixo Londrina entre oito e oito e meia da manhã e minutos depois estou na cidade vizinha. Lá por volta das dezoito horas faço o caminho de volta. Indo direto para casa ou passando em qualquer lugar continuo londrinense. À noite, da janela do apartamento consigo ver lá distante a cidade onde trabalho. Sou um observador londrinense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Toda esta defesa é provocada por um conversa recente com um conhecido. “Mas você ficando fora de Londrina o dia todo está perdendo contato com a cidade. Vai perdendo sentimento, deixa de ter vida na cidade”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;É uma análise de almanaque de farmácia. Claro, não freqüento os bares onde a turma se reúne por opção própria. Há tempos não assisto a uma reunião da Câmara por causa do horário de trabalho. Também é verdade que não posso mais gastar o meu horário de almoço andando pelo Calçadão de Londrina.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Mas isso não dá o direito de alguém roubar a minha identidade londrinense. Se a cidade tem político ruim, continuo londrinense e como tal devo exercer o meu papel de cidadão, no ato do voto, para permitir que alguns dos eleitos sejam bons. E se há bons políticos na minha cidade, tirando-se estes de uma safra de muitos prejuízos, melhor ainda: continuo londrinense do mesmo jeito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Estive oito meses em Brasília tentando sobreviver com o freelancer. A opção do local foi profissional. Fui por estes oito meses londrinense. Interessante: como lá fora eu percebi claramente a londrinidade que havia em mim.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Trabalhei três anos &lt;st1:personname productid="em Santa Catarina" w:st="on"&gt;em Santa Catarina&lt;/st1:personname&gt; e cheguei a criar confusão por causa da minha londrinidade. Certa vez um colega catarinense provocou: “Então por que você está trabalhando aqui se só existe Londrina? Por que não volta para lá?”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Juro, cheguei até a cantar o Hino de Londrina para os colegas do jornal onde trabalhava, só para mostrar como a letra e a melodia eram bonitas. Bem, a letra eles entenderam, a melodia foi um fiasco...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Então, meu caro conhecido. Você veio lá da Bahia ainda menino. Sei que seu sonho é chegar à aposentadoria e retornar à Bahia. Ainda assim, em respeito a sua presença em Londrina por anos, estou devolvendo: você é um baiano bem londrinense. Isso é um baita elogio, seu safado! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-5995097475417245447?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/5995097475417245447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=5995097475417245447&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5995097475417245447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5995097475417245447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/cronica-nunca-questionem-minha.html' title='Crônica - Nunca questione minha londrinidade'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-4009897831669241764</id><published>2011-09-27T11:19:00.000-07:00</published><updated>2011-09-27T11:27:10.818-07:00</updated><title type='text'>Conto - Acerto as letras que formam seu nome</title><content type='html'>É assim. Letra por letra, palavra e palavras, pontos, vírgulas, reticências e indagações. Não se incomode se esqueci a exclamação. É proposital e no singular, não quero que me leia eufórico e pluralizado.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Cuide-se, minha amiga. Aqui não abro parênteses para detalhar coisas. Sou direto e pretendo ser cristalino. As vezes que recorri ao estilo minimalista me dei com a cara. Você é profunda nos questionamentos e nem perdoa os minúsculos escritos por opção.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Não que eu me incomode com sua atitude. Até me interessa um conflito verborrágico por causa de forma, gênero e enfim, mensagens meticulosas que poderiam ser trocadas por vogais e consoantes tão fáceis de recorrer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Pois está aqui o meu caderno de anotações. Aberto, não registra o seu nome em nenhum momento, nem que as páginas sejam viradas devagar. É melhor que corra o olho, não dou bandeira em qualquer lugar. Mas se for da sua vontade perca tempo, passe pelas folhas procurando escritas que me denunciem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;São rascunhos sim, bela amiga. Garranchos são armas, pode ser que as idéias amadureçam e exijam atualizações. Nunca, porém, voltar atrás. Nesse caso seriam rabiscos sobre períodos completos que fariam das frases eliminadas um desperdício de espaço. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Até aqui dei argumento para te irritar. E se eu te encontrar disposta é capaz de você achar defeito. No mínimo, vai me acusar de ganhar tempo usando o abecedário inteiro para pronunciar alguma coisa. E que coisa poderia ser dita com um vocabulário restrito?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Faço uso dos substantivos e nem sempre gasto em artigos definidos ou indefinidos. Isso tanto no feminino quanto no masculino. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Caso não tenha reparado, já recorri aos adjetivos quando me referi a você. Isso é privilégio e como sou tosco na forma de elogiar, acredite: se o faço é sincero.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Então, minha bela amiga. Aquele caderno de anotações que eu te mostrei não é o que eu tenho de você. Ali eu disponho de uma bengala para colocar tudo: endereços, telefones, tarefas diárias, pentelhações, cobranças, pagamentos e indefinições. Nada a esconder.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;O que escondo está aqui, olha, no meu peito. E em cada linha tem o seu nome. Só não vai saber quando é que te escrevo em maiúsculo ou minúsculo. Jamais saberá também o que saiu garrancho e o que mereceu um rabisco. Veja, meu amor. Você ainda acha que me lê nos meus textos? &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-4009897831669241764?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/4009897831669241764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=4009897831669241764&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4009897831669241764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4009897831669241764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/conto-acerto-as-letrinhas-que-formam-o.html' title='Conto - Acerto as letras que formam seu nome'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-1452849111926722755</id><published>2011-09-26T10:30:00.000-07:00</published><updated>2011-09-26T10:31:03.723-07:00</updated><title type='text'>Velhos quintais das casas dos bairros de outrora</title><content type='html'>Os pelos brancos do vira-lata preto Bilú davam uma volta no pescoço e desciam igual babador nos peitos do cachorrinho sem raça e sem origem definida. Apareceu um dia e lá ficou, entre gatos e galinhas soltas, comendo sobras até conquistar o direito de uma refeição própria em prato feito de lata de marmelada.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Não incomodou e nem foi incomodado. Esperto, optou pelo silêncio até fazer amizade e ser considerado de casa. Nenhum latido. E até copiou os felinos na hora do cocô, cavando buraco no chão de terra e depois cobrindo a sujeira. Pulguento, consumiu muito inseticida em pó até ficar livre das coceiras. E nunca reclamou dos banhos de água fria depois de cada aplicação, embora molhasse tudo ao redor ao se sacudir para apressar a secagem. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;O gato cinza era quase do mesmo tamanho. Tinha uma cara quadrada, era um macho respeitado. Nem carinho dos meninos aceitava, preferia o isolamento. Às vezes ao sol, outras à sombra, deitava o corpo preguiçoso e ficava com os olhos cerrados sem dar na cara que dormia ou apenas cochilava. Quando os abria na claridade, os cristalinos deixavam de ser um redondos. Viravam filetes na vertical.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Na família dos felinos era o homem da casa, sustentando três gatas companheiras, a amarela, a pretinha e a mesclada. Mas pulava a cerca de madrugada até outros quintais onde fêmeas no cio davam bandeira. Assim o cãozinho Bilú se incomodava e latia, aumentando o barulho dos animais: cachorro latindo, gato miando e galo com relógio adiantado cantando o dia que ainda estava longe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Por falar nisso, quais das galinhas caipiras serão escolhidas para o Natal? Os antigos diziam que galinha não era assado de Ano Novo, porque cisca para trás e isso é atraso de vida. Mas ali naquele terreno nem na ceia natalina galinha entrava no forno. As crianças não permitiam. E os pais tinham que recorrer, de última hora, aos carroceiros que passavam na véspera com as aves prontas para o abate doméstico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Como matar e sangrar a Duquesa se ela fazia parte do local? Que judiação abater Pancosa! Mãe, vamos comer peixe no Natal e deixar a Rajada no quintal? Era assim e chegava-se a um acordo. E a bicharada percebia isso, é certeza. Viravam membros da comunidade familiar e agiam como tal: solidários e partícipes principalmente na hora de repartir o pão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Nem tanto nas demais ocasiões, pois o quintal era grande, com cerca enfeitada de folha de maracujá doce, um pé de abacate, três mangueiras rosa e um pé de limão. Após o almoço cada bicho escolhia o seu canto e a paz reinava sob sol aliviado com plantas. Era uma vez, uma casa de madeira numa rua sem asfalto... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-1452849111926722755?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/1452849111926722755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=1452849111926722755&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/1452849111926722755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/1452849111926722755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/velhos-quintais-das-casas-dos-bairros.html' title='Velhos quintais das casas dos bairros de outrora'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-989403156914489046</id><published>2011-09-23T10:24:00.000-07:00</published><updated>2011-09-23T10:24:26.553-07:00</updated><title type='text'>Conto - Jogo de placar carimbado</title><content type='html'>A bola é minha, mando eu no jogo. Tira lá aquelas pedras e bota um tijolão. Marca bem com ele o travessão direito... Conta os passos, é pé por pé, sai com o calcanhar encostado no latão e vai no rumo da moita de capim limão. Assim, conta direito pra não dar reclamação.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Monta lá, ô folgado... Igual este aqui, olha o tamanho certo, usa os restos daquela construção, cata lá no canto pedra, tijolinho, pedaço de pau e faz o travessão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E anda logo, deixa de marcação. A bola é minha, mando eu nos times... Vem cá, ô. Hoje eu não quero o gol. Vou na frente, chuto de direita e se precisar corro pra lá, acerto de esquerda, tanto faz, jogo um bolão. Manda um terrão ali atrás, tapa o buraco, anda com isso ligeiro, acerta o campo, pô... Senão dá azaração.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Corre aqui, ô... Entra pra descer pela esquerda, me passa a bola, não dá uma de artilheiro, a bola é minha, eu chuto e marco, mando eu no ataque e sem zagueiro é que não fico, volto e defendo, avanço e vou pros lados, faço o campo inteiro e nem faço questão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Espera o segundo tempo, pô... A bola é minha, mando eu no banco. Entra depois no lugar do outro, agora é ele, pra descer pelo meio, mandar pra esquerda, receber de volta e lançar na altura do meu peito que eu marco, bola minha eu conheço, vai direto no canto do travessão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Tira a camisa ai, ô... A bola é minha, time meu joga vestido, o outro lado entra só de calção. Guarda a chuteira, pô... Aqui ninguém vai dar bicudão. Entra de tênis, evita choramingão. Escora de sola, envia de lado, eu mando de chutão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Defende ai, pô... Cadê meu zagueirão? A bola é minha, mando eu na substituição. Bota a camisa, entra no lugar do Chicão, senão perdendo não vai ter continuação. A bola é minha, mando eu, ninguém vai aprontar chiação.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-989403156914489046?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/989403156914489046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=989403156914489046&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/989403156914489046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/989403156914489046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/conto-jogo-de-placar-carimbado.html' title='Conto - Jogo de placar carimbado'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-6241560753221036811</id><published>2011-09-22T10:52:00.000-07:00</published><updated>2011-09-22T10:55:52.722-07:00</updated><title type='text'>Por trás das metáforas e das entrelinhas</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;“Tenho nos olhos quimeras / com brilho de trinta velas / do sexo pulam sementes / explodindo locomotivas / tenho os intestinos roucos / num rosário de lombrigas / os meus músculos são poucos / pra essa rede de intrigas / meus gritos afro-latinos / implodem, rasgam, esganam / e nos meus dedos dormidos / a lua das unhas ganem...”&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trecho da música E Daí?, de Milton Nascimento e Ruy Guerra, é uma espécie de perfeição quando se fala em metáforas e entrelinhas. Recursos muito usados na poesia e na música a partir de 1964, para driblar a censura imposta pelo Regime Militar, a figura de estilo, mais apropriada à metáfora, mobilizou brasileiros por vários anos nos shows organizados pelos movimentos de oposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo fora desse círculo algumas canções chegaram a ser executadas em programações das emissoras de rádio e ganharam popularidade. Cálice, de Chico Buarque, é um exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;“Como beber dessa bebida amarga / tragar a dor, engolir a labuta / mesmo calada a boca, resta o peito / silêncio na cidade não se escuta / de que me vale ser filho da santa / melhor seria ser filho da outra / outra realidade menos morta / tanta mentira, tanta força bruta...”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E relacionam-se mais. Taiguara, que cantava o amor, é um dos artistas brasileiros que mesmo com as metáforas e as entrelinhas sofreu muito com a ditadura militar ao se colocar contra as arbitrariedades da época. Diferente de Geraldo Vandré, que quando compunha uma música de protesto era direto. Pra não dizer que não falei das flores foi uma mensagem esfregada na cara do sistema. Geraldo Vandré pagou caro por essa coragem. Enfrentou tortura e exílio político. Retornou ao Brasil após a abertura e não quis mais saber de canções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se no Brasil a censura ditava o estilo, em outras partes as metáforas também tinham prestígio. Joan Baez, conhecida como a voz de soprano que encantou os grandes shows da época do movimento pacifista norte-americano, lançou em &lt;st1:metricconverter productid="1975 a" w:st="on"&gt;1975 a&lt;/st1:metricconverter&gt; música Diamonds And Rust, que havia sido composta no ano anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase quatro décadas já se passaram, mas ainda há divergências em relação à letra pelo menos em um ponto: Joan Baez escreveu Diamantes e ferrugem pensando em seu ex-marido, David Harris, ou em seu novo amor, Bob Dylan?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No trecho abaixo a tradução é baseada na versão gravada por Judas Priest, que fez pequenas alterações na letra. Mas a essência é a mesma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;“...agora você está me dizendo que você não está com saudades / então me dê outra palavra para isso / você era melhor com palavras / e em deixar as coisas vagas / porque eu preciso daquelas coisas vagas de novo / tudo isso volta claramente, sim, eu te amo / e se você está me oferecendo diamantes e ferrugem, eu já paguei...”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;Claro, a metáfora de Diamonds And Rust não foi para driblar a censura política. Foi para acomodar os conflitos de um coração. Com esta música Joan Baez abre alguns de seus mais importantes shows, inclusive cantando versão em japonês. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;Agora, cá pra nós, as nossas metáforas são bem mais estilosas, concordam?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-6241560753221036811?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/6241560753221036811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=6241560753221036811&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6241560753221036811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6241560753221036811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/opiniao-por-tras-das-metaforas-e-das.html' title='Por trás das metáforas e das entrelinhas'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-7766711340808538290</id><published>2011-09-21T11:54:00.001-07:00</published><updated>2011-09-21T11:55:28.427-07:00</updated><title type='text'>O meu casaco tem zíper no bolso e muito amor</title><content type='html'>Luiza costurava a vida numa máquina de pedalar. Preta, a velha Vigorelli era a sua ferramenta de trabalho. Rústica, a danada não deixava a costureira falhar na entrega da sua produção. Em linha reta a bichinha ajuntava os panos sem entortar, parte por parte, até ficar um vestido. E só faltava o acabamento a mão, que além da agulha, da tesoura e da linha dependia do capricho e dos óculos de enxergar perto.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;A fita métrica tinha lugar certo. Como um xale, envolvia o pescoço com as pontas jogadas à frente. Era um modo de manter o indispensável sempre perto. Conferir a medida era uma prática. De uma casa a outra, para que os botões ficassem na mesma distância. Ou de todas as caídas da saia, para garantir comprimento igual em toda a circunferência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;O tempo ditava a moda e Luiza mantinha uma meia dúzia de figurinos, com revistas raramente atualizadas. Algumas freguesas recorriam a elas para fazer seus modelos. Havia improvisos: a parte de cima de um desenho, a parte de baixo de outro. Atrás de um jeito, a frente de outro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Desenhado numa folha de caderno, o modelo ganhava as medidas: quadris, busto, altura das mangas, cintura, comprimento. Haveria depois uma prova, quando as freguesas pediriam para ajustar mais aqui, dar uma folga ali, franzir menos, trocar o zíper por botão, fechar mais o decote. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Sim, algumas faziam a prova acompanhadas dos maridos e até para definir o local dos joelhos onde a barra deveria ser dobrada dependiam de consentimento. Se ele achasse que não, dobrava-se mais embaixo marcando com agulhas de cabeça. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E ela, numa distração do companheiro, sinalizava com as mãos que a costureira devia subir dois dedos, três dedos, um dedo ou algum tiquinho. Só para o vestido pronto ter sabor de vitória, além do prazer de uma peça nova a ser usada na próxima festa que houvesse.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Luiza casou costureira, criou os filhos costureira, viu netos nascer costureira e morreu costureira. Eu guardo um casaco de veludo que não me cabe. Guardo porque foi ela, minha mãe, quem costurou. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-7766711340808538290?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/7766711340808538290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=7766711340808538290&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7766711340808538290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7766711340808538290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/o-meu-casaco-tem-ziper-no-bolso-e-muito.html' title='O meu casaco tem zíper no bolso e muito amor'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-1321908436582280507</id><published>2011-09-20T11:40:00.000-07:00</published><updated>2011-09-20T11:41:48.853-07:00</updated><title type='text'>Trecho biográfico - Pulmões pedem e ganham ar</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;(capítulo do livro Sou Cidadã, que conta a história da líder comunitária Rosalina Batista)&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;O coração aumenta e diminui nas batidas. A respiração pede esforço. A mulher caminha desnorteada pela rua da região central de Londrina. Por instinto, vai pelo percurso que normalmente a leva para casa. A pé, tenta trocar os passos com rapidez para encurtar a distância. Mas anda devagar, como se não quisesse ir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Há menos de cinco minutos Rosalina fora demitida do emprego. Haveria conformismo e aceitação se o motivo fosse profissional. Falha na limpeza da casa, falta de assiduidade e indisciplina, por exemplo. Assim ela havia aprendido. A ex-patroa, porém foi clara: Rosalina perdeu o emprego por morar na Jardim Franciscato, bairro da região sul da cidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E agora, o que dizer para a família em casa? Informar que foi demitida por ser de um lugar pobre soaria como uma desculpa. Não são os pobres que trabalham para os ricos? Ou são os ricos que fazem a faxina, lavam e passam a roupa e preparam as refeições dos pobres? Onde Rosalina teria que morar para merecer uma vaga no mercado de trabalho?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Não havia revolta contra a pessoa que a demitira. O que Rosalina sentia era uma dor muito mais intensa do que aquela provocada por um ferimento na pele, pois cutucava diretamente a alma. Era angústia, desespero, aflição, medo, raiva do indefinível e um vazio que mexia o raciocínio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Rosalina seguiu andando até o Bosque central de Londrina, onde funcionava o terminal de transporte coletivo. Fez a descida da Rua Fernando de Noronha, atravessou as duas pistas da avenida JK e enfrentou a subida de quatro quarteirões até atingir a avenida Higienópolis. Dali, foram mais quatro quarteirões descendo até o ponto de ônibus.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Nesse último trecho recuperou o raciocínio e começou a analisar os acontecimentos. De tudo que passou pela cabeça reservou uma posição firme: ela, Rosalina, teria que fazer alguma coisa para mudar a sua situação e a de sua família. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Missão difícil. Analisou que de nada adiantaria ela e os seus estarem bem, enquanto amigos, conhecidos e vizinhos, parceiros na luta para colocar mais um tijolo na construção da moradia, aumentar o número de pratos na mesa durante as refeições, conseguir uma vaga na escola e brigar por um atendimento melhor no posto de saúde, continuariam a enfrentar dificuldades.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Então Rosalina pensou por todos. Os passos a serem dados teriam que ser mais abertos e ousados. O caminho a ser percorrido seria mais longo, com maior quantidade de barreiras. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Estava lançada a idéia e traçado o objetivo. Nasceu naquele momento uma pessoa disposta a romper os torrões de terra e pronta para conversar com os poderosos no mesmo tom de voz. Surgiu uma líder comunitária, Rosalina da Cruz Teixeira Batista.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-1321908436582280507?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/1321908436582280507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=1321908436582280507&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/1321908436582280507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/1321908436582280507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/trecho-biografico-pulmoes-pedem-e.html' title='Trecho biográfico - Pulmões pedem e ganham ar'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-5030399419061477977</id><published>2011-09-19T12:26:00.001-07:00</published><updated>2011-09-19T12:27:24.436-07:00</updated><title type='text'>Crônica - Um jeito de enxergar o que é belo</title><content type='html'>Uma é linda. A outra é mais linda. Isso confunde, porque às vezes a que é linda fica mais linda e a que é mais linda fica muito mais linda. Isso se sucede com freqüência e velocidade, coisa de fechar e abrir os olhos.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Fechar quando uma é linda. Abrir quando a outra é mais linda. Fechar no instante em que a linda está mais linda. Abrir quando a que é mais linda está muito mais linda. Fechar. Manter os olhos cerrados para não ter dúvidas após criar a imagem de ambas, que são lindas. Só então abrir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;É isso, chegou-se a um achado. Não é a visão que dá tanta beleza as duas. Certo que uma é linda e a outra é mais linda. E na sucessão do que se enxerga, como já dito e se repete, a linda fica mais linda, a mais linda está muito mais linda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Isso intriga e assusta, pode parecer loucura. Mas a sã consciência às vezes esconde o belo, algum poeta já declamou assim. Ou, na hipótese mais direta, sanidade nem sempre tem a ver com sensibilidade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E os olhos vão mostrar apenas objetos, um mais lindo que o outro. Esse jeito de ver é claro na superfície para todos os gêneros, estilos, conteúdos e coisas afins: mulher, carro, árvore, passarinho, leão, rinoceronte, prédio e objetos do desejo. Então sim, é um jeito de olhar insano, de tão direto que é. Vê-se o que está diante e faz-se a declaração quase insossa: “Que coisa linda!” &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;É muito superficial. Não encralaca. Passa rápido que nem andar: um passo a frente, o outro atrás; outro passo a frente, de nova aquele atrás. Como se fosse inveja de uma perna da outra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Diferente da linda que é linda, enquanto a outra é mais linda. Isso é enxergar. Por isso a que é linda fica mais linda e a que é mais linda torna-se muito mais linda, numa troca que roda, vai e volta, até perturba.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Sim, incomoda muito. A ponto de se ver mais do que é visível. E se mostra nesta busca do olhar o coração das duas, uma que é linda, outra que é mais linda e assim se vai, numa sucessão gostosa que leva até a única conclusão verdadeira: ambas são muito lindas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Este ensaio louco é um tributo a vocês duas, irmãs. A que já fuça o meu blog faz um tempo e a que buscou comigo os endereços agora mesmo. Recebam esta minha gratidão. Aqui eu coloquei muito carinho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-5030399419061477977?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/5030399419061477977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=5030399419061477977&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5030399419061477977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5030399419061477977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/cronica-um-jeito-de-enxergar-o-que-e.html' title='Crônica - Um jeito de enxergar o que é belo'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-173694532437912232</id><published>2011-09-19T08:39:00.000-07:00</published><updated>2011-09-19T10:01:16.857-07:00</updated><title type='text'>Opinião - A paz livre de certas manipulações</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-1xToJ0toOAA/TndbENVBObI/AAAAAAAAAK4/-iceARpnkyo/s1600/Blog-Paz.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-1xToJ0toOAA/TndbENVBObI/AAAAAAAAAK4/-iceARpnkyo/s400/Blog-Paz.jpg" width="281" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Vi pessoas indo e vindo. Não formavam uma multidão expressiva, mas compunham um grupo consciente. Mulheres, homens, crianças, jovens, idosos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas a pé, gente de bicicleta, turmas em cadeiras de roda, deficientes visuais, praticantes de canoagem e muito mais gente. Correndo, andando, passeando e compondo mais gerúndios, que são permitidos quando as ações que eles descrevem são promissoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este grupo consciente de londrinenses se encontrou às 10 horas do domingo, dia 18 de setembro de 2011, nas margens do Lago Igapó 2. Participaram do Abraço da Paz ao cartão de visita da cidade, atividade que fez parte da 11ª Semana Municipal da Paz de Londrina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais importante disso tudo: eventos costumam ser analisados com desconfiança pelas pessoas. Quem organiza? Há interesse político ou partidário? As autoridades vão discursar promessas? Alguém da coordenação quer ser candidato a alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São perguntas frequentes, tantas são as decepções de nós, povo, em acontecimentos do gênero. Mas neste, que teve a frente o Movimento Pela Paz e Não-Violência (Londrina Pazeando), se houve algum tipo de interesse por traz dos bastidores, tenham certeza senhores: as cerca de 2.400 pessoas participantes foram com o propósito de abraçar uma grande causa e, por isso, aquele ato em torno do Igapó foi mais forte do que eventuais tentativas individuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vejam que no meio da multidão se viu o prefeito, secretários municipais, pretensos candidatos a vereadores. A causa, ainda assim, foi suprema. Assim é o londrinense! Felizmente!﻿&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-173694532437912232?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/173694532437912232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=173694532437912232&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/173694532437912232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/173694532437912232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/opiniao-paz-livre-de-certos-interesses.html' title='Opinião - A paz livre de certas manipulações'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-1xToJ0toOAA/TndbENVBObI/AAAAAAAAAK4/-iceARpnkyo/s72-c/Blog-Paz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-4315726987006656176</id><published>2011-09-16T12:50:00.000-07:00</published><updated>2011-09-16T12:51:05.956-07:00</updated><title type='text'>Conto - Nem há sol no destempero da poesia</title><content type='html'>Eram raios deitados sobre arranjos da cama. Preguiçosos... caídos nos lençóis esquentavam o frio. E no calor, sejam bem-vindos!  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Havia rima para todo tempo. Sem métricas e terminações parecidas, como lapidar o tosco era igual limpar o infinito: o pincel carregava as nuvens de azul e o céu voltava.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Até a chuva era motivo. De correr, despentear e a linha de chegada ser um abraço. Ou ir, devagar, contando os pingos&amp;nbsp;contornar as curvas do rosto. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;As flores nunca envelheciam. Qualquer pétala era um recado. Todas as folhas respondiam. As plantas, fiéis, guardavam segredos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Pedras catadas ao acaso contavam histórias. O garfo com o dente afastado tinha enredo. Se a cadeira dançava havia uma causa. Toda cortina fechada escondia intimidades.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E os locais da casa... o canto escuro da sala, a esquina cega da cozinha, o lado macio do sofá, o chão do corredor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Nada parecido com o concretismo desta hora. Seco e acusador, está na agenda em letras nervosas. Esbraveja e cobra, denuncia... acaba com o sol na cama, devolve o frio, tira a cor das nuvens e rouba o céu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Nenhuma história, os enredos somem. As cortinas estão abertas. Nos cantos da casa nem o silêncio quebra a voz que tortura: “Você me ganhou e a minha vida ficou de cabeça pra baixo... e nunca se importou...”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-4315726987006656176?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/4315726987006656176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=4315726987006656176&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4315726987006656176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/4315726987006656176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/conto-nem-ha-sol-no-destempero-da.html' title='Conto - Nem há sol no destempero da poesia'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-5857707832407674835</id><published>2011-09-15T13:58:00.000-07:00</published><updated>2011-09-15T13:59:04.922-07:00</updated><title type='text'>Expectativas e histórias escondidas numa data</title><content type='html'>Estamos no terceiro milênio, século vinte e um, década de dois mil e dez, ano de dois mil e onze. O dia é quinze de setembro e por aqui fez sol forte. Há oitenta e três anos Alexander Fleming anunciou a descoberta da penicilina. Há sessenta e sete anos, a Força Expedicionária Brasileira partiu para a guerra na Itália. Há quarenta e seis anos surgiu o novo Código Florestal Brasileiro.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Nasceu num quinze de setembro do ano de um mil, novecentos e trinta e seis aquele que tempos depois seria o jogador Quarentinha. Em um mil, novecentos e sessenta e seis nasceu a atriz brasileira Fernanda Torres. É a mesma data de nascimento da cantora Rose Nascimento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E tem mais e muitos: nasceu Bocage, Marquês de Sapucaí, Agatha Christie, Lya Luft, um monte de ator, uma penca de futebolistas, uma touceira de políticos, reis, rainhas e escravos aos milhares.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Morreu Lírio Mário da Costa, em um mil, novecentos e noventa e cinco. E quem é este? Destaque, o humorista Costinha. Valia mil vezes mais do que as tentativas de humoristas de agora, versões canabravas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Ah, é aniversário da Lua, de acordo com a mitologia chinesa. No Japão o quinze de setembro é o dia do idoso. Por aqui, vejamos: Miracatu comemora o Dia da Padroeira, Nossa Senhores das Dores. Açucena, &lt;st1:personname productid="em Minas Gerais" w:st="on"&gt;em Minas Gerais&lt;/st1:personname&gt;, comemora o Dia de Nossa Senhora da Piedade, festa que também toma conta de Barbacena.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;A lista é extensa: Boa Esperança em Minas, Cruz das Almas na Bahia e vai por cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Mato Grosso, Paraíba e Paraná. Onde? &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Jaguariaíva e Ponta Grossa. Tem feriado por ai vizinhos?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Aqui passa de cinco e meia da tarde. O aparelho de ar condicionado enche com seu barulho modorrento. É um zuado sem altos nem baixos. Parece um chevrolete engatado na primeira indo na mesma velocidade em quase subida, devagar...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;O site de datas comemorativas, de onde tudo isso foi copiado descaradamente, avisa que faltam cento e sete dias para o fim do ano. Vejamos: a Lua chinesa até que assanha. O que uma Lua faz com um homem...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;A penicilina nem se discute. Fernanda Torres é uma glória. Quarentinha, no futebol, tem história de resultados: campeão pelo Botafogo por três vezes, Torneio Rio-São Paulo por duas, Torneio de Paris e muito mais. O nome do cara: Waldir Cardoso Lebrêgo, lá de Belém do Pará.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;O que mais nesta tarefa de casa? Código Florestal, será que cumprem com ele? Marina Silva, batalhadora que é, o diga. Bocage? Quem não leu pelo menos trechos mesmo que por curiosidade? Este é o parágrafo das perguntas, recurso de quem não está em condições de responder. Este foi o texto com os números escritos por extenso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Mais indagações e estas são finais Quantos nasceram hoje? Quantos se foram? Quantos encontraram a felicidade neste quinze de setembro? Quantos estão chorando? Faltam cento e sete dias para terminar o ano. Quantos esperam a primavera com um bocado de ansiedade? Talvez no próximo quinze de setembro haja mais respostas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-5857707832407674835?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/5857707832407674835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=5857707832407674835&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5857707832407674835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5857707832407674835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/cronica-expectativas-e-historias.html' title='Expectativas e histórias escondidas numa data'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-3622578173604325585</id><published>2011-09-14T13:51:00.001-07:00</published><updated>2011-09-14T13:51:52.102-07:00</updated><title type='text'>Conto - Dias de chuva e de imaginação</title><content type='html'>&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;Descia chuva lá adiante, ele via o sinal muito além das casinhas que a visão permitia. Longe, depois do amontoado de árvores, quase onde o céu encontrava com o chão depois de fazer a meia esfera da bola que é a terra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;Se choveria perto ele não sabia. Mas se chovesse a pipa não subiria, isso era certeza. Teria que arranjar outra ocupação. E se chovesse forte a imperfeição da rua sem asfalto formaria lagos que teriam peixes imaginários, monstros aquáticos, barcos de papel e pescaria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;A chuva, então, não seria de todo mal, embora formasse barro no quintal e provocasse broncas da mãe a cada par de chinelos enlameados. Valeria a pena a repreensão materna, mesmo que o encardido da roupa demorasse dias para deixar de ser motivo de reclamação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;Depois chegariam os insertos anunciando a estiagem. Ocupariam os ares no lugar das pipas de linhas sujas enroladas &lt;st1:personname productid="em latas. E" w:st="on"&gt;em latas. E&lt;/st1:personname&gt; se brincaria de guerra, com aviões bombardeando vilarejos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;Viriam também as minhocas e estas seriam transformadas em enormes gibóias combatidas por valentes lutadores. Aos poucos os pássaros voltariam a cantar e as cigarras a ensurdecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;E o sol, no seu retorno lento, levantaria fumaça ao bater na terra úmida. E ele pensaria na pólvora queimada do brincar de guerra antes, durante e depois da rápida precipitação que mexeu com a sua nostalgia. Foi questão de minutos olhando o lá fora atrás do vidro da janela de um apartamento muito distante do chão, lá embaixo, que tinha cara de ter vida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-3622578173604325585?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/3622578173604325585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=3622578173604325585&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3622578173604325585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3622578173604325585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/conto-dias-de-chuva-e-de-imaginacao.html' title='Conto - Dias de chuva e de imaginação'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-5818921246497761867</id><published>2011-09-13T13:48:00.001-07:00</published><updated>2011-09-13T13:49:22.934-07:00</updated><title type='text'>Conto - A madrugada denuncia movimentos</title><content type='html'>Um tranco forte e barulhento da porta no batente acordou metade do prédio. Às duas de uma madrugada estranhamente quieta, Ellen ainda tentou evitar mais alarde. Mas o molho de chaves tilintou ao ser girado, os livros caíram dos braços, a tosse atacou e as sandálias de salto alto denunciaram o caminhar apressado até o elevador.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Eram três livros, mas o único a cair com a capa para cima foi Gabriel Garcia Márquez e o seu O Veneno da Madrugada. Estranho! Ellen fazia uma releitura do romance e na medida em que as páginas eram devoradas, acendia um pressentimento. “De que? Até este ponto não devo nada. Ou devo?”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Rodadas de cerveja e chope com os amigos raramente causam remorsos, mesmo quando alguns limites são esticados. E o trabalho da universidade, tem a ver? Que nada, o que Ellen fez foi reproduzir sem alterações de pontos e vírgulas alguns trechos de autores menos conhecidos. Seguiu recomendações de colegas: “Não copie de autores conhecidos que estes até os professores conhecem...”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Ainda sem explicação para a sensação que a dominava, Ellen certa vez se viu diante da janela da sala espiando os prédios &lt;st1:personname productid="em frente. Não" w:st="on"&gt;em frente. Não&lt;/st1:personname&gt; procurava um flagrante de alguém nu ou em situação constrangedora. O que Ellen buscava eram mensagens em faixas ou em pinturas denunciando seus erros. Sim, havia a influência literária. Gabriel Garcia Marquéz a punia pela releitura de sua obra. “Mas sem motivo, autor querido. O que é que eu fiz?”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Estava no livro, perdido em trecho de algum capítulo. A pressa, no entanto, fez Ellen implorar por mais velocidade no elevador, que desceu até a garagem de onde o carro saiu brigando com a demora do portão eletrônico. Os quinze minutos até o seu destino pareceram horas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E lá, outra vez a aflição: portão eletrônico lento e elevador quase parando. Outra vez um molho de chaves e a porta fechada de leve, sem qualquer som denunciador. Nem ao banho ela foi. Deitou-se ao lado do marido que roncava com a boca aberta e deixava escorrer uma baba nojenta. Ouviu ele rosnar: “Só chegou agora? Bem tarde heim? Por onde andou?”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Respondeu que estava trabalhando na monografia com as colegas. Mas havia chegado em casa faz tempinho. “Estava na sala organizando o material para amanhã”. O marido ainda se deu ao trabalho de dar um beijo na face de Ellen, cheirar as partes como se estivesse conferindo propriedade, virar de costas e retornar ao ronco.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Ellen também adormeceu minutos depois. Só esqueceu de esconder na bolsa o molho de chaves do outro apartamento, que ficou sobre a mesinha da cabeceira. E se deu o que Ellen pressentia. Na manhã seguinte o marido perguntou, furioso, de quem eram as chaves. “Quem é esse Aroldo gravado na plaqueta do chaveiro?”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-5818921246497761867?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/5818921246497761867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=5818921246497761867&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5818921246497761867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5818921246497761867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/conto-madrugada-denuncia-movimentos.html' title='Conto - A madrugada denuncia movimentos'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-6311724490526558385</id><published>2011-09-12T07:19:00.000-07:00</published><updated>2011-09-12T07:20:04.539-07:00</updated><title type='text'>Crônica - As palavras iludem se o tom abranda</title><content type='html'>Então você disse um oi e eu entendi proximidade. Diferente do bom dia costumeiro e formal. Ou do boa tarde enfadonho, quase obrigação. Quisera se houvesse ainda uma boa noite. Ainda que longe da informalidade significaria que em pelo menos três períodos de um ciclo de dia, noite e madrugada eu teria tido a oportunidade de te ouvir.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Sim, só ouvir. Não pretendo mais que isso. Uso a sua voz para abrir a porta da alma, esta que emperra sob o efeito de uma ferrugem que me faz quieto e acomodado diante das coisas que nos rodeiam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;“Vê se você se cuida, tá bom?” É o que diz quando nos despedimos cedo, tarde ou noite. Por que você me diria isso? Seria um conselho para equilibrar minhas extravagâncias? Com o que? Até este ponto exagero apenas na necessidade de te ouvir. Por isso cobro mais. Quero ouvir você dizendo: “Almoce certinho. Não coma bobagens...”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E penso que nem o almoço saciaria a fome que tenho de ouvir e interpretar o tom que você dá as palavras. E se eu fosse por um caminho sem sombras e ouvisse você dizer: “Vá pela sombra...”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Foge-me, na sem sensatez, a capacidade de qualquer interpretação. Mas confesso: soaria tão comum... Talvez isso me leve a ser insensato, o que daria na conclusão que você me quer bem e pede-me para ter cuidado com as coisas que dizem respeito a nós dois. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-6311724490526558385?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/6311724490526558385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=6311724490526558385&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6311724490526558385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6311724490526558385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/cronica-as-palavras-iludem-quando-o-tom.html' title='Crônica - As palavras iludem se o tom abranda'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-1254283408261064121</id><published>2011-09-09T12:28:00.001-07:00</published><updated>2011-09-09T12:29:29.850-07:00</updated><title type='text'>O Fisco e o Grande Irmão de George Orwell</title><content type='html'>O Fisco é, sem contestação, o grande irmão que controla com eficiência inquestionável a vida financeira de todo o cidadão brasileiro. Não corra, não fuja, nas adie nada do que está relacionado a ele. Com ou sem CPF você está no enquadramento da câmera que filma, segundo a segundo, tudo o que está entrando no seu bolso.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Quando publicou em 8 de junho de 1949 o romance Mil Novecentos e Oitenta e Quatro (em inglês, Nineteen Eighty-Four), o escritor Eric Arthur Blair, conhecido como George Orwell, provavelmente não imaginara que sua história se desse de forma tão perfeita com o do grande irmão brasileiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Eliminemos as tontices, para que não haja dúvidas: nada a ver com o BBB de uma grande emissora de tevê deste país, cuja espia é somente da mostração e da sacanagem. É mesmo do Fisco que estamos falando.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Claro, sonega-se e muito ainda. Mas só foge do foco da câmera os que sabem escapar técnica e politicamente das luzes do spot de iluminação. O trabalhador assalariado, por exemplo, jamais deixará de ser enquadrado e sempre aparecerá nas imagens. Idem para o empresários consciente de suas obrigações. Nada, absolutamente zero para parte dos políticos que usam laranjas para esconder suas riquezas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Leio na edição desta sexta-feira da Folha de Londrina, capa do caderno de Economia: “Impostômetro se aproxima de R$ 1 trilhão”. A matéria, assinada pelo repórter Victor Lopes, diz que no próximo dia 13 de setembro, por volta das 11 horas, os brasileiros já terão arrecadado aos cofres públicos em tributos federais, estaduais e municipais R$ 1 trilhão. E que esse valor será atingido 35 dias antes do que no ano passado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Ao desavisados (e há muitos), cabe reforçar que o Impostômetro é uma confiável ferramenta desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário e mantida pela Associação Comercial de São Paulo. Eu o acompanho pela internet, faz parte das páginas que visito com freqüência. Porque acredito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Quanto ao grande irmão, este Fisco que nos fisga, é eficiente no seu mecanismo de controle da sua renda. Mas permite que fraudadores roubem o seu CPF e até financiem carros, com a conivência de financeiras suspeitas, para enriquecer quadrilhas que jamais serão enquadradas pelas filmadoras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-1254283408261064121?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/1254283408261064121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=1254283408261064121&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/1254283408261064121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/1254283408261064121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/o-fisco-e-o-grande-irmao-de-george.html' title='O Fisco e o Grande Irmão de George Orwell'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-7622201609057121908</id><published>2011-09-08T11:27:00.001-07:00</published><updated>2011-09-08T11:28:59.140-07:00</updated><title type='text'>Conto - É de pisar e esfregar com força no chão</title><content type='html'>O cotidiano profissional de Rita era de estresse. Chegar ao local de trabalho e ter que puxar a cadeira, que estava encostada à mesa, incomodava. Será que ninguém, sabendo que ela chegava naquele horário, podia fazer o favor de deixar tudo no jeito? Poxa! Que falta de coleguismo...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Já sentada, mais coisas para fazer. Ufa! Abrir a gaveta para pegar a caneta, ligar o computador, beber água da garrafinha descartável de refrigerante, mudar o lugar da agenda de telefones da esquerda para a direita da escrivaninha e pensar. Que trabalheira!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Mas pensar em que? Como de hábito, em quem jogar a culpa por alguma coisa que ela considerava errado na sua rotina: “Deixei o apontador aqui ontem. Quem mudou de lugar?” Assim por diante. Mudanças fundamentais que se ocorressem, por exemplo, num departamento de estado ou no Ministério do Exército de algum governo, resultariam na deflagração da guerra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;“Fico irritada quando vocês mudam a posição que eu deixo a cortina. Tem que ficar assim...” Passada a primeira crise, Rita assumia no seu canto do escritório um silêncio até irritante. Há quem diga que era a fase do reajuste espontâneo, quando ela percebia ter sido extremamente inconveniente com os colegas. Alguns deles contestariam em voz alta: “Que inconveniente que nada. Chata mesmo. Babaca...”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Após consultar os e-mails – e nem sempre Rita reclamava da demora da internet – ela fazia ligações importante. Telefonemas que se deixassem de ser feitos causariam grandes prejuízos, devido aos impactos no bom andamento do trabalho. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E uma lista extensa se abria: tia, amiga, colega, amiga, parente, amiga e vai aquela conversa mole: novela, ocorrência policial, idade da cachorra, bexiga presa, flatulência incontinente, corte de cabelo, pintura das unhas e mais e mais. Caramba! E ainda falta uma hora e meia para o almoço...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;“Ninguém vai acertar aquele relógio da parede?” A resposta era o silêncio. Acabou copinho de café. Ninguém vai buscar?” Mais silêncio. “Alguém pegou minha caneta? Se pegou devolve...”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E a hora não passa mesmo, inclusive para os que estão atarefados tamanha é a aporrinhação de Rita. “Falando ela é um saco. Ficando quieta é um saco. O que a gente faz?” O comentário e a pergunta, claro, foram feitos aos sussurros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E a turma torcia para a hora do almoço ser abreviada. Ninguém se continha quando ela pegava a bolsa, passava pela fresta da porta e ia embora. E o ambiente ganhava clima de um bom local de trabalho. Ah, ela passava pela fresta da porta, mas a bolsa não. Mala e chata, quer ter classificação melhor?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-7622201609057121908?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/7622201609057121908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=7622201609057121908&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7622201609057121908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/7622201609057121908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/conto-e-de-pisar-e-esfregar-com-forca.html' title='Conto - É de pisar e esfregar com força no chão'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-8007166129441929746</id><published>2011-09-07T11:47:00.000-07:00</published><updated>2011-09-07T11:48:22.088-07:00</updated><title type='text'>Longe do Ipiranga um grito se fez mais forte</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-DG9VakhWKQQ/Tme7yTzsA_I/AAAAAAAAAKs/j8e-6qJsHb0/s1600/Excku%25C3%25ADdo-blog1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://4.bp.blogspot.com/-DG9VakhWKQQ/Tme7yTzsA_I/AAAAAAAAAKs/j8e-6qJsHb0/s400/Excku%25C3%25ADdo-blog1.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Igrejas, sindicatos e entidades levaram para a Avenida Leste-Oeste um grito muito mais forte do que aquele de 189 anos atrás, à margem do Ipiranga. O Grito dos Excluídos marchou com dezenas de participantes no desfile da Independência em Londrina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-LBLrmpSVvPQ/Tme8N85L17I/AAAAAAAAAK0/NrAGB-JEFgo/s1600/Exclu%25C3%25ADdo-blog2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-LBLrmpSVvPQ/Tme8N85L17I/AAAAAAAAAK0/NrAGB-JEFgo/s400/Exclu%25C3%25ADdo-blog2.jpg" width="266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-8007166129441929746?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/8007166129441929746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=8007166129441929746&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8007166129441929746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8007166129441929746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/longe-do-riacho-do-ipiranga-um-grito-se.html' title='Longe do Ipiranga um grito se fez mais forte'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-DG9VakhWKQQ/Tme7yTzsA_I/AAAAAAAAAKs/j8e-6qJsHb0/s72-c/Excku%25C3%25ADdo-blog1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-6183498738025845134</id><published>2011-09-07T11:41:00.000-07:00</published><updated>2011-09-07T11:41:31.061-07:00</updated><title type='text'>Ele levou cores e ofereceu alegria às crianças</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-8lDZK00YtOY/Tme6uR0BQXI/AAAAAAAAAKo/sYLw7UGGvWg/s1600/Blog3.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://2.bp.blogspot.com/-8lDZK00YtOY/Tme6uR0BQXI/AAAAAAAAAKo/sYLw7UGGvWg/s400/Blog3.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Figura típica das festas populares como o desfile de 7 de setembro, o vendedor de brinquedos aguçou o desejo das crianças de levarem para casa objetos tão simples e belos. Para ele, o vendedor, foi um momento de inclusão, embora precário. Com certeza o vendedor foi, por instantes, o centro das atenções dos pequenos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-6183498738025845134?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/6183498738025845134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=6183498738025845134&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6183498738025845134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/6183498738025845134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/ele-levou-cores-e-ofereceu-alegria-as.html' title='Ele levou cores e ofereceu alegria às crianças'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-8lDZK00YtOY/Tme6uR0BQXI/AAAAAAAAAKo/sYLw7UGGvWg/s72-c/Blog3.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-5498538581770130610</id><published>2011-09-06T10:32:00.000-07:00</published><updated>2011-09-06T10:33:11.868-07:00</updated><title type='text'>Conto - Caminho de todos os dias</title><content type='html'>É um trecho curto de cá até lá. Dá vinte minutos, pouco mais pouco menos, no passo normal de andar. Nem sai suor. Faz quase uma reta e só ali, adiante da calçada com tronco de árvore cortada rente ao piso, tem subida. Mas nem tanto. Muito antes de chegar ao topo as batatas das pernas amolecem. Coisa assim, de ir sem sentir, quase percebendo o quanto já se caminhou. Vence o percurso numa esticada. Saiu, chegou.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;O sol se agüenta. Bate forte nas costas, até queima. Mas pra lá tem sombra. Pior quando vem de lá pra cá, pois pega no olho, então perturba. Já fiz percurso de volta nessa altura do dito cujo e a claridade até cega. Então empapa a camisa, escorre água dos fios do cabelo e desce nas costas. Mas chega, do mesmo jeito, se sair no tranco e manter coragem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Teve também chuva na ida e na volta. No meio nem tem onde esconder se a bichona engrossa. Tem que seguir e olha que na correria o pano da roupa pesa. Se as gotas pegam de frente até dói na pele da cara. Arde e nem deixa respirar. Assim se vai feito besta, de olhos quase fechados e boca aberta, porque é por ali que se toma ar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Na escuridão isso aqui dá medo. Já corri de carro lotado que passou por mim e quase encostou bem ali, perto do cercado azul, pouco atrás da moita de espinheira santa. Passava das dez e dei no pé por precaução, nem vi quando cheguei ao portão de madeira lá daquela casa de muro laranja. Fiz trajeto em dez minutos e nem cansei.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Eu ando muito por aqui. Ida e volta, volta e ida e assim gasto solado. Conheço cada buraco da calçada, vou desviando sem olhar pro chão. Às vezes entendia e demora mais. Nunca chega no destino, até dá fadiga. Outras vezes é um pulo. Faço o trecho sem perceber. Mas sempre chego e inteiro. Nunca fiquei no caminho. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-5498538581770130610?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/5498538581770130610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=5498538581770130610&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5498538581770130610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/5498538581770130610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/conto-caminho-de-todos-os-dias.html' title='Conto - Caminho de todos os dias'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-8471949933425687440</id><published>2011-09-05T12:20:00.001-07:00</published><updated>2011-09-05T12:20:53.072-07:00</updated><title type='text'>Conto - As coisas triviais e as outras nem tanto</title><content type='html'>A última vez parece ontem. Foi um tiquinho de tempo. Nada mais que um olhar de relance num algo qualquer que atravessou o caminho. Um momento de distração, para ser franco, quando se descuidou de um bem.  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Ela sabia. Seria o fim de um evento que nem começo teve. Ainda assim apareceu radiante. Sorriu e falou com admirável propriedade. Expôs pretensões, mas nunca relacionadas a coisas comuns. Como o amor, por exemplo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Uma viagem, um projeto acadêmico, uma meta profissional e assim por diante. Nada de sentimentos. Vida a dois? Dissimulou apenas, ao ensaiar que quando a teve não suportou. Justificou sem exigir que os outros concordassem que a presença física de alguém havia sido desgastante. Foi um aviso: conversa encerrada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Debateu literatura como uma crítica literária. Em certos detalhes aprofundou conversa. Mas deixou capítulos inteiros em aberto, como se partes do livro tocassem em questões triviais e, assim, desinteressantes. Foi como folhear um grosso livro usando luvas de lã, quando as páginas passam de monte. E das folhas que viraram juntas nem todas falavam de amor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Ainda assim elogiou obras em que os autores destampam cenários políticos sobre panos de fundo com epsódios de amor. Ou desamor. Mencionou “A Insustentável Leveza do Ser”, de Milan Kundera. Lembrou também de “Dr. Jivago”, cujo filme foi baseado em romance de Boris Pasternak. Pediu concordância que estes eram referência, numa forma delicada de sugerir que evitassem solicitar outros títulos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Ninguém o fez, a mensagem foi compreendida. E ela continuou altiva, dominante, no centro das atenções. Por horas cativou, mas nunca se deixou cativar. Repeliu com certo humor e desdém elogios, principalmente quando estes tratavam de sua beleza e simpatia. Falou mais que ouviu e nem assim chegou ao descontrole. Brilhou até o último gole de vinho na companhia das pessoas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Só depois, sozinha num quarto de hotel, desabou ao se ver longe daquele por quem ela imaginava poder confidenciar sobre coisas triviais e desimportantes, como o amor. Pudera! Foi a parte que ela se propôs esconder dele pensando ser estratégia certa. E ele julgou diferente e se foi sem dar chance de um começo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-8471949933425687440?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/8471949933425687440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=8471949933425687440&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8471949933425687440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8471949933425687440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/conto-as-coisas-triviais-e-as-outras.html' title='Conto - As coisas triviais e as outras nem tanto'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-3783859842222802191</id><published>2011-09-04T18:03:00.001-07:00</published><updated>2011-09-04T18:16:19.210-07:00</updated><title type='text'>Crônica - Cada um se vira como pode</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;span style="color: #204063; font-family: Helvetica;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;A estátua viva tem nos braços uma boneca que imita uma criança. A estátua, que é viva, imita uma santa. A estátua, que vive, pede a atenção das pessoas, por isso é uma estátua viva com uma boneca nos braços. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sanfoneiro imita que sabe tocar uma canção que só conhece a metade. O sanfoneiro, que é bom imitador, toca uma música pela metade. O sanfoneiro toca outras metades de outras canções para ver se a caixa de sapatos colocada aos seus pés tem o fundo coberto de moedas atiradas por quem passa e não percebe que o sanfoneiro é bom até a metade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vendedor de líquido milagroso vende a cura para tudo o que é nome de doença. O vendedor de milagre diz que seu produto é bom para alergia. O vendedor de cura promete aliviar inchaço. O vendedor só não tem remédio para ficar rico de modo a não ter que vender o que não pode curar a doença que faz os que procuram milagres a comprarem promessas em vidros, em cédulas eleitorais, em anúncios políticos e em outros frascos descartáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Informalidades. Filhas da crise e do desemprego, madrastas dos excluídos. Duras para quem se vê obrigado a se submeter. Cobiçadas pelos profissionais do vamos ver no que dá, dentre eles aqueles que sobem nos palanques e prometem milagres para tornar a informalidade menos informal. Como se isso resolvesse...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-3783859842222802191?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/3783859842222802191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=3783859842222802191&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3783859842222802191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/3783859842222802191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/cronica-cada-um-se-vira-como-pode.html' title='Crônica - Cada um se vira como pode'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-2241115948596716651</id><published>2011-09-02T09:54:00.000-07:00</published><updated>2011-09-02T09:54:46.699-07:00</updated><title type='text'>Uma ré sem defesa no dia do julgamento final</title><content type='html'>“A dona Margarete lutou tanto, coitada!” Exclamada com ênfase, a frase teve mais do que um sentido nos ouvidos da meia dúzia de pessoas ao redor. Seria um elogio à mulher?  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Ou um sentimento de pena? Sim, poderia ser isso. Provalmente Margarete entregou-se a algumas batalhas cujas vitórias lhe daria o alcance de um objetivo nobre e importante. Mas impedimentos no percurso haviam tornado a meta inatingível.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Objetivos e metas, quanta distância entre dois pontos. Seguiram-se relatos feitos cochichos, com as mãos tapando as bocas para evitar que o som das falas propagasse acontecimentos mais íntimos a quem não devesse ouvir. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Que dona Margarete trabalhara desde cedo, ainda meninas de pés no chão, quando a família vivia com a renda de uma pequena propriedade rural. E isso se pode comentar em tom mais alto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Que a mulher teve acesso à escola muito tarde, porque as tarefas domésticas, que incluíam os cuidados com os irmãos mais novos impediam Margarete de estudar. E este assunto foi dito em tom mais brando, como se fosse confidência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Que dona Margarete, apesar do pouco estudo, sempre teve uma inteligência de dar inveja e por isso merecia atenção de todos nas conversas durante as reuniões festivas da família. “Ela falava de um a tudo como se tivesse estudado sobre o assunto”, diziam os parentes. E isso foi dito em bom tom. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Que a mulher, quando adolescente, desbancou muitas candidatas referenciadas na disputa de uma vaga de costureira numa indústria de confecções, porque as pessoas encarregadas da seleção levaram em conta a humildade de Margarete em admitir que nem sabia como fazer a máquina funcionar sem pedal, “mas é só eu ver alguém fazendo que aprendo rápido”. E nisso não houve cuidados quando se comentou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Que Margarete, pouco mais de um ano depois, foi promovida a chefe das costureiras, pois além de produzir acima da meta nunca teve uma peça devolvida pelo controle de qualidade e mantinha relacionamento exemplar com as colegas. E este tópico mereceu tom alto e ouvidos atentos, com acenos de concordância da cabeça após exposto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Mas havia uma outra versão deste epsódio, cuja manifestação foi feita restritamente, com as mãos feito conchas escondendo as bocas, as orelhas em pé e em sussuros: que Margarete tinha, sim, muita capacidade profissional. A promoção, no entanto, foi fruto de uma relação amorosa com o patrão que era casado. “Quer dizer, ela teve que fazer muitos serões para ser promovida a gerente”, cochicharam as três senhoras encostadas no pé do caixão onde Margarete jazia serena.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E como nesses encontros as frases ditas em voz mais alta raramente se completam por serem esquecidas na medida em que as conversas se avolumam, ninguém se preocupou em acrescentar complementos à exclamação inicial: “A donaMargarete lutou tanto, coitada!”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-2241115948596716651?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/2241115948596716651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=2241115948596716651&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2241115948596716651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/2241115948596716651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/uma-re-sem-defesa-no-dia-do-julgamento.html' title='Uma ré sem defesa no dia do julgamento final'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-8955890325563451788</id><published>2011-09-01T08:23:00.001-07:00</published><updated>2011-09-01T08:23:54.172-07:00</updated><title type='text'>O silêncio é, às vezes, um grito forte e agudo</title><content type='html'>Quando ela sorri nem sempre o sorriso é interpretado como um sentimento de alegria. É apenas um aceno, como se ela dissesse um olá, como vai? O olhar é sereno. Os lábios apenas esboçam leve movimento. Então não se sabe se Leonice está feliz. Ou se ela disfarça um choro que não é de lágrimas.   &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Talvez Leonice carregue no trajeto de casa ao serviço muito mais do que a bolsa cujas alças pressionam os ombros com força, de maneira que aquilo não seja cobiçado por algum descuidista. Os mesmos ombros devem arcar com o peso de preocupações diversas: as crianças despachadas para a escola, o aluguel da casa, a prestação do sofá, o vencimento da conta de água e o atraso no pagamento do salário, por exemplo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Sim, um parceiro em casa para dividir as contas e repartir alguns momentos de alívio. Ou Leonice é só? Talvez a falta de um sorriso tenha a ver com solidão. O que se sabe dela é aquilo que se vê. E não há intimidade tanta para perguntar se ela é feliz ou triste. Haveria alguma oportunidade para fazer uso da solidariedade e indagar? Qual o risco da atitude ser confundida com curiosidade vulgar?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Leonice aparenta uma idade que depende da roupa que ela usa. Quarenta, cinqüenta ou pouco mais. Não há rugas no rosto, a pele é lisa. Mas há, com certeza, rastros na superfície morena de muito sol ao longo dos anos, chuvas de temporada, frio, vento gelado e suor. Talvez até lágrimas que não se vejam de dia, mas desçam à noite. Quem é que sabe?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Hoje ela desceu do ônibus e seguiu pela avenida até a casa onde trabalha como doméstica. No caminho passou por uma escola, onde alunos enfileirados cantavam o Hino Nacional enquanto a bandeira era hasteada. No tempo em que reduziu os passos para assistir de relance a comemoração da Semana da Pátria ouviu, após a música, alguém declamar um poema sobre o grito às margens do Ipiranga.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Leonice caminhou impassiva, ainda devagar. Parece que sorriu. Há, porém, quem diga que aquilo foi uma expressão de tristeza. E se imaginou, entre as dezenas de pessoas que faziam o mesmo trajeto, que aquela mulher manifestou em seu silêncio um grito muito forte. E de tão forte aquele grito despertou a atenção de pessoas que enxergam as expressões de outras pessoas e se perguntam: Por que tanta alegria? Qual a razão de tamanha tristeza?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Pensei o dia todo que aquele grito foi por liberdade. Diferente daquele da margem do Ipiranga, o grito da liberdade, o de Leonice ecoou mais longe.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-8955890325563451788?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/8955890325563451788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=8955890325563451788&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8955890325563451788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8955890325563451788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/09/o-silencio-e-as-vezes-um-grito-forte-e.html' title='O silêncio é, às vezes, um grito forte e agudo'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-8815814355417807454</id><published>2011-08-31T13:02:00.001-07:00</published><updated>2011-08-31T13:02:33.963-07:00</updated><title type='text'>Em cada barco uma mensagem</title><content type='html'>Desceu um barco de papel na enxurrada formada pela chuva rápida de verão. Feita de folha de caderno, levou letras, palavras e frases incompletas e sem sentido, pois muito do que estava escrito deixou a umidade roubar a nitidez. Mas havia uma grande certeza: o barquinho carregou para baixo algum tipo de mensagem.  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Atrás do vidro embaçado de uma janela, um menino viu, no outro lado do rua, o barco de papel descer na enxurrada. Ele bem que queria montar um brinquedo parecido, mas não sabia como. Queria colocá-lo na correnteza e segui-lo até onde desse, talvez no próximo bueiro que bebia a água com sede e pressa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Mas se tinha o papel não dispunha da habilidade para fazer um barco. E se tivesse o barco quando teria o consentimento dos pais para sair à rua, na chuva, de forma a colocá-lo na enxurrada? Então na sua imaginação de criança pensou em algum outro menino que tinha papel, fazia o barco e podia ir descalço até a beira da rua para soltar o brinquedo na água. E fez desses pontos a sua mensagem, que preferiu guardar para si mesmo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;A mulher acomodada na cadeira da varanda também viu o barco descer com a correnteza da chuva de verão. E lembrou que ela havia montado muitos deles quando adolescente. Às vezes usava folhas de cadernos usadas. Em outras ocasiões escolhia uma folha em branco, onde rabiscava sentimentos. Do namorico que começou. Ou do que havia chegado ao fim. Fosse de dor, fosse de amor, a sua mensagem sempre descia no ritmo da enxurrada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;O homem parou o carro na esquina e percebeu o barco de papel ser engolido pelo bueiro. Então pensou que ele havia prometido no verão anterior ensinar ao filho a fazer três tipos diferentes de barcos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Recapitulou que não foi por falta de papel que o compromisso deixou de ser cumprido. Admitiu que relaxou e deixou seu filho preso à escrivaninha onde instalou o computador de uso da família, onde o menino via barcos de verdade navegando no monitor. Então chorou e se perguntou por que aquele barco de papel que sumiu no bueiro havia trazido mensagem tão dura para ele.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-8815814355417807454?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/8815814355417807454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=8815814355417807454&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8815814355417807454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8815814355417807454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/08/em-cada-barco-uma-mensagem.html' title='Em cada barco uma mensagem'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-847714998067575686.post-8121919624539550754</id><published>2011-08-30T12:18:00.000-07:00</published><updated>2011-08-30T12:18:17.073-07:00</updated><title type='text'>Vestir, calçar, usar, chacoalhar, colar nas costas...</title><content type='html'>Excentricidade. A palavra soava diferente para Doralice. Ela, que vivia a conveniência e seguia a vida de acordo com as regras, num padrão que incluía as novelas da televisão, os programas domingueiros de auditório, os cortes de cabelo ditados pelas revistas especializadas e as roupas de tons e tipos recomendados pelos desenhistas de moda, tinha certa pretensão de praticar aquilo que a palavra definia.  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Vez em quando, nos devaneios dos finais de dia, Doralice se perguntava: “O que é ser excêntrica? Como posso ser uma pessoa excêntrica?” As respostas que ela mesma se dava migravam para versões variadas. Algumas tinham algo a ver. Outras eram a própria excentricidade. Mas havia aquelas que passavam longe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Morar longe da zona urbana, numa casa com quintal de chão e rua sem asfalto. Isso era excêntrico? Claro que sim, desde que a pessoa que fizesse a opção fosse um milionário cansado de viver numa mansão de concreto, ferragens, vidros e metais. E de tão entediado com o conforto e a sofistificação trocara o bairro nobre por um puxadinho meia água na periferia. Isso seria excentricidade, até porque uma das definições da palavra é esta: longe ou fora do centro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Quanto ao contrário: trocar o aluguel de quatrocentos reais de uma casa na periferia, em rua de asfalto esburacado, por um sobrado de mil e quinhentos reais em bairro nobre. Esse exemplo dá margem para divagações. Doralice testaria duas alternativas: a primeira é a do cidadão milionário do parágrafo anterior ter se refeito do tédio e decidido voltar ao seu ambiente. Isso seria excêntrico ou constatação de arrependimento? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;A segunda alternativa mostraria o cidadão simples, com um salário de novecentos reais alugando um sobrado de mil e quinhentos. Excêntrico? Claro que não. Louco, irresponsável, sem noção. Essa hipótese, a própria Doralice admitia, nunca passaria à prática. Pois qual imobiliária aprovaria o cadastro e fecharia o contrato de locação?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Então Doralice foi para opções mais simples: usar um boné? Descarte, isso é coisa de mano. Sair com um agasalho longo, tipo casacão, neste inverno de Londrina que bate trinta e quatro graus? Depende. Uma figura colunável, destaque rotineiro dos melhores jornais da região, seria excêntrica com ou sem o agasalho. Um pobre, diriam dele, não tinha outra coisa que vestir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Até nas alternativas novelescas Doralice pensou: gravata, terno e tênis, por exemplo. Ah, mas isso é só para quem está entre as aspas. Num cidadão comum os comentários seriam de que o metido a besta nem sabe se vestir. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;E Doralice, por aquele dia, concluiu que ser excêntrica depende de interpretações alheias. E que o olhar dos outros no que você veste, calça, usa, pendura, chacoalha ou cola nas costas varia muito do seu status social. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/847714998067575686-8121919624539550754?l=walterogama.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://walterogama.blogspot.com/feeds/8121919624539550754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=847714998067575686&amp;postID=8121919624539550754&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8121919624539550754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/847714998067575686/posts/default/8121919624539550754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://walterogama.blogspot.com/2011/08/vestir-calcar-usar-chacoalhar-colar-nas.html' title='Vestir, calçar, usar, chacoalhar, colar nas costas...'/><author><name>Walter Ogama</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09133414142983952136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qe-Rc9P9Xnk/SdJdfgy7DEI/AAAAAAAAAAU/DIz1Coqg02A/S220/Ol%C3%A1,+sou+eu.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
